Itaúna, 08 de outubro de 2010
 

     

 
 

 

 


 
 

 

 

 
 

 

 
 

 

 

 
 
 
 
 
Imobiliária acusada de calote deixou de movimentar contas em 2009

 

Investigada pela Polícia Federal e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por atuar como clube de investimentos sem autorização, a Adimóveis Locadora Ltda., de Divinópolis, teria deixado de movimentar contas em nome da empresa depois que foi alvo de processos de falência e de execução judicial. Segundo fontes que tiveram acesso aos autos do processo de falência que tramitou na 1ª Vara Cível de Divinópolis, a imobiliária – alvo de apuração por operar irregularmente no mercado financeiro e por suposto prejuízo de R$ 70 milhões a 1.094 investidores – teria saldo, em 2009, que não superaria os R$ 2 mil em contas abertas em nome da empresa em cinco bancos.

No processo de falência, aberto por um dos credores em setembro de 2009, foi pedida a quebra de sigilo bancário no período de setembro a novembro daquele ano. Cinco bancos enviaram correspondência à Justiça e informaram que, naqueles meses, nenhuma movimentação havia sido feita pelo titular da conta, em nome da Adimóveis. Uma das instituições chegou a ressaltar que o cliente não realizava nenhum tipo de transação na conta desde 2005. A suspeita de clientes que se dizem lesados é de que contas de funcionários ou parentes passaram a ser usadas pela imobiliária.

A Adimóveis chegou a ter falência decretada pela 1ª Vara Cível de Divinópolis, mas obteve recurso no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. No processo, o dono da Adimóveis, o empresário Deusdete Fernandes Campos, chegou a afirmar que o credor só não recebeu o dinheiro de volta (valor que ultrapassava os R$ 100 mil), devido à inadimplência de aproximadamente 20 inquilinos. Campos afirmou que o montante a ser recebido seria de aproximadamente R$ 12 milhões. Quase um ano depois, a dívida ainda não foi paga

Investimentos

Em inquérito, a PF apura se a Adimóveis, de Divinópolis – que desde 1990 não tem relação com a empresa de mesmo nome em Belo Horizonte – passou a captar recursos financeiros dos clientes para fazer caixa por meio de notas promissórias avalizadas por

Deusdete Fernandes Campos. A suspeita é de que a empresa tenha criado uma factoring para que o dinheiro captado fosse usado em operações de trocas de cheques de terceiros, provenientes do comércio. A imobiliária teria oferecido aplicações remuneradas em 2% ao mês e reinvestido dinheiro de clientes em ações.

A empresa, porém, não tem autorização da CVM para operar como corretora de valores mobiliários. A comissão abriu investigação sobre a atuação da imobiliária. O caso é semelhante ao do empresário Thales Maioline, que também mantinha um clube de investimentos sem licença. Ele fugiu em julho com R$ 86,1 milhões de 1,4 mil investidores e foi comparado ao norte-americano Bernard Madoff, condenado por fraude por um esquema de pirâmide financeira.

Apesar das contas sem movimentação, a Adimóveis afirmou ontem que seus “ativos superam em muito o seu passivo.” Em nota, a Adimóveis diz ainda que “é autora em execuções judiciais que representam quatro vezes mais, em quantidade e valor, as execuções em que figura como ré”. Informa também que “não enfrenta nenhuma execução fiscal e tão somente execuções judiciais”. A imobiliária reafirmou que “ainda não foi ouvida e não tem conhecimento dos termos da investigação da Polícia Federal” e que se “manifestará em momento oportuno”

 
 

Da Redação