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Rádio Santana FM

Itaúna, 6 de abril de 2019

Fotos Jornalismo Santana FM – O Presidente da Mina de serra Azul Sebastião Costa Filho e Claudio Reis, gerente de serviços técnicos da Arcelor

Jornalismo Santana FM

Durante a manhã desta sexta-feira, 8, a Arcelor Mittal, a Defesa Civil, a PM e o Corpo de Bombeiros se reuniram no Centro Cultural de Itatiaiuçu, para o pronunciamento e esclarecimento de dúvidas sobre a retirada das famílias de Pinheiros durante a madrugada de hoje. Há uma semana, em outra coletiva, havia sido informado pelas mineradoras da região que risco era baixíssimo.

“Empregando uma metodologia mais conservadora, a auditoria independente responsável pela declaração de estabilidade revisou o último relatório e adotou para a barragem um fator de segurança mais restritivo”, informou a ArcelorMittal, por meio de nota. A avaliação, segundo a mineradora, incluiu testes de stress feitos na barragem a partir de dados e aprendizado decorrentes dos eventos na barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG).

As famílias contam que foram retiradas de casa às 2h. Uma força-tarefa montada pela Defesa Civil estadual, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar saiu de porta em porta na comunidade de Pinheiros, em Itatiaiuçu, pedindo que moradores deixassem suas casas. A empresa diz não ter conhecimento do acionamento das sirenes e que elas só são utilizadas no caso de rompimento.

A empresa garantiu que foi tudo uma ação preventiva – que desencadeou também a paralisação das atividades –  e que a evacuação se deu por causa de novos dados obtidos através de uma auditoria externa, indicando defeitos no projeto geotécnico da barragem de Serra Azul em Itatiaiuçu e não algum problema recente na estrutura. O presidente da Arcelor de Itatiaiuçu, Sebastião Costa Filho, não detalhou quais seriam estes fatores defeituosos na estrutura que motivaram a retirada dos moradores e se limitou a dizer que o risco mudou de 1 para 2.

As informações sobre os critérios de segurança que elevaram o perigo de rompimento para o nível 2 chegaram durante a noite de ontem, mas até que todos os órgãos responsáveis fossem contatados já era madrugada. Oficialmente 64 pessoas já estão hospedadas no hotel Ibis em Itaúna e outras 36 estão passando por cadastramento. Há ainda 66 famílias não inseridas na lista ainda.

A mina de serra azul possui 343 funcionários, que continuarão a ter seus salários pagos. A mineradora Arcelor Mittal afirmou que disponibilizou para as famílias realocadas kits de higiene pessoal e medicamentos para quem faz uso continuo. Sebastião não descarta a possibilidade de providenciar moradia para as pessoas que não se sentirem seguras para voltar para suas casas, cogitando inclusive a construção de uma vila em outro local. Foram desocupadas 52 residências com em média 150 pessoas.

De acordo com informações divulgadas na coletiva, a mina de Serra Azul também e utilizado o alteamento a montante, mesma técnica de armazenamento de rejeitos utilizada em Brumadinho e Mariana. O alteamento usa os próprios rejeitos para sustentar o contingenciamento de lama. A barragem de Itatiaiuçu possui 5.8 milhões de metros cúbicos, 89 metros de altura e 25% de água. Ela estaria fora de operação desde outubro de 2012 e estariam sendo feitas vistorias internas periódicas.

Caso a barragem da Mina Serra Azul se rompa, parte da BR-381 seria atingida pela pluma de rejeitos. A informação foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros na manhã desta sexta-feira (8). A corporação disse ainda, que a lama poderia chegar ao Rio Manso, causando grandes prejuízos ambientais.