NO AR AGORA

Rádio Santana FM

Itaúna, 15 de agosto de 2020

Reação adversa a medicamento segundo a ANVISA é qualquer efeito nocivo, não intencional e indesejado de uma droga, observado nas doses terapêuticas habituais em seres humanos para fins terapêuticos, profiláticos ou diagnósticos. As reações adversas a medicamentos classificam-se em previsíveis e imprevisíveis.
Previsíveis

São comuns, podem ocorrer em qualquer indivíduo e são relacionadas à ação farmacológica da droga, são dose-dependentes. Representam 75% das reações adversas a medicamentos. Elas são divididas em quatro tipos:
• Toxicidade
• Efeito secundário ou indireto
• Efeito colateral
• Interação de drogas
Imprevisíveis
São incomuns, ocorrem em pacientes suscetíveis, não são relacionadas a ação farmacológica da droga, depende da resposta individual de cada um, de deficiências genéticas ou resposta imunológica, são dose-independentes. Representam 25% das reações adversas a medicamentos. Elas são dividas em três tipos:
• Intolerância medicamentosa
• Reação idiossincrática
• Reação de hipersensibilidade ou alergia (15% das reações alérgicas a medicamentos)
Reações de hipersensibilidade
As reações de hipersensibilidade ou alergia a medicamentos, segundo a WAO – World Allergy Organization podem ser alérgicas ou não alérgicas, conforme apresentem ou não mecanismo imunológico como desencadeante. As reações a medicamentos na sua maioria não são provocadas por mecanismos imunológicos, consideradas portanto como reações de hipersensibilidade não alérgica. (envolve anticorpo especifico ou linfócito T sensibilizado, ocorre a liberação de mediadores diretamente de mastócitos ou basófilos ou ativação do sistema complemento. As manifestações clinicas são semelhantes a de uma reação alérgica.)
Publicidade
A reação adversa a medicamentos é adquirida. É possível nunca ter sido alérgico a um medicamento e de repente se tornar. Pacientes atópicos (com asma, rinite e/ou dermatite atópica) podem apresentar reações IgE mediadas mais graves. A via de administração parenteral, ou seja, por soro, provoca reações mais intensas. A incidência de reação alérgica ao medicamento é maior quando administrado de forma intermitente. O uso contínuo está associado a menor incidência de sensibilização alérgica.
Às vezes as drogas apresentam estruturas químicas semelhantes e por este motivo dizemos que apresentam reação cruzada, ou seja, podem provocar os mesmos efeitos. Isso explica porque pode ser necessária a suspensão de um grupo de medicamentos. Os fármacos que mais provocam reações adversas são os antibióticos e os anti-inflamatórios não esteroidais.
Tipos
Existem quatro tipos de reação causada por alergias medicamentosas:
• Reação imediata tipo I: tem a participação do anticorpo IgE, resultando num quadro clínico com rinite, asma, urticária, angioedema (edema da derme profunda atingindo pálpebras e lábios) e anafilaxia (em que o paciente pode apresentar coceira na pele, vermelhidão, sensação de desmaio, falta de ar, chiado no peito, queda de pressão, choque, náuseas, vômitos e diarreia, urticária e angioedema. A obstrução progressiva das vias aéreas e colapso circulatório podem levar a coma e óbito)
• Reação tipo II: ação direta do anticorpo IgM ou IgG no tecido ou orgão, com ativação do sistema complemento. Pode atingir pele, pulmão, fígado, músculos, nervos periféricos e células sanguíneas. Pode provocar anemia hemolítica, diminuição de plaquetas e nefrite intersticial
• Reação tipo III: Envolve a formação de um complexo antígeno-anticorpo que provoca lesão do tecido com ativação do sistema complemento. O quadro clínico envolve febre, urticária, presença de gânglios, inflamação das articulações, vasculite e envolvimento renal
• Reação tipo IV: que é mediada por linfócitos T sensibilizados com produção de linfocinas, como a dermatite de contato.
Causas
A alergia medicamentosa ocorre quando há envolvimento do sistema imunológico, que interpreta o medicamento como uma substância que causará algum dano ao corpo e o ataca. Na primeira vez que isso ocorre, um anticorpo específico é acionado, a partir da segunda exposição haverá uma manifestação clínica.
Fatores de risco
• Atopia (asma, rinite alérgica ou dermatite atópica), havendo um aumento do risco de reações mais graves
• Reação alérgica a outros medicamentos: se um paciente é alérgico a um medicamento, por exemplo anti-inflamatório, pode ter o risco de ter alergia em relação a outro grupo de estrutura química semelhante.
Sintomas de Alergia medicamentosa
Os sintomas de alergia medicamentosa podem ser divididos de acordo com as regiões que afetam:
Manifestações na pele
• Urticária;
• Erupções na pele (máculo-papulares ou vésico-bolhosas);
• Fotosenssibilidade;
• Eritema fixo;
• Vasculite;
• Dermatite de contato;
• Dermatite esfoliativa;
• Necrólise epidérmica tóxica (NET);
• Pustulose exantemática aguda generalizada (PEGA).

Manifestações renais
• Glomerulonefrite;
• Síndrome nefrótica;
• Nefrite intersticial.
Manifestações pulmonares
• Infiltrados eosinofílicos;
• Vasculite;
• Fibrose intersticial;
• Asma e rinite.
Manifestações no fígado
• Colestase;
• Lesão hepato-celular.
Manifestações no sangue
• Anemia hemolítica;
• Trombocitopenia;
• Agranulocitose;
• Eosinofilia.
Manifestações sistêmicas
• Anafilaxia;
• Doença do soro;
• Febre;
• Síndrome Lupus-like;
• Poliarterite;
• Síndrome de hipersensibilidade.
A anafilaxia é uma situação grave, que pode resultar em coma e óbito, com sintomas de pele (urticária, angioedema, vermelhidão no corpo, coceira nas mãos e no corpo, palidez, sudorese, arrocheamento dos lábios e extremidades), do sistema respiratório (tosse, sibilos, falta de ar, rouquidão, aperto na garganta, espirros, coriza e entupimento nasal, lacrimejamento), sistema cardiovascular (arritmia, taquicardia, tontura, fraqueza, queda de pressão e dor no peito), sistema gastro-intestinal (dor abdominal, náusea, vomito e diarreia). O paciente pode apresentar perda de consciência, convulsões, podendo chegar a um estado de coma e se não for socorrido rapidamente pode chegar ao óbito.
As reações alérgicas podem ser imediatas (30 minutos até 2 horas após a administração da droga), aceleradas (2 a 48 horas após a administração da droga) e tardias (48 horas após a administração da droga).
Caso você tome um medicamento e apresente sinais de alergia, procure uma ajuda médica o mais rápido possível.
• Dosagem sérica de IgE específica
• Teste cutâneo de hipersensibilidade imediata
• Teste cutâneo intra-dérmico
• Teste de provocação
• Teste alérgico de contato
• Detecção de anticorpos IgE, IgM, IgG específicos
• Teste de ativação de basófilos
• Teste de proliferação linfocitária.

 

Alessandro Carvalho de Sousa