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A história de vida dessa semana vai
contar um pouco da história de Palmira Feliciano da Silva,
ela que não é Itaunense, mas adotou a cidade como sua terra
do coração, e nos conta um pouco sobre sua trajetória de
sucesso.
Santana-FM – Conte um pouco sobre sua vida enquanto
criança, sua família e o tempo que viveu no Norte de Minas.
Palmira – Tivemos uma infância um pouco complicada,
no norte de minas não existia sequer estrada de carro
naquela época. Minha mãe faleceu num parto e meu pai foi a
cavalo procurar ajuda mas antes mesmo que ele chegasse ela
faleceu. Fiquei lá até uns 12 anos de idade, meu pai casou
novamente aumentando a família. Mas a vida naquele local era
bastante difícil, e eu era uma pessoa curiosa, rebelde e
aquele espaço já não me cabia.
Santana-FM – E como você veio para nossa cidade?
Palmira – Morei em Itabira, São Geraldo da Piedade,
Virginópolis, e só então vim pra Belo Horizonte. Minha vinda
pra Itaúna foi engraçada, trabalhava em BH como doméstica e
fazia algumas atividades como por exemplo, figuração em
comerciais. Participava do sindicato, que naquela época era
um pouco perseguido, então acabei ficando desempregada. Acho
que a força sindical sentiu segurança no meu trabalho,
acredito hoje que subestimaram minha capacidade individual e
me trouxeram para Itaúna para desenvolver um trabalho na
área do sindicato dos metalúrgicos.
Santana-FM – Como partiu seu
interesse por projetos sociais? Você que hoje desenvolve um
projeto tão importante como o da biblioteca.
Palmira – Eu sempre fui mais sensível e na infância
eu tive depressão infantil e acredito que essas pessoas tem
uma capacidade humanística maior que as outras. Então sempre
gostei de desenvolver esse tipo de projeto, lógico que com o
tempo e amadurecimento e a questão financeira os projetos
vão melhorando. Trabalhei na Itaunense, na Siderúrgica São
João, desenvolvíamos pequenos projetos. No período de 94
tive um problema muito grande de depressão e fiquei
internada no Bento Mene, a partir disso dei uma estacionada
nessa época, mas sem deixar de lutar pra sair daquela
situação, buscando apoio de um psiquiatra que me acompanhou,
e também buscando nos livros achei outro caminho para ajudar
as pessoas também. Senti essa necessidade de abraçar a
causa.
Santana-FM – E deu a volta por cima e recomeçou uma
nova vida?
Palmira – Sim com certeza, então através disso tudo
vai fluindo, as pessoas me procuram, eu ganhei o primeiro
livro “O futuro da humanidade”, daí então comecei a comprar
os livros, me enviaram também, as pessoas me procuravam
pedindo os livros, quando alguém me chamou de “Biblioteca
ambulante” na rua, e pensei muito nisso e disse por que não?
Então reunimos 5 donas de casa e discutimos o assunto e
decidimos abrir.
Santana-FM – Qual a sua principal
contribuição pra Itaúna?
Palmira – Eu acredito que dentro nas minhas
limitações tudo que eu tenho buscado para o município é
contribuição. A educação dá pra trazer uma contribuição
muito grande, porque gera saúde e combate à violência. São
benefícios eficazes porque a educação é algo estruturado que
fica e cresce. Me sinto orgulhosa pelo projeto e por essa
contribuição à cidade. |