Itaúna, 18 de dezembro de 2008
 

     

 

 
   
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Palmira Feliciano

A história de vida dessa semana vai contar um pouco da história de Palmira Feliciano da Silva, ela que não é Itaunense, mas adotou a cidade como sua terra do coração, e nos conta um pouco sobre sua trajetória de sucesso.

Santana-FM – Conte um pouco sobre sua vida enquanto criança, sua família e o tempo que viveu no Norte de Minas.

Palmira – Tivemos uma infância um pouco complicada, no norte de minas não existia sequer estrada de carro naquela época. Minha mãe faleceu num parto e meu pai foi a cavalo procurar ajuda mas antes mesmo que ele chegasse ela faleceu. Fiquei lá até uns 12 anos de idade, meu pai casou novamente aumentando a família. Mas a vida naquele local era bastante difícil, e eu era uma pessoa curiosa, rebelde e aquele espaço já não me cabia.

Santana-FM – E como você veio para nossa cidade?

Palmira
– Morei em Itabira, São Geraldo da Piedade, Virginópolis, e só então vim pra Belo Horizonte. Minha vinda pra Itaúna foi engraçada, trabalhava em BH como doméstica e fazia algumas atividades como por exemplo, figuração em comerciais. Participava do sindicato, que naquela época era um pouco perseguido, então acabei ficando desempregada. Acho que a força sindical sentiu segurança no meu trabalho, acredito hoje que subestimaram minha capacidade individual e me trouxeram para Itaúna para desenvolver um trabalho na área do sindicato dos metalúrgicos.

Santana-FM – Como partiu seu interesse por projetos sociais? Você que hoje desenvolve um projeto tão importante como o da biblioteca.

Palmira – Eu sempre fui mais sensível e na infância eu tive depressão infantil e acredito que essas pessoas tem uma capacidade humanística maior que as outras. Então sempre gostei de desenvolver esse tipo de projeto, lógico que com o tempo e amadurecimento e a questão financeira os projetos vão melhorando. Trabalhei na Itaunense, na Siderúrgica São João, desenvolvíamos pequenos projetos. No período de 94 tive um problema muito grande de depressão e fiquei internada no Bento Mene, a partir disso dei uma estacionada nessa época, mas sem deixar de lutar pra sair daquela situação, buscando apoio de um psiquiatra que me acompanhou, e também buscando nos livros achei outro caminho para ajudar as pessoas também. Senti essa necessidade de abraçar a causa.

Santana-FM – E deu a volta por cima e recomeçou uma nova vida?

Palmira – Sim com certeza, então através disso tudo vai fluindo, as pessoas me procuram, eu ganhei o primeiro livro “O futuro da humanidade”, daí então comecei a comprar os livros, me enviaram também, as pessoas me procuravam pedindo os livros, quando alguém me chamou de “Biblioteca ambulante” na rua, e pensei muito nisso e disse por que não? Então reunimos 5 donas de casa e discutimos o assunto e decidimos abrir.

Santana-FM – Qual a sua principal contribuição pra Itaúna?

Palmira – Eu acredito que dentro nas minhas limitações tudo que eu tenho buscado para o município é contribuição. A educação dá pra trazer uma contribuição muito grande, porque gera saúde e combate à violência. São benefícios eficazes porque a educação é algo estruturado que fica e cresce. Me sinto orgulhosa pelo projeto e por essa contribuição à cidade.