Itaúna, 01 de outubro de 2010
 

     

 
 

 

 


 
 

 

 

 
 

 

 
 

 

 

 
 
 
 
Indústrias de médio porte em Minas disputam fatia de investimentos do pré-sal
 

O grupo Nansen, de Contagem, na Grande Belo Horizonte, sai na frente do esforço recente das indústrias mineiras para entrar na disputa dos negócios milionários do setor de óleo e gás, embalados pela descoberta das reservas da camada do pré-sal. No mais tardar no começo de outubro, a tradicional fabricante de medidores de água e energia, que acaba de completar 80 anos, firmará contrato com a Petrobras para desenvolver um sistema sem similiar no mundo de inspeção e monitoramento do processo de produção do coque a partir de petróleo, matéria-prima para uma série de derivados. O acordo envolverá a Nansen, sua controlada Invent Vision, empresa também mineira nascida na encubadora da UFMG, e o Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), que vão trabalhar juntos durante os próximos 36 meses. O valor do contrato é mantido em sigilo.

A parceria tem significado especial para as indústrias de médio porte de Minas num segmento de oportunidades ainda muito restrito a grandes companhias que já participam do círculo de fornecedores da Petrobras, a exemplo da V&M; do Brasil (antiga Mannesmann), grupos Andrade Gutierrez e Mendes Júnior, Ortemg e Delp Engenharia. Além da Nansen, outras empresas que estão investindo com esse mesmo objetivo começam a colher ou planejam novas investidas. É o caso da On-Off, fabricante de painéis eletroeletrônicos de Betim, na Grande Belo Horizonte, que obteve há apenas quatro meses o Certificado de Registro de Classificação Cadastral (CRCC), uma espécie de passaporte das empresas que têm o cadastro aprovado pela Petrobras.

Num estágio mais adiantado, a Simper Parafusos, de Contagem, na Grande Belo Horizonte, que já fornece parafusos especiais à estatal, trabalha com a meta de intensificar o fornecimento, conta o proprietário Márcio Kac. Idêntica expectativa tem a Gramo Empreendimentos, de Belo Horizonte, especializada em prestação de serviços de engenharia civil e montagem mecânica. O desafio das empresas menores não é simples de ser vencido, mas mostra avanços, segundo José Luiz Melo Aguiar, presidente da Câmara da Indústria do Petróleo e Gás da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). As empresas mineiras respondem por apenas 2% das compras da Petrobras, volume irrisório quando comparado à posição ocupada pelo estado, terceira economia do país.

%u201CCom certeza, o mercado mais aquecido, hoje, é o de óleo e gás, que vai puxar o desenvolvimento do país%u201D, afirma Melo Aguiar. Uma das conquistas da indústria mineira foi a abertura do cadastro de fornecedores da Petrobras nos últimos três anos. O número de empresas do estado cadastradas saltou de 500 para 5 mil. A estatal anunciou no ano passado um ciclo de investimentos de US$ 214 bilhões até 2014.

O contrato que torna o grupo Nansen parceiro da Petrobras parte de um protótipo criado pela Nansen e já testado na Refinaria Gabriel Passos (Regap), de Betim, informou Geraldo Afonso Porto Pedrosa, diretor de novos negócios da empresa. Trata-se de um sistema que permite reduzir em até 30% o ciclo de produção do coque, aumentando, ainda, a confiabilidade da inspeção dos reatores nas refinarias e a segurança do processo, inclusive do ponto de vista dos operadores do setor. Marta Vieira - Estado de Minas

 

 

Da Redação