Professor por amor: “muitas vezes, é na escola que recebem o primeiro ‘não'” afirma professor

Foto: Rivaldo Gomes/Dando sequência a série de reportagens feitas pelo Jornalismo Santana FM, conversamos com o professor Sílvio Bernardes sobre a diferença entre ensinar e educar. 

Gabriela Samtos*

Nos últimos tempos, a escola tornou-se alvo de preocupação da sociedade, do governo, dos intelectuais, dos políticos. Qualidade do ensino, inclusão de novas disciplinas, abordagem de problemas atuais, capacitação de professores, adoção de novas tecnologias, são temas discutidos por toda parte. Pais acusam a escola de não cumprir satisfatoriamente o seu papel. Professores querem os pais como parceiros na formação das crianças.

Parte dessa preocupação está na confusão que existe entre educar e ensinar – que não são sinônimos e nem, necessariamente, acontecem ao mesmo ou depende um do outro. Dando sequência a série de reportagens feitas pelo Jornalismo Santana FM, conversamos com o professor Sílvio Bernardes sobre a diferença entre ensinar e educar. Ele leciona há 20 anos e atualmente, dá aulas de história no ensino fundamental na Escola Celuta das Neves, sociologia na Universidade de Itaúna e história da África na UEMG Divinópolis.

“A questão da diferença entre educar e ensinar é muito polêmica e muito discutida. Cabe ao professor a responsabilidade de ensinar, de transmitir conhecimento aos alunos. Já a questão da educação cabe a todos nós: pais, cidadãos… transmitindo através dos valores e principalmente, dos bons exemplos, os valores da ética, da moral, de boa convivência e de bom relacionamento” conta.

Apesar disso, ele afirma que há uma inversão muito grande dos papeis. Muitos pais transferem para a escola a tarefa de educar e de conduzir a criança e o adolescente naquilo que eles negligenciam por uma série de razões e situações.

“Tem um educador e filósofo muito conhecido, o Leandro Karnal, ele diz que muitas vezes a criança vai para a escola e é lá que ela recebe o primeiro não de sua vida. Há um embate. O aluno não aceita as regras, que são vistas como injustas e chatas. Mas são regras, há de se obedecer e muitas vezes, em casa o jovem pode fazer tudo, a família permite tudo. Ou seja, o aluno chega com uma carga muito grande de permissividade e quando recebe um não, ele não é bem aceito, o que consequentemente causa agressividade, indisciplina, entre outros problemas” explica Sílvio.

Entretanto, para o professor, essas situações podem e devem ser corrigidas com amor. Silvo explica que se baseia em uma frase do psicanalista e educador Rubem Alves, que diz que sem sensibilidade, todas as habilidades são tolas e sem sentido. O trabalho deve ser feito em conjunto com os pais e o assunto é abordado em todas as reuniões escolares.

“Muitos pais afirmam que vão melhorar isso e vários alunos chegam à escola já preparados, com valores, educação, ética. Alguns pais torcem o nariz e não aceitam que a escola não é um lugar para educar os indisciplinados. A gente tem que equilibrar isso com amor. O nosso papel é fazer com que a escola seja um ambiente onde a curiosidade seja fomentada” garante.

*Estagiária sob supervisão de Paloma Guimarães.