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História de vida com : Onildo Faria Gonçalves.

HISTÓRIA DE VIDA COM ONILDO FARIA GONÇALVES PRESIDENTE DO MAGNIFICAT.

 

 


 

 

Olá prezado internauta a coluna História de Vida desta semana destaca a trajetória desafiadora e repleta de lutas de Onildo Faria Gonçalves presidente da entidade e comunidade terapêutica Magnificat, grupo de apoio aos dependentes químicos.

 

Ele é ex-dependente do álcool e hoje desenvolve importantes trabalhos em prol das pessoas que necessitam de ajuda. Além de presidente da entidade, Onildo é patriarca de uma família com três filhos, Daniela, Guilherme e Gustavo frutos do seu amor matrimonial com Dilcea de Avelar Gonçalves.

 

Aos 61 anos o técnico em curtidoras já tem dois netos, Luiza e Lucas. O presidente da entidade é filho de Alfredo Gonçalves Silva e Oneci de Faria Gonçalves, teve nove irmãos e hoje sete deles estão vivos.

 

Onildo foi proprietário da Curtidora Fargon Ltda, em sua entrevista ele se emocionou muitas vezes, ao contar sobre o vício que teve com o alcoolismo e revelou o amor aos seus pais e a esposa.

 

Onildo chora ao falar como conseguiu se reerguer na sociedade ao conhecer o Grupo Magnificat. Confira esta entrevista emocionante com o presidente da Magnificat , Onildo Faria Gonçalves ,um exemplo de superação.

 

Rádio Santana: Conte um pouco sobre sua vida enquanto criança e o período da juventude ao lado de seus pais e irmãos?

 

Onildo Faria: Eu convivi com a timidez e com o complexo de inferioridade, durante muitos anos fiquei tolhido em minha infância e juventude, com a ilusão de libertação conheci o álcool muito cedo, tentando eliminar esse complexo de inferioridade e me libertar da falta de convivência em sociedade.

 

Nas primeiras doses eu experimentei a libertação e maior convivência com as pessoas. Assim comecei a ser dominado pelo álcool, desta forma me tornei totalmente dependente dele.

 

Com a ilusão de me casar e mudar de vida acreditei que seria feliz e me libertaria do alcoolismo, eu me casei muito cedo com 22 anos e a minha esposa Dilcea estava com 20 anos.

 

Em 10 de junho de 1971 foi à data de nosso casamento, tivemos três filhos e durante todo esse tempo o álcool dominou a minha vida.

 

Rádio Santana: Como foi o casamento, nascimento e criação dos seus filhos junto com sua esposa?

 

Onildo Faria: A Dilcea minha esposa teve muitas dificuldades comigo, criou os filhos todos sozinha.

A nossa primogênita Daniela quando nasceu em 25 de junho de 1972  gerou um conflito, pois eu não queria filhos, queria a minha esposa. E eu convivi com situação de ter sido roubado pela filha, pois a impressão  é que ela preferia a filha do que eu.

 

Eu não fui um bom companheiro para a minha esposa, pai ausente e considero que por muitos anos a minha esposa foi viúva de marido vivo.

 

Durante muito tempo eu preferi o álcool e os bares, do que a vida de casal, eu não era atencioso com minha esposa, pelo contrário às vezes muito agressivo, não media as palavras para falar com ela. Eu bebia muito, dava pausas e voltava a beber, perdi pessoas e amizades sinceras.

 

Eu não aceitava que era alcoólatra, eu achava que estava certo, não aceitava conselhos, apesar de trabalhar muito, as pessoas mais queridas, especiais e preciosas foram se afastando de mim.

 

Rádio Santana: Como foi que você despertou para esse novo momento de sua vida em que renunciou ao vício, buscando uma nova vida e se integrando ao Grupo Magnificat?

 

Onildo Faria: Em 1976, tive uma tuberculose, e eu não sabia de quem eu havia contraído a doença. Analisei que se eu não fizesse o tratamento correto iria morrer, fiquei cerca de 60 dias internado.

 

Achei que iria me livrar do álcool, no entanto tão logo que sai do hospital comecei a beber novamente. Escrevi uma carta pra minha esposa dizendo o quanto eu a amava.

 

Uma pessoa foi muito importante na minha vida na fase de recuperação, foi o empresário Jandir Alves Milagres. Ele me ofereceu emprego na condição de que eu não bebesse mais, durante um período eu fiquei sóbrio, e nessa fase tivemos o segundo filho, Guilherme, e dois anos depois fui voltando a beber devagar.

 

No período do Curtume Fargon, nasceu outro filho o Gustavo, em 1988 ele conviveu com o momento de crise e falência, o Guilherme já tinha mais maturidade e sofreu muito nesse período.

 

Voltei tudo ao que era antes, em 1986 sai da Curtidora Itaúna e criei o curtume Fargon, inicialmente ele tinha sede na Rua Belo Horizonte no bairro Morro do Sol e depois foi para o distrito industrial. Eu e meu pai mantivemos o empreendimento até 1996, meu pai veio a falecer em agosto daquele ano. Nesse período ele já estava endividado, não consegui conviver com a fama e o dinheiro e voltei novamente à bebida e com a irresponsabilidade de não tomar conta do próprio negocio, deleguei poderes ás pessoas erradas.

 

A empresa veio à falência e mais uma vez a pressão me levou a voltar a beber, deixei minha família a mercê. O curtume foi passado aos funcionários que assumiram as dividas e o que tinham que receber.

 

Em 1998 eu experimentei a necessidade de buscar ajuda pelo alcoolismo, eu bebia descontrolado  e procurei apoio no grupo de apoio Alcoólicos Anônimos, fiz encontros de casais com Cristo, me relacionei com várias pessoas e com o Padre Amarildo.

 

Em um dos meus encontros de ministro da eucaristia fiquei conhecendo a Josiane que me convidou para participar de encontros para o inicio da Associação de Apoio a dependentes químicos de Itaúna, a Comunidade Magnificat.

 

Durante alguns anos vivi com a alegria da sobriedade, compartilhei isso com pessoas que sofriam muito, em 19 de março de 2000 assumi a presidência a Comunidade Magnificat, com o apoio do Padre Amarildo, que foi pra mim um pai espiritual.

 

Fiquei na presidência da entidade até 2002. Quando houve eleição - nesse período eu desenvolvia um trabalho com o Amor Exigente - eu comecei a me dedicar muito aos outros e  esquecer da família e do lazer.

 

No entanto as dividas do curtume Fargon vinham sempre à mente, eu tentei montar outra empresa que também veio à falência praticamente no começo dando mais prejuízo para as pessoas.

 

Eu fui procurar conforto mais uma vez no álcool, tive mais uma recaída em 2003, eu ficava me perguntando onde eu havia errado. E como voltar a viver a minha vida de sobriedade, tendo as pessoas que amamos ao nosso lado.

 

Eu prometi pra mim mesmo que iria parar de beber e assim felizmente em 31 de dezembro de 2007 experimentei mais uma sobriedade e assim até hoje estou.

 

Rádio Santana: Como vem sendo esse trabalho que você desenvolve como presidente do Grupo Magnificat?

 

Onildo Faria: Eu passo pelo meu terceiro mandato e a cada dia, a comunidade tem se tornado mais madura, temos assistente social, psicólogo, vários coordenadores e pessoas voltadas para área de problemas químicos.

 

Rádio Santana: Quais foram os momentos mais marcantes ao longo dessa trajetória ?

 

Onildo Faria: Quando eu encontro uma pessoa que começou conosco bem no inicio da entidade e vemos que estão sóbrios é muito gratificante, ser presidente de uma comunidade terapêutica não da garantia pra ninguém é preciso que todos façam a sua parte.

Quando os internos recebem o seu diploma junto ao altar, depois do prazo de nove meses de sobriedade isso pra mim é muito marcante.

 

Rádio Santana: fale um pouco mais sobre suas dificuldades e desafios enfrentados pela vida nessa sua trajetória?

 

Onildo Faria: Eu tinha um relacionamento muito difícil com a minha mãe, achava que ela era muito exigente, eu achava ela muito dura comigo, mas hoje percebo que aquela firmeza que ela tinha comigo é que norteou a minha vida, para que eu me tornasse a pessoa que sou hoje.

 

Eu tive um pai maravilhoso, uma esposa presente, eu não suportaria ter passado o que ela passou comigo, graças a Deus isso é uma página virada. Dilcea foi pai e mãe para os meus filhos com a minha ausência.

 

Rádio Santana: Qual a sua parcela de contribuição para o nosso município por meio do seu trabalho?

 

 

Onildo Faria: Foram muitas pessoas que passaram pela minha vida, temos muito a fazer ainda, a comunidade vai crescer a cada dia.

 

Rádio Santana: Qual o significado de Itaúna para você? 

 

Onildo Faria: Eu sempre disse que gostaria de morrer dentro de Itaúna, cidade onde nasci e que pude ser feliz. Ah!!!! nossa graciosa e bela Itaúna, vamos amar mais a nossa terra com respeito. Muito Obrigado!

 

 

Entrevista e edição de texto
MATEUS REIS



Revisão de texto
LUIGI STEFANO



Edição/portal
LUIGI STEFANO


Produção
MATEUS REIS

Fotos
ARQUIVO RÁDIO SANTANA

 

Direção Geral
HELENIO LARA


RÁDIO SANTANA FM
Jornalismo

 

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