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História de Vida com Heloisa Machado Corradi

 

 

Fundadora do Centro de Dança e Expressão Zélia de Paula Machado

 

 

 

Olá! Hoje é natal, 25 de dezembro de 2011, desejamos muita paz, felicidade, carinho e reflexão nesta data do nascimento do menino Jesus. Esta é a última edição da coluna História de Vida de 2011, e para fechar o ano com chave de ouro, hoje, você vai conhecer um pouco mais da trajetória de uma mulher de um astral incrível e de uma alma brasileira. Bom humor e simpatia são sinônimos dela, a bailarina e artista Heloisa Machado Corradi. Sua trajetória é mesmo muito interessante, a artista sempre teve aptidão e afinidade com a dança. Começou bem cedo quando ainda era criança. Heloisa é filha de uma família muito ligada à arte. Valdir Corradi e Gláucia Machado Corradi.

 

Na sua família teve vários irmãos sendo Helena, Ângelo, Claudia, Eduardo e Adriana. A história de Heloisa tem muito haver com sua descendência italiana, pessoas de muita fibra e coragem e que lutam por seus objetivos até o fim, vencendo com dedicação e muito esforço.

 

Neta de pessoas muito conhecidas nos anais da história de Itaúna, seus avós paternos trata-se de Antônio Corradi e Iracema Corradi e seus avós maternos Dr.Ovídio Nogueira e Zélia de Paula Machado.

 

Heloisa foi casada com Rodrigo Otavio Gonçalves Nogueira com quem teve três filhos, sendo Rafael, Bernardo e Otavio. Na vida profissional e pessoal determinação e afinco sempre foram sinônimos de sua conduta, a artista e diretora fundadora do maior Centro Cultural da cidade foi pioneira na criação de uma escola para desenvolver profissionais prontos para o mercado.

 

Heloisa é bacharelada em Ciências Biológicas e Ecologia pela UFMG, formada em dança profissionalizante pelo Palácio das Artes, tem mestrado em Dança e Educação pela AWU. Além de cinco pós-graduações, a primeira em Dança e Educação, Pós Graduação em Metodologia do Ensino Superior pela UEMG, Pós Graduação em Estudos Contemporâneos em Dança pela UFBA e Pós Graduação em Dança e Consciência Corporal pela Universidade Gama Filho do Rio de Janeiro.

 

Conheça conosco essa brilhante trajetória de uma artista que Itaúna muito se orgulha, pela competência e vocação pela arte, esta matriarca da família Machado Corradi, empreendedora, artista e dançarina. É sim uma mulher que ama o que faz e por isso faz com toda dedicação e carinho!

 

Rádio Santana: Como foi a constituição de sua família em nossa cidade?

 

Heloisa Corradi: Eu sou neta de Antônio Corradi e Iracema Corradi, eles foram os pais do meu pai e eram imigrantes italianos que vieram para Itaúna e instituíram aqui uma cultura de fundidores, o que eu herdei deles claramente foi à musicalidade, o gosto pela dança, as festas e a alegria de viver. Eu me lembro quando eu era ainda bem menina e na casa do meu avó Antônio Corradi, eu participava de muitas quadrilhas, muita sanfona e muita alegria. O meu espírito foi impregnado dessa herança.

 

Por parte da minha mãe sou neta de Ovídio Nogueira e Zélia de Paula Machado, um casal impar também, ele era médico e ela era uma pessoa que sempre filantropicamente ajudou a comunidade de Itaúna. Dos meus tios eu herdei muito a arte, esmero e interesse pelo estudo, leitura e aprendizado. Eu tive um tio que era artista plástico e hoje denomina a galeria do Espaço Cultural Ahmés de Paula Machado, ele era irmão da minha mãe.

 

Eu tenho cinco irmãos Helena que é administradora de empresas, Ângela que é engenheira, Claudia que é medica, Eduardo que é um empreendedor e a Adriana que é pedagoga e que também trabalha com dança.

 

Eu lembro muito que quando éramos todos pequenos o meu pai incentivava muito a música e as artes no geral, crescemos num meio muito sensibilizado e envolvido pela arte. Isso foi me fazendo a profissional que eu me tornei.

 

Rádio Santana: E toda essa vocação e aptidão pelas artes com quantos anos foi aflorando tudo isso em você?

 

Heloisa Corradi: Eu fiz o meu jardim de infância no tradicional Ana Cintra, onde os meus filhos também estudaram, na minha época nós fazíamos somente até o 3º período, eu tinha 6 anos de idade e uma das professoras me chamou para fazer uma dancinha de final de ano, e eu lógico e com todo ritimo natural que eu tenho, a minha alma fica feliz quando eu estou dançando, e foi assim, desde que eu me entendo por gente.Desta forma outras professoras gostaram das danças e começaram a me chamar para outros eventos na cidade, dancei no cine baquidá e dancei em uma formatura.

 

Até que a Dona Artumira trouxe para Itaúna uma professora particular de balé, nessa época eu já tinha 10 anos de idade, tínhamos as aulas no Automóvel Clube, era bem improvisada a sala. E quando eu comecei a fazer as aulas eu senti dentro de mim que eu queria fazer daquilo a minha vida.

 

Rádio Santana: Quanto tempo dessa sua trajetória na dança e quanto tempo com o Centro de Expressão Zélia de Paula Machado?

 

Heloisa Corradi: Na dança, se eu comecei com seis anos em Itaúna, são mais de quarenta anos...(risos). E no Zélia de Paula eu dou aula desde que eu fui para Belo Horizonte estudar. Eu vinha todos os finais de semana para dar aulas e era na garagem dos meus pais, no segundo mês tinha tantas pessoas que fomos dar aula no Colégio Santana. Com três meses tinham 80 meninas fazendo aula e eu tive que deslocar para o Sindicato dos Tecelões onde eu dava aulas o sábado todo. Eu dançava no Palácio das Artes e dava aulas em Itaúna, isso já são 33 anos.

 

Rádio Santana: Como foi o seu casamento, nascimento e criação dos seus filhos?

 

Heloisa Corradi:Tem pessoas que passam na vida da gente e ficam para sempre, outras passam e vão embora e outras nem passam, mas o meu casamento deixou as coisas mais preciosas que eu tenho na minha vida, que são os meus três filhos. Essa é a eternização da minha vida, eu sempre digo que a dança e o Centro de Expressão é o meu filho primogênito, mas eu tenho o Rafael que eu me orgulho muito, o Bernardo que eu também me orgulho muito e o Otávio que é o meu dengo, que eu me orgulho demais.Eu agradeço aos meus filhos sempre quando eu tenho oportunidade, por eles terem me escolhido como mãe antes de vir para a terra.

 

Rádio Santana: Quais os momentos mais marcantes em sua trajetória de vida no âmbito profissional e pessoal?

 

Heloisa Corradi: Um momento inicial foi eu com apenas 6 anos de idade e todas as pessoas com os olhos em mim vendo o meu talento, um segundo momento foi a oportunidade de fazer aulas de dança em Itaúna.Já quando eu fui estudar no Palácio das Artes enquanto aluna também foi muito especial, quando eu pisei no palco do palácio pela primeira vez eu senti que ali era o meu lugar.Fiz uma turnê com Micail Brenche Nicô, num outro momento dentro do Zélia de Paula quando tínhamos um globo experimental fomos apresentar em Uberlândia e éramos um grupo amador desconhecido.Todo o estádio levantou e nos aplaudiu de pé.Eu era bailarina e professora e fomos aplaudidos de pé.Os meus estudos quando eu desenvolvi o meu mestrado, que falava sobre a dança e a educação. Eu entrei num estado de graça durante muito tempo. Eu ficava mergulhada nos livros e vendo a beleza de tudo aquilo que eu tinha podido experimentar na minha vida profissional, a subjetividade da dança. As aulas na faculdade que me trouxeram outro momento, os cursos todos que eu faço e enfim esses são os momentos, mas eu sei que têm outros, mas esses são os que são chaves.

 

Rádio Santana: Quais os desafios e dificuldades enfrentadas ao longo da vida nessa trajetória brilhante?

 

Heloisa Corradi: Eu tenho como pensamento sempre trazer para minha mente um bem estar e satisfação nas coisas que eu desejo. Eu acredito na lei da atração, portanto eu não tenho que ficar nem lamentando e nem lembrando as dificuldades, pois elas se tornam presentes cada vez mais. As pessoas geralmente me vêem muito rindo, satisfeita e feliz, porque eu escolhi ser assim. Não porque as coisas são fáceis em nenhum nível da minha vida, parece que tudo é muito fácil para mim, a minha escolha foi ser positiva e alegre. Mas os desafios são grandes, as pessoas que trabalham comigo me dizem que se não fosse outra pessoa não estava mais tocando uma instituição cultural há 30 anos dentro de uma comunidade e de várias administrações que não dão o menor incentivo. Se eu estivesse esperando apoio, incentivo e alguma facilidade em divulgar o nome da cidade em todos os lugares que eu já fui e ser formadora de uma nova consciência, porque eu sei que todos os profissionais de dança passaram indiretamente ou diretamente na minha mão. São 33 anos, eu trouxe uma cultura acadêmica da dança para Itaúna, mas eu não fiz isso para ter retorno e nem gratificação, nem reconhecimento e nem apoio. Pois se fosse por isso eu não teria feito, eu fiz porque a minha alma pedia isso o tempo todo. Isso que eu queria fazer da minha existência e o resultado foi 33 anos de dificuldades e renuncias, mas com os olhos sempre brilhando para uma meta, e um orgulho e uma satisfação de ter feito mais de trinta festivais em alguns momentos lotando o Teatro Silvio de Matos. A alegria de ter emocionado a comunidade, que pode presenciar e apoiar com os temas que desenvolvemos, com o humanismo que a gente leva pra dança. O tanto que a gente educa e colabora com a formação do ser humano, muito mais sensível, comprometido e muito mais espiritualizado na sua ação cotidiana. Isso que me motiva, pois se eu for depender de ajudas práticas e concretas para sobreviver, “neneca de catibiriba” meu bem, não existe isso, pois o que a gente tem é que pagar impostos, e o povo em cima querendo e puxando, mas eu tenho sangue italiano e Deus me deu a prudência de saber administrar bem além de ser artista. Minha mãe sempre fala: ”minha filha você tem o dom de fazer o pouco virar muito”.

 

Rádio Santana: Qual a sua parcela de contribuição para o nosso município por meio do seu trabalho?

 

Heloisa Corradi: Quando eu comecei há 33 anos, passaram os primeiros anos, vários festivais e todos fazendo dança, eu era pioneira, não tinham outras pessoas trabalhando com isso. Muitos profissionais das artes chegavam para mim e diziam que a coisa mais importante que eu fazia na minha vida era essa semente de arte que eu jogava na cidade. Aquilo era bacana de se ouvir, mas não era a finalidade do meu movimento, que sempre foi ser coerente, verdadeira comigo e com a minha existência e com o meu propósito fazer valer a pena. O tempo foi passando e eu tive assim muitas homenagens e depois o tempo vai passando as novas pessoas que vão assumindo a administração começam a te desmerecer e tudo aquilo que você construiu. Mas isso não me incomoda em nada, eu estou dizendo numa leitura fria e distanciada da situação. Eu não sei falar qual a minha contribuição, as pessoas de 10 anos atrás falariam uma coisa, as de 20 anos falariam outras coisas e as de hoje, talvez eu não saiba, eu sei que na minha visão humanista e espiritualista que trouxe o oásis para a cidade. É como se naquele lugar onde todos tinham acesso a beleza, sensibilidade, ao trabalho árduo, a disciplina, a todos os significados foram nutridas com esse centro gerador, portanto a minha contribuição não sou eu que vou medir, em nível de terra, tem a comunidade, mas em nível de Deus ele que vai ver se valeu a pena ter me dado essa chance.

 

Rádio Santana: Sendo uma itaunense nata que nasceu nessa terra querida, qual o significado de Itaúna na sua vida?

 

Heloisa Corradi: Eu fui nora do Guaracy de Castro Nogueira e ele falava que não era brasileiro, e que ele era itaunense, porque ele era a própria Itaúna. Sempre admirei e sempre tive um grande respeito, nós tínhamos umas trocas intelectuais muito valorosas para mim. Agora eu sou uma pessoa que não tenho território, eu me sinto do mundo, aliás nem é do mundo, é do universo. Seja lá onde eu estivesse eu iria fazer com carinho àquilo que eu faço. Eu resisti em voltar para Itaúna, eu morei em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, mas aí achei que aqui era um lugar melhor para poder criar a família e eu vinha só aos finais de semana. Mas eu falei para mim mesma, eu devo florescer a onde Deus me plantou. Então já que eu estava em Itaúna tinha que fazer o meu melhor aqui, mas eu não sei se Itaúna agradece isso não. Em qualquer lugar que eu estivesse eu faria o mesmo!

 

Eu desejo a todos um feliz natal, repleto de alegrias e boas vibrações, sejam muito felizes, que nesse tempo de refletir sobre a nossa vida possamos nos tornar pessoas melhores.

O História de Vida estará de volta em 2012, mostrando o que Itaúna tem de melhor!

 

Produção/Entrevista

MATEUS REIS

Fotografias

ARQUIVO SANTANA FM

MATEUS REIS

Edição de texto

MATEUS REIS

Revisão textual

PATRICIA FERNANDES

Diretor Responsável

HELÊNIO LARA

Realização

Departamento de Jornalismo

Rádio Santana FM

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