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Investigada pela Polícia Federal e pela
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por atuar como clube
de investimentos sem autorização, a Adimóveis Locadora
Ltda., de Divinópolis, teria deixado de movimentar contas em
nome da empresa depois que foi alvo de processos de falência
e de execução judicial. Segundo fontes que tiveram acesso
aos autos do processo de falência que tramitou na 1ª Vara
Cível de Divinópolis, a imobiliária – alvo de apuração por
operar irregularmente no mercado financeiro e por suposto
prejuízo de R$ 70 milhões a 1.094 investidores – teria
saldo, em 2009, que não superaria os R$ 2 mil em contas
abertas em nome da empresa em cinco bancos.
No processo de falência, aberto por um dos credores em
setembro de 2009, foi pedida a quebra de sigilo bancário no
período de setembro a novembro daquele ano. Cinco bancos
enviaram correspondência à Justiça e informaram que,
naqueles meses, nenhuma movimentação havia sido feita pelo
titular da conta, em nome da Adimóveis. Uma das instituições
chegou a ressaltar que o cliente não realizava nenhum tipo
de transação na conta desde 2005. A suspeita de clientes que
se dizem lesados é de que contas de funcionários ou parentes
passaram a ser usadas pela imobiliária.
A Adimóveis chegou a ter falência decretada pela 1ª Vara
Cível de Divinópolis, mas obteve recurso no Tribunal de
Justiça de Minas Gerais. No processo, o dono da Adimóveis, o
empresário Deusdete Fernandes Campos, chegou a afirmar que o
credor só não recebeu o dinheiro de volta (valor que
ultrapassava os R$ 100 mil), devido à inadimplência de
aproximadamente 20 inquilinos. Campos afirmou que o montante
a ser recebido seria de aproximadamente R$ 12 milhões. Quase
um ano depois, a dívida ainda não foi paga
Investimentos
Em inquérito, a PF apura se a Adimóveis, de Divinópolis –
que desde 1990 não tem relação com a empresa de mesmo nome
em Belo Horizonte – passou a captar recursos financeiros dos
clientes para fazer caixa por meio de notas promissórias
avalizadas por
Deusdete Fernandes Campos. A suspeita é de que a empresa
tenha criado uma factoring para que o dinheiro captado fosse
usado em operações de trocas de cheques de terceiros,
provenientes do comércio. A imobiliária teria oferecido
aplicações remuneradas em 2% ao mês e reinvestido dinheiro
de clientes em ações.
A empresa, porém, não tem autorização da CVM para operar
como corretora de valores mobiliários. A comissão abriu
investigação sobre a atuação da imobiliária. O caso é
semelhante ao do empresário Thales Maioline, que também
mantinha um clube de investimentos sem licença. Ele fugiu em
julho com R$ 86,1 milhões de 1,4 mil investidores e foi
comparado ao norte-americano Bernard Madoff, condenado por
fraude por um esquema de pirâmide financeira.
Apesar das contas sem movimentação, a Adimóveis afirmou
ontem que seus “ativos superam em muito o seu passivo.” Em
nota, a Adimóveis diz ainda que “é autora em execuções
judiciais que representam quatro vezes mais, em quantidade e
valor, as execuções em que figura como ré”. Informa também
que “não enfrenta nenhuma execução fiscal e tão somente
execuções judiciais”. A imobiliária reafirmou que “ainda não
foi ouvida e não tem conhecimento dos termos da investigação
da Polícia Federal” e que se “manifestará em momento
oportuno” |
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