Itaúna, 27 de outubro de 2010
 

     

 
 

 

 


 
 

 

 

 
 

 

 
 

 

 

 
 
 
 
Delegado diz que prefeitura não agiu na legalidade necessária em relação ao projeto de transposição da linha férrea
 
 

A situação de Itaúna em relação à fiscalização da Prefeitura é complexa, as investigações começaram em 2007 no âmbito da Câmara Municipal de Vereadores de Itaúna, depois pelo próprio Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal. A representação foi encaminhada a delegacia de policia de Divinópolis, e em Agosto o inquérito foi instaurado pelo delegado Dr. Benício Castro. Depois de uma analise sobre os fatos e documentos houve a necessidade de solicitar uma representação por busca e apreensão de alguns documentos. Foram documentos que foram pedidos pela Prefeitura, mas que não foram encaminhados a policia.

A Policia Federal disse que se trata até de um alerta para ás outras prefeituras, às vezes é pedido algumas prestações de contas que chegam de maneira incompleta, dentro de algumas investigações e apuratórios. A  operação realizada em Itaúna visou justamente o cumprimento de mandados de buscas para obter esses documentos que foram solicitados à prefeitura de Itaúna e não foram encaminhados da forma correta. Quando se trata de recursos públicos todas ás prefeituras devem ter toda a prestação da disposição não só dos órgãos policiais, mas também da prefeitura.

Foram solicitados dez mandados de busca e apreensão, na Prefeitura e em outros setores e secretarias da administração e também em empresas comercias em Belo Horizonte, ficou comprovado por alguns documentos que foram apreendidos, que ás empresas não são concorrentes entre si elas mantêm ligações para dar aparência de concorrência dentro da licitação, desde 2006 este projeto ainda não esta pronto e não foi concluído.

Os principais crimes que verificamos nas condutas, de acordo da lei 8.666, é de crime de fraude na licitação ou licitação simulada, ou seja, simula-se uma concorrência que já esta predefinida qual empresa vai ganhar dentro da concorrência. As outras empresas que não ganham, recebem outros contratos, como se fosse uma divisão de rendas públicas. Houve ainda desvio de verbas públicas, o dinheiro de um convênio de verba federal, que foi fornecido pelo DNIT, esse dinheiro saiu da conta do convênio e foi para outra conta, e não poderia ter ido sobre hipótese alguma.

Independente do que fosse a destinação do dinheiro, a verba somente poderia ficar para aquele efeito do convênio, foi elaborado um projeto para a retirada dos trilhos do centro da cidade, a transposição da linha férrea em que o trem passaria fora do perímetro urbano da cidade. A lei determina que seja publicada no Diário Oficial da União, por ser um acordo com verba Federal e em um jornal de grande circulação, a prefeitura preferiu fazer a publicação em um jornal local totalmente desconhecido. E publicaram no Diário Oficial do Municipal e lei determina que a publicação seja no Diário Oficial da União.

“A prefeitura não agiu na lisura e na legalidade que era necessária, houve uma falha grave na divulgação”, afirma Dr. Benício.

A empresa de Curitiba foi a vencedora, a firma indicou para representa-la na abertura das propostas o próprio gerente da outra concorrente, quase todas ás empresas estão cediadas no mesmo edifício em Belo Horizonte, um dos locais onde houve ás buscas. O edifício pertence a uma das empresas e as outras estão lá possivelmente alugando salas. Foi encontrado pela Policia Federal três empresas compartilhando a mesma sala no último andar do edifício. Após a contratação da empresa, ela tinha um prazo de 210 dias para concluir o projeto, a mesma foi alegando dificuldades e o contrato foi prorrogado com aumento de custo para os cofres públicos. Foram quatro anos e meio para algo que deveria durar 7 meses.

O desvio de verbo ocorreu da seguinte forma, a prefeitura de Itaúna retirou a parte dela na participação no Convênio e fez uma compra em gastos gerais, o dinheiro foi pago em parcelas e o convênio exige prestações de contas periódicas mensais. Além da demora nas prestações, elas eram incompletas, inadequadas e somente dizia que o projeto não estava pronto. E mesmo assim o DNIT continuou liberando ás parcelas e permitindo o aumento sobe a justificativa de que não haviam terminado.

“Não foi feito projeto algum, nem papel não estamos falando em obra. Não tem como fazer a obra e nem licita-la. Foram várias falhas na prestação de contas. As outras empresas envolvidas a algo interessante, uma foi contratada para analisar a proposta da que ganhou, coisa que é dever da comissão de licitação e isso foi terceirizado para uma das empresas que não ganhou a concorrência. Uma outra empresa foi contratada para acompanhar o desenvolvimento da elaboração do projeto, não temos nos altos provas concretas sobre o prefeito, foi ele que assinou o edital os ofícios, mas temos que ouvir mais pessoas, analisar os documentos que recebemos para ver se houve participação do prefeito.

 

Da Redação

Mateus Reis

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