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Chegamos
a mais uma edição da Coluna História de Vida. Esta semana
conheça um pouco da trajetória de muita determinação, garra
e grandes desafios e dificuldades de uma grande
personalidade itaunense, que veio aos 16 anos de idade da
cidade de Augusto de Lima, capital nacional da manga espada,
no norte de Minas. Ele deixou seus pais e irmãos em busca do
sonho de ser um profissional da área de Direito.
Na capital mineira, estudou e trabalhou. Inicialmente,
desenvolveu trabalhos no setor de hotelaria e logo depois
trabalhou na área de cinema na multinacional Paramount
Brasil. Assim, o Dr.José Maria da Cruz, um dos advogados
mais conhecidos da cidade de Itaúna, deixou o norte de Minas
com um amigo que era juiz de paz em sua terra, residiu
durante anos em Belo Horizonte, onde foi progredindo na
vida.
Ele é filho de Manoel Lopes da Cruz e Otávia Madureira da
Cruz, que eram fazendeiros. Teve doze irmãos, sendo hoje
nove vivos.
Ao longo do tempo, o advogado conheceu Itaúna e se encantou
pela cidade. Diante disso, resolveu se mudar para Itaúna e
sua vinda para cá se concretizou com uma parceria
formalizada com o Cine Bagdá, onde trabalhou por muitos
anos. Depois, José Maria criou um novo empreendimento: o Bar
“O Dólar Furado”, que foi uma das grandes atrações da
tradicional Praça do Capeta.
Não era sua intenção desenvolver projetos no setor de lazer,
mas a vida acabou fazendo com que ele pudesse trabalhar
nesta área. José Maria é casado com Maria Perpétua Rodrigues
da Cruz, com quem teve quatro filhos, sendo eles Leonardo,
Luciano, Cláudia e Ana Raquel.
Entre 1987 e 1997, Dr. José Maria foi presidente da
Associação de Apoio Comunitário do Bairro Pio XII, período
em que conseguiu junto à administração municipal da época um
terreno para a construção do posto de saúde do bairro e
adjacências. O posto foi inaugurado em 1995 e até hoje é
considerado uma das melhores e mais completas unidades de
saúde da cidade. O advogado foi também diretor do Procon
Municipal, onde desempenhou importantes trabalhos em prol da
sociedade.
Rádio Santana: Como tudo
começou e como foi a sua vinda para a cidade de Itaúna?
José
Maria da Cruz: Eu vim para a cidade de Itaúna
devido ao meu trabalho desenvolvido no setor de cinema,
junto a empresa multinacional Paramount que no período dos
anos 60 e 70 era a diversão do povo brasileiro.A partir daí
fui ser também comerciante de bar aqui na cidade. Não era a
minha vontade porém eu havia saído de casa muito novo e
precisava e queria vencer por meio do estudo e do
trabalho.Fiz o segundo grau no Colégio Santana, estudei lá
durante três anos, com grandes professores daquela época e
foi um aprendizado muito bom.
Eu me formei em Contabilidade e pude desenvolver essa
atividade ao longo de um tempo. Trabalhei nos Correios
durante 15 anos onde cresci na empresa, chegando a ser
gerente e inspetor regional. Quando fiz 15 anos de casa
resolvi partir para outro trabalho, me tornei profissional
liberal e como advogado estou a 25 anos lidando com o
Direito. Trabalho em Itaúna, Belo Horizonte e cidades
vizinhas do Centro Oeste. Fui me especializando em algumas
áreas do Direito, como Família, Direito do Menor e da
Mulher. Passei a atuar no plenário do júri, onde já atuo há
quase 14 anos. Estou aposentado, mas não paro de trabalhar,
pois gosto muito do que faço.
Estou a quarenta e dois anos morando na cidade e me
considero itaunense. Em 1993 eu fui condecorado com o titulo
de Cidadão Honorário. E um dos feitos para o meu
congraçamento foi ter desenvolvido grandes projetos como
presidente da associação comunitária do meu bairro.
Rádio Santana: Quais
foram às dificuldades enfrentadas e superadas pela vida ao
longo dessa grande trajetória profissional e pessoal?
José Maria da Cruz: As
dificuldades são muitas. Para você ganhar autonomia e
credibilidade em uma empresa, você precisa trabalhar de
forma séria e pontual para que se tenha respeitabilidade de
todos. Foi com muito esforço que pude obter um bom resultado
e ser promovido a vários cargos, dentro da empresa que
trabalhei.
Rádio Santana: Quais
foram os momentos mais marcantes em sua trajetória de vida?
José
Maria da Cruz: O mais marcante em minha vida foi
quando eu consegui acreditar que havia faturado o vestibular
de Direito. Em 1980, no meio do ano, fui passear com a minha
família em Augusto de Lima, minha cidade natal no Norte de
Minas. E levei meus meninos com a minha esposa para conhecer
os meus pais, conhecer a fazenda, andar a cavalo, divertir
tomando banho nas cachoeiras do rio. Tive um sonho à noite
que havia passado no vestibular.
Eu tinha quatro anos de casado e comentei com a minha esposa
que ia passar no vestibular, ela não acreditava, pois achava
que eu não teria chance, pois nunca havia feito vestibular.
Mas eu acreditava e muito, pois havia estudado no livro de
Vânia Campos, que foi minha professora na época. Eu sonhei
de sexta feira para sábado que havia estado no local do
resultado e que tinha passado. Levantei às 6 horas da manha
falando que tínhamos que ir embora, pois eu havia passado no
vestibular. Minha esposa estava louca para passear no rio e
nadar com as crianças e eu disse que tínhamos que ir embora.
Ninguém acreditava naquilo e eu fiquei pensando que poderia
ser verdade. Com muita raiva e chateados os meninos vieram
comigo e a mãe deles. Todos muitos chateados com a situação,
pois eu havia cortado o passeio das férias de julho deles. E
viajamos 350 quilômetros até chegar em Itaúna, tendo que
pegar três ônibus. Quando chegamos à cidade disse pra ela
que iria comprar pão para tomar café.
Já
fiz aquilo de propósito, pois saí correndo lá do Bairro Pio
XII e fui até a Praça da Matriz, na Rua Capitão Vicente, ao
lado do Fórum para ver o resultado. Tinha muita gente
olhando, eu fui lá e coloquei o dedo pra ver e vi o meu nome
na primeira chamada, eu não sabia o que fazia, pois não
havia estudado suficientemente para passar.
Voltei para casa e abri os braços para a minha esposa que
esperava o pão e disse pra ela me dar um abraço. Ela me
perguntou: - cadê o pão? Eu disse mais uma vez eu quero um
abraço e ela perguntou pra quê. E eu revelei a ela que havia
passado no vestibular.
Neste momento, ela pulou no meu pescoço e nós comemoramos
muito. Aquele foi o momento mais bonito que tive na minha
vida. Com tudo que nós passamos - ela veio chateada de um
passeio encerrado no meio do caminho -, mas comemorou essa
grande vitória comigo e fui fazer Direito na Universidade de
Itaúna.
Parecia naquele momento que um anjo havia descido do céu,
pelo tanto que eu lutei para não ser aquele capinador de
roça lá do norte de Minas, mas ser um doutor e eu tenho
orgulho de ser, pois dependeu somente de mim. Minha mãe
sempre falava que eu tinha que vir para a cidade, “esse
menino não é de roça, temos que deixá-lo estudar que esse
menino é da cidade”.O primeiro grau eu fiz foi pelo rádio,
ouvindo o projeto Minerva, na época do Costa e Silva. Agora,
faz 25 anos que atuo na advocacia.
Rádio Santana: Qual o
significado de Itaúna para o senhor como um cidadão que se
radicou nestas terras, se tornou cidadão honorário e ama a
cidade como terra do coração, adotou esta terra, o que ela
representa para o senhor?
Dr. José Maria da Cruz: Esta cidade representa a
minha terra mãe, pois você nascer numa cidade onde você
trabalhava somente para os pais e exclusivamente para os
coronéis, quando encontra uma Itaúna, tenho que dizer que
considero uma cidade mãe, que me criou de adolescente para
adulto e me profissionalizou por meio do estudo que eu tive.
Primeiro Grau, Segundo Grau e Ensino Superior. É a cidade
mãe que me fez o que eu sou hoje. Aposentei há três anos e
meio e não paro de trabalhar. A minha esposa também fez
supletivo e se formou por incentivo de ver os nossos filhos
todos se formando. A cidade de Itaúna me deu essa
oportunidade durante essa vida toda que construí em 42 anos
aqui nesta terra.
DR.
JOSÉ MARIA DA CRUZ - CURRÍCULO PROFISSIONAL:
Dr.José Maria da Cruz é advogado, aposentado em sua cidade,
onde se radicou. O profissional além de ser bacharel em
Direito é formado em Curso Básico pela Escola de Cinema da
Universidade Católica de Minas Gerais. Por duas vezes
recebeu honra ao mérito enquanto funcionário dos Correios.
Pela Diretoria Regional de Minas Gerais recebeu o diploma de
Honra ao Mérito Comercial.
Foi homenageado pelo Rotary Internacional Cidade
Universitária com o diploma de reconhecimento pelos grandes
serviços prestados à comunidade em 1990.
O advogado é ainda cidadão honorário de Itaúna desde 1993.
Dr. José Maria é Diretor do Departamento de Direitos Humanos
da OAB de Itaúna desde 20 de abril de 2001 e foi eleito como
membro efetivo do Conselho Fiscal da Fundação Universidade
de Itaúna. |
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