Itaúna, 19 de maio de 2006
 

     

     
 

 

 

 

 

 

 

 

Aécio encerra viagem com garantias de US$ 330 milhões de investimentos

 

 

 
 
 
 
 
 
 

 

 
 
 
 
O governador Aécio Neves e o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, assinaram hoje, em Washington, acordo para investimentos do BID em Minas Gerais. Somados aos US$ 120 milhões já acertados para a pavimentação de estradas (Proacesso), eletrificação do Noroeste de Minas e apoio às micro e pequenas empresas do Estado, o governador anunciou negociações para mais US$ 40 milhões, que serão investimentos em projeto do Governo de Minas para a universalização do acesso à telefonia móvel no conjunto dos 853 municípios mineiros. Desse total, 433 ainda não contam com sinal de telefonia celular.

O governador afirmou que a proposta é de que o novo financiamento de US$ 40 milhões, destinado ao projeto de 100% de acesso à telefonia móvel em Minas Gerais, dispense a exigência de contrapartida financeira. O Estado se comprometeria com a eficiência da gestão pública, o equilíbrio fiscal e o clima favorável aos investimentos, itens importantes para a melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

“Solicitamos ao BID e obtivemos autorização para que essa negociação avance, se consolide, para que possamos fazer um grande projeto em Minas Gerais de universalização do acesso à telefonia celular. Hoje, 433 cidades do nosso Estado ainda não têm o sinal do celular porque ele não se mostra viável do ponto de vista financeiro para as operadoras. Obtivemos a compreensão do BID, assim como tivemos do Banco Mundial, de que a contrapartida para esse investimento deveria ser a nossa gestão, os bons resultados, os indicadores sociais que o Estado vem obtendo”, afirmou Aécio Neves em entrevista.

Se aprovado, este será o primeiro financiamento concedido pelo BID a um Estado brasileiro, sem exigência de contrapartida financeira. E será o segundo contrato negociado pelo Governo de Minas Gerais nessas bases. O primeiro, no valor de US$ 170 milhões, foi assinado com o Banco Mundial (Bird), no último dia 28 de abril, em Belo Horizonte.

Operadoras

O governador já determinou aos secretários de Estado de Desenvolvimento Econômico, Wilson Brumer, e Fazenda, Fuad Noman, que desenvolvam mecanismos para que a universalização da telefonia móvel possa ocorrer. Os secretários já iniciaram entendimentos com as quatro operadoras que atuam em Minas e o projeto estará concluído nas próximas semanas.

“Estou muito confiante que, proximamente, teremos esse apoio e com ele, em parceria com as operadoras, através de processos públicos de licitação, vamos possibilitar que todos os municípios mineiros, o menor deles, possam ter sinal de telefonia celular, esse importante instrumento para o nosso desenvolvimento econômico-social. Portanto, encerro essa viagem a Washington dizendo que, jamais em qualquer tempo, acredito, Minas Gerais, numa só viagem, pode retornar com tantos investimentos e com tantas boas e novas perspectivas para o seu futuro”, disse Aécio Neves.

PPP

O governador disse que o BID também revisou o edital da proposta de Parceria Público-Privada (PPP) para a recuperação e modernização da MG-050 e autorizou o Governo do Estado a informar a todos os interessados na licitação de que o banco está disposto a fazer um empréstimo ao setor privado. O BID oferecerá garantias no montante de 25% do total dos investimentos previstos no edital da PPP, ou seja, R$ 650 milhões em 25 anos, dos quais R$ 320 milhões serão investidos nos cinco primeiros anos.

“Essa é uma clara demonstração de que a experiência do que se está implementando em Minas Gerais na primeira PPP rodoviária do Brasil tem tudo para ser vitoriosa, já que o Governo do Estado trabalha para que o projeto tenha um padrão técnico adequado, baseado na governança, garantias necessárias e no respeito à legislação vigente. Mas também abre caminho para o apoio à iniciativa privada”, explicou o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Wilson Brumer, que acompanhou o governador em Washington.
O acordo para o financiamento dentro do projeto da PPP da MG-050 consolida a decisão do BID - anunciada em Belo Horizonte, durante a sua 47ª Reunião Anual das Assembléias de Governadores - de ampliar o financiamento ao setor privado.

Etanol

Durante o encontro, o governador e o presidente do BID assinaram protocolo de intenções para a criação de engenharia financeira destinada à ampliação da produção de açúcar e álcool no Estado. Minas vem se transformando no segundo pólo do segmento no Brasil. Aécio Neves afirmou que, pelas condições climáticas, de solo e da localização geográfica, Minas Gerais pode fazer do etanol um grande fator de desenvolvimento regional.

“O banco (BID) está avançando conosco num estudo para que Minas Gerais seja um grande pólo de inteligência no etanol, para que nós não sejamos apenas um dos maiores produtores do Brasil, mas para que tenhamos, a partir desses investimentos, de vender know how para o mundo, enfim, de nos consolidarmos como importante centro nessa matéria”, explicou o governador.

Atualmente, boa parte desses investimentos está localizada no Triângulo Mineiro, onde ainda há espaço para novos projetos. No entanto, Aécio Neves afirmou que o objetivo é criar um plano diretor para atrair investimentos na produção de álcool para outras regiões do Estado.

Uma missão técnica do BID virá a Minas Gerais nas próximas semanas para discutir, junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), o desenvolvimento do projeto de ampliação da produção de açúcar e álcool no Estado. Os técnicos das secretarias de Estado de Agricultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico vão preparar o plano em conjunto com o BID.

Turismo e logística

O governador e o presidente do BID assinaram também três protocolos de intenções através do Fundo Multilateral de Investimentos (Fumim), do organismo de fomento internacional, para financiamentos a fundo perdido, ou seja, sem a necessidade de contrapartida.

O primeiro deles se refere a estudos para a criação da Alça Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), que ligaria a região ao Vale do Aço, desafogando o tráfego no Anel Rodoviário da capital mineira. A Alça Norte também facilitaria o escoamento da produção mineira para o porto de Vitória, no Espírito Santo.

O segundo projeto é para estudar a constituição de uma rede de produção e comercialização do artesanato mineiro. O objetivo é aumentar a renda dos produtores mineiros, principalmente nos vales do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas.

A terceira proposta de financiamento a fundo perdido se refere a estudos para alavancar o turismo de negócios em Belo Horizonte. O objetivo é realizar levantamento sobre os potenciais da capital mineira, considerando a rede hoteleira, o sistema de transporte, artesanato, infra-estrutura, comércio e como atrair investimentos nacionais e internacionais.

As áreas técnicas do governo estadual e do BID discutirão a implantação desses três projetos nas próximas semanas. A proposta do Governo de Minas é de um financiamento de US$ 3 milhões para realizar esses três estudos.

Proacesso

Aécio Neves também confirmou a liberação da primeira parcela de US$ 50 milhões do financiamento de US$ 100 milhões do BID para o Proacesso. A segunda parcela será liberada depois que os primeiros US$ 50 milhões forem empenhados. Nesse caso, a contrapartida financeira do Estado será de R$ 66,67 milhões.

“Foi um dia extremamente importante para Minas Gerais. Depois de mais de dez anos, recebemos hoje autorização para sacar US$ 50 milhões, portanto, metade do financiamento de US$ 100 milhões para o Proacesso, programa que levará asfalto para as cidades mineiras que não têm. Isso possibilitará o lançamento de mais um lote de estradas proximamente”, afirmou Aécio Neves.

O financiamento do BID, somado à contrapartida do Estado, vai levar asfalto à maioria dos 114 acessos restantes. Apenas os acessos das cidades da região do Vale do Rio Doce contarão com financiamento de um outro organismo de fomento, o Japan Bank International Cooperation (JBIC), no valor de US$ 50 milhões.