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Um novo conflito diplomático entre a
Argentina e a Grã-Bretanha relacionado às Ilhas Malvinas
criou clima de tensão entre os dois países na noite de ontem
(9), quando o governo de Cristina Kirchner repudiou o
comunicado de que a Marinha inglesa se prepara para iniciar
amanhã (11) exercícios militares a partir da localidade de
Port Harriet. Os exercícios envolvem o lançamento de mísseis
Rapier terra-ar que podem alcançar alvos posicionados entre
400 metros a seis quilômetros.
O comunicado do governo inglês foi enviado ao Serviço
Hidrográfico Naval da Marinha Argentina e está de acordo com
normas internacionais sobre a realização de exercícios que
envolvam a utilização de armas. As manobras militares
britânicas nas Ilhas Malvinas prosseguem até o dia 22.
No começo da noite de ontem (9), durante coletiva à imprensa
convocada a pressas, o vice-chanceler argentino Alberto D'alotto
informou que o governo exigiu da Grã-Bretanha o imediato
cancelamento dos exercícios militares nas Malvinas,
considerados “uma nova provocação que marca a persistente
falta de respeito da Grã-Bretanha às decisões da comunidade
internacional”.
D'alloto disse que a realização dos exercícios será
formalmente levada ao conhecimento da Organização das Nações
Unidas (ONU), da Organização dos Estados Americanos (OEA) e
da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). O
vice-chanceler argentino também informou que uma carta de
protesto foi entregue à embaixadora da Grã-Bretanha, Shan
Morgan, que se declarou surpresa com a reação da Casa
Rosada. “Estamos assombrados porque estes exercícios são de
rotina e se realizam a cada seis meses, há 28 anos”, disse
integrante da chancelaria inglesa.
O governo da Grã-Bretanha ainda não se posicionou sobre o
novo clima de tensão com a Argentina. O último conflito
entre os dois governos aconteceu em fevereiro deste ano,
quando a empresa britânica Desire Petroleum iniciou a
perfuração de um campo de provas para a extração de petróleo
nas Malvinas, chamada pelos britânicos de Falklands. A
empresa interrompeu os trabalhos dias depois, afirmando que
o petróleo da área era de má qualidade.
Na época, o governo argentino disse que a perfuração do
campo de provas violava sua soberania sobre as ilhas e impôs
restrições à navegação em torno das Malvinas, que estão sob
controle britânico desde 1833. No dia 2 de abril de 1982, a
Argentina invadiu as ilhas mas acabou rendida no dia 4 de
junho. O episódio ficou conhecido como a Guerra das
Malvinas. Desde então, Argentina e Grã-Bretanha não chegaram
a um acordo sobre a soberania das ilhas.
O Comitê de Descolonização da Organização das Nações Unidas
(ONU) aprovou por unanimidade, em junho deste ano, uma
resolução convocando os governos da Grã- Bretanha e da
Argentina a recomeçar as negociações em busca de uma solução
pacífica sobre a posse e a soberania das Ilhas Malvinas.
Esta foi a segunda manifestação da ONU sobre a disputa. A
primeira ocorreu em 1965, quando a organização aprovou a
resolução 2.065, considerando a pendência um "assunto
colonial". A Grã-Bretanha nega-se a discutir a questão com o
governo argentino. |
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