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Rádio Santana FM

Itaúna, 23 de fevereiro de 2020

Foto Fred Magno

Um adolescente de 14 anos foi apreendido após matar o pai, de 48, na madrugada desta quarta-feira (12), em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte. A vítima foi esfaqueada 23 vezes.

Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, o crime aconteceu na casa da família, no bairro Jardim Colonial. Militares chegaram ao local e encontraram o garoto do lado de fora com a vizinha. Em conversa com os policiais, ele contou que teve uma discussão familiar e, no meio do atrito, o pai pegou uma faca. Detalhes da briga não foram esclarecidos.

Na versão ainda do agressor, ele pegou outra faca para se defender e desferiu 18 golpes nas costas, três na cabeça e dois no peitoral do pai. A vítima foi encontrada deitada em um colchão na sala com uma faca ao seu lado e uma poça grande de sangue. Segundo a polícia, a faca encontrada ao lado do homem estava com a lâmina intacta e sem indícios de uso.Conforme consta no registro policial, o pai era diabético e tinha dificuldades de locomoção.

Ainda em conversa com os policiais, o adolescente contou que, antes do crime, realizou uma pesquisa na internet de “como matar uma pessoa usando uma faca”. O celular dele foi apreendido, e o garoto encaminhado à Delegacia de Plantão de Ribeirão das Neves.

“Um fato que chama a atenção é que a Polícia Militar não encontrou em seus registros nada que desabone o adolescente. O pai não tinha antecedentes criminais”, explicou o tenente Vicente Rodrigues, do 40º Batalhão.

Foto Flávia Cristini

“Ele gritava ‘socorro, socorro’, queria que eu fosse lá dentro olhar se o pai estava vivo”. O relato é de uma vizinha do adolescente.

Segundo ela, pai e filho viviam sozinhos na casa, no bairro Jardim Colonial, após a morte da mãe do menor, há cerca de seis meses – vítima de câncer. “Ele disse que fechou os olhos e esfaqueou durante a briga com o pai. O menino mesmo que chamou a polícia. Depois eu chamei outra viatura”, contou a mulher, sob anonimato.

Para os vizinhos e a namorada, o garoto também afirmou que se defendeu da vítima, que queria agredi-lo com outra faca.

A família morava no local há mais de 20 anos. O adolescente nasceu e cresceu no bairro e era considerado um menino sem problemas.

“Pelo que a gente sabe, ele nunca deu problemas. A gente não sabe o motivo da briga e o que acontecia dentro de quatro paredes. O pai também era gente boa”, detalhou.

“O câncer se espalhou no corpo da mãe. Ela sofreu muito. Ficava internada e voltava para casa. Depois que ela morreu, os dois ficaram sozinhos na casa. A irmã, por parte de pai, foi embora para Bahia há cerca de três meses”, detalhou a vizinha.

Por O Tempo