Professor por amor: “já fui ameaçado de morte por um aluno”

Foto: Internet/Professor por amor: “já fui ameaçado de morte por um aluno”

Alisson Eustáquio*

Quem é educador sabe que, dentro de uma sala de aula, as mais diferentes dificuldades dos alunos se manifestam. O professor precisa de auxílio para conduzir da melhor maneira possível os estudantes. Sejam quais forem as dificuldades identificadas, para lidar com elas é necessário ter disposição para ajudar. Isso quer dizer que paciência, entendimento, estudo e compreensão, são atitudes que devem estar presentes.

É preciso identificar as dificuldades enfrentadas pelos professores e tentar compreende-los. O Jornalismo Santana FM conversou com o professor de Educação Física Douglas Brandão, que leciona na Escola Estadual do Bairro São Geraldo e na Escola Municipal Dr. Lincoln Nogueira Machado, a fim de entender esses desafios.

“Lidar com pessoas é complicado em todos os âmbitos, seja numa empresa ou em uma sala de aula. No caso da sala de aula especificamente, a maioria são adolescentes. Eu também trabalho com crianças, mas as crianças são mais maleáveis que adolescente. Os adolescentes estão vivendo uma série de conflitos, tanto internos, quanto sociais, quanto familiares. Então isso faz com que eles as vezes queiram externar isso de forma agressiva, descontando em quem está mais próximo e o professor geralmente é uma das vítimas”, disse o professor.

O professor explica que os desafios dentro da sala de aula variam de acordo com a sociedade que a escola está inserida.

“A falta de limites, a falta de educação, os próprios problemas da violência, claro isso vai variar de acordo com a sociedade que a escola está inserida. No caso uma das escolas que eu trabalho é uma escola onde tem uma comunidade com um índice mais alto de violência, tráfico de drogas, econômica e problemas familiares, uma série de coisas e isso é levado para a escola. Querendo ou não uma criança que lida com diversos problemas de espancamento em casa, até abuso sexual ou está envolvido no tráfico de drogas. A forma que ele vai se expressar é com a rebeldia, raiva e isso ele traz para sala de aula, então a maior dificuldade talvez seja essa de lidar com tantas pessoas e tantos problemas diferentes”, afirma o professor.

Quando questionado se havia alguma situação difícil que ficou marcado na vida dele como professor, Douglas disse que tem algumas situações e inclusive já foi ameaçado de morte.

“Sim, já fui ameaçado de morte por ter mandado o aluno entregar o celular utilizando no horário indevido. Eu pedi para ele entregar o celular na diretoria, ele me ameaçou de morte, falou que ia me dá tiro e tudo mais. Teve uma situação mais recente que um aluno chutou uma bola pra fora da escola por vontade própria, aconteceu dele não gosta da advertência que levou e quebrou o vidro do meu carro. Então foram situações mais marcantes, claro que tiveram outras que são mais corriqueiras, agressões verbais mesmo, ameaça de agressão física. Eu não sei se todos os professores passam por isso, porque como eu falei depende muito do contexto da escola. Creio que não é em todas as escolas que isso aconteça. Mas o índice é cada vez mais crescente no Brasil. O professor formou para lecionar aquela matéria não para ser psicólogo, eu creio que isso talvez seja o que mais pese”, comenta Douglas.

O professor termina a entrevista falando que para melhorar as condições dentro das salas de aulas e diminuir os desafios enfrentados pelos professores é preciso alguma ação do governo e uma presença mais forte dos familiares.

“Claro que não tem como a gente fugir disso na sociedade, de todos esses problemas porque como eu falei todos são pessoas, mas o que pode ser feito por parte do poder público é dar melhores condições para lidar com esse tipo de aluno. Por exemplo, é um absurdo uma escola não ter um psicólogo ou um agente social que trabalha ali mais ativamente dentro da escola já que a gente enfrenta tantos problemas relacionados ao contexto social, ao contexto psicológico. Alunos que as vezes apresentam sintomas de distúrbios psicológicos e as vezes não tem nenhum apoio do poder público dentro das escolas. Outra coisa que é mais difícil, mas que poderia ser melhorado é o apoio da família. A contexto de escolas que as famílias atuam de forma muito diferente. Você faz uma reunião de pais em uma escola, você tem 90% dos pais, mas em outro contexto não, você tem 10% ou 20%. A inserção da família dentro da escola para dar o suporte seria de suma importância. Claro que isso não resolveria todos os problemas de um professor, mas auxiliaria bastante”, conclui Douglas.

Ao longo dessa semana, o Jornalismo Santana FM abordará outros temas dessa profissão tão importante para a sociedade, já que não existiriam outras profissões se não fossem os professores.

*Estagiário supervisionado por Paloma Guimarães