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A comissão formada pelo Ministério da
Educação (MEC) para traçar novas diretrizes curriculares
para os cursos de jornalismo vai apontar, no seu relatório,
para a necessidade de qualificação profissional em nível
superior para os jornalistas.
Foi o que revelou, em entrevista à Agência Brasil, Alfredo
Vizeu Junior, membro da comissão e professor da Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE). Segundo ele, o grupo está
finalizando o texto que será apresentado em breve ao
ministro Fernando Haddad.
“A nossa preocupação é de qualificar cada vez melhor esse
profissional que tem uma intervenção fortíssima na
sociedade. Com as plataformas digitais, nós temos conceitos
hoje que não existiam antes. Por isso uma atividade
específica, singular, precisa ter formação superior”, disse
Vizeu.
A comissão também vai apresentar uma proposta de formação em
jornalismo para aqueles que têm curso superior em outras
áreas. Nesse caso, a comissão vai recomendar a criação de
mestrados profissionalizantes para garantir a qualificação
necessária.
O relatório da comissão não tem efeito na regulação do
mercado, mas traz orientações a respeito da formação dos
profissionais da área. O professor disse ter ficado
“surpreso” com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF)
ao suspender a obrigatoriedade do diploma para o exercício
da atividade jornalística.
“Tenho o maior respeito pelos membros do STF, mas me
surpreendeu o desconhecimento dos ministros a respeito do
campo jornalístico. Produção de notícia e de informação
exige um profissional qualificado com formação superior”,
defendeu.
Para garantir uma formação qualificada que permita aos
profissionais estarem preparados para os novos desafios da
comunicação, a comissão vai sugerir algumas mudanças na
estruturação dos cursos de jornalismo. Entre elas, está a
ampliação da carga horária dos cursos das atuais 2,7 mil
horas para 3 mil horas. Outra orientação é para um
equilíbrio entre prática e teoria. Os estudantes serão
obrigados a cumprir o estágio supervisionado para receber o
diploma.
“Os cursos de graduação deverão formar um profissional capaz
de enfrentar os desafios e demandas que a sociedade coloca
no século 21. A postura ética precisa ser fortemente
trabalhada, é uma singularidade da atividade”, afirmou
Vizeu. |