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Há exatamente um ano, a notícia de que a
prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tinha sido
roubada pegou de surpresa 4 milhões de estudantes e o
próprio Ministério da Educação (MEC). A avaliação teve que
ser adiada e refeita dois meses depois, registrando um
índice recorde de abstenção. Um ano depois, nenhum dos
envolvidos no caso foi preso ou julgado e o ministério teve
de mudar os processos de elaboração e aplicação da prova.
As provas foram roubadas de dentro da Gráfica Plural, onde o
material era impresso por funcionários do próprio consórcio
que ganhou a licitação para aplicar o exame, o Connasel.
Eles tentaram vender o exame ao jornal O Estado de S.Paulo,
que denunciou o caso ao MEC.
A Polícia Federal ficou responsável pelas investigações e
indiciou Felipe Pradella, Felipe Ribeiro e Marcelo Sena,
empregados do consórcio, por quebra de sigilo funcional e
peculato. Além deles, também foram indiciados o empresário
Luciano Rodrigues e o DJ Gregory Camillo de Oliveira Craid,
que participaram das negociações. O caso segue em segredo na
Justiça Federal de São Paulo, que por enquanto ouviu apenas
testemunhas.
Depois do caso, o Enem passou por reformulações. O MEC
conseguiu a dispensa de licitação para contratar a empresa
que fará a aplicação do Enem 2010, marcado para os dias 5 e
6 de novembro. O MEC alegava que a licitação impedia a
escolha de uma empresa que pudesse garantir a segurança
necessária para o exame, já que desde 2009 ele substitui o
vestibular de várias universidades públicas do país.
Sem a licitação, o MEC tem mais controle sobre cada etapa.
Contratou neste ano o consórcio Cespe/Cesgranrio, que havia
sido responsável por todas as edições do exame até 2008.
Eles serão responsáveis por aplicar e corrigir o Enem. A
distribuição das provas será feita pelos Correios, assim
como ocorreu no ano passado depois que a prova teve que ser
refeita. As Forças Armadas e as polícias de cada estado vão
cuidar da segurança do transporte do material até os locais
de prova.
Apenas a escolha da gráfica passou por licitação. A Plural
tentou, mais uma vez, participar do processo, mas foi
desclassificada pelo MEC e excluída do processo depois de
uma disputa na Justiça. A escolhida foi a RR Donelley, que
imprimiu a segunda versão do exame em 2009. O edital de
contratação da gráfica para o Enem de 2010 incluiu mais de
50 pré-requisitos de segurança, entre eles manter um
vigilante a cada 100 metros, câmeras com monitoramento em
tempo real de cada funcionário e uso de uniforme especial
sem bolsos ou compartimentos que permitam ocultar objetos.
Além do adiamento da prova, houve erro na divulgação dos
gabaritos e dificuldade dos estudantes em acessar o Sistema
de Seleção Unificada (Sisu), por meio do qual eram
disponibilizadas as vagas das instituições de ensino que
aderiram ao Enem. Apesar dos problemas do ano passado, o
exame teve recorde de inscritos em 2010: 4,6 milhões.
Levantamento preliminar feito pelo MEC aponta que 59
universidades federais vão utilizar a nota do Enem 2010 em
seus processos seletivos. Em 36 instituições ele será a
única forma de seleção em substituição ao vestibular
tradicional, seja para todos os cursos ou para parte das
vagas. |
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