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O grupo Nansen, de Contagem, na Grande
Belo Horizonte, sai na frente do esforço recente das
indústrias mineiras para entrar na disputa dos negócios
milionários do setor de óleo e gás, embalados pela
descoberta das reservas da camada do pré-sal. No mais tardar
no começo de outubro, a tradicional fabricante de medidores
de água e energia, que acaba de completar 80 anos, firmará
contrato com a Petrobras para desenvolver um sistema sem
similiar no mundo de inspeção e monitoramento do processo de
produção do coque a partir de petróleo, matéria-prima para
uma série de derivados. O acordo envolverá a Nansen, sua
controlada Invent Vision, empresa também mineira nascida na
encubadora da UFMG, e o Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes),
que vão trabalhar juntos durante os próximos 36 meses. O
valor do contrato é mantido em sigilo.
A parceria tem significado especial para as indústrias de
médio porte de Minas num segmento de oportunidades ainda
muito restrito a grandes companhias que já participam do
círculo de fornecedores da Petrobras, a exemplo da V&M; do
Brasil (antiga Mannesmann), grupos Andrade Gutierrez e
Mendes Júnior, Ortemg e Delp Engenharia. Além da Nansen,
outras empresas que estão investindo com esse mesmo objetivo
começam a colher ou planejam novas investidas. É o caso da
On-Off, fabricante de painéis eletroeletrônicos de Betim, na
Grande Belo Horizonte, que obteve há apenas quatro meses o
Certificado de Registro de Classificação Cadastral (CRCC),
uma espécie de passaporte das empresas que têm o cadastro
aprovado pela Petrobras.
Num estágio mais adiantado, a Simper Parafusos, de Contagem,
na Grande Belo Horizonte, que já fornece parafusos especiais
à estatal, trabalha com a meta de intensificar o
fornecimento, conta o proprietário Márcio Kac. Idêntica
expectativa tem a Gramo Empreendimentos, de Belo Horizonte,
especializada em prestação de serviços de engenharia civil e
montagem mecânica. O desafio das empresas menores não é
simples de ser vencido, mas mostra avanços, segundo José
Luiz Melo Aguiar, presidente da Câmara da Indústria do
Petróleo e Gás da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).
As empresas mineiras respondem por apenas 2% das compras da
Petrobras, volume irrisório quando comparado à posição
ocupada pelo estado, terceira economia do país.
%u201CCom certeza, o mercado mais aquecido, hoje, é o de
óleo e gás, que vai puxar o desenvolvimento do país%u201D,
afirma Melo Aguiar. Uma das conquistas da indústria mineira
foi a abertura do cadastro de fornecedores da Petrobras nos
últimos três anos. O número de empresas do estado
cadastradas saltou de 500 para 5 mil. A estatal anunciou no
ano passado um ciclo de investimentos de US$ 214 bilhões até
2014.
O contrato que torna o grupo Nansen parceiro da Petrobras
parte de um protótipo criado pela Nansen e já testado na
Refinaria Gabriel Passos (Regap), de Betim, informou Geraldo
Afonso Porto Pedrosa, diretor de novos negócios da empresa.
Trata-se de um sistema que permite reduzir em até 30% o
ciclo de produção do coque, aumentando, ainda, a
confiabilidade da inspeção dos reatores nas refinarias e a
segurança do processo, inclusive do ponto de vista dos
operadores do setor. Marta Vieira - Estado de Minas |
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