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Rádio Santana FM

Itaúna, 28 de setembro de 2020

 

Imagem do momento em que a barragem B1, da Vale, se rompeu em Brumadinho

 

 

Um estudo técnico contratado por um escritório de advocacia que atende a Vale confirmou que a causa do rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho foi “liquefação”, que é quando um material sólido passa a comportar como fluido. O laudo foi divulgado nesta quinta-feira (12).

A barragem B1, da Mina Córrego do Feijão, se rompeu em 25 de janeiro e vitimou 270 pessoas. Peritos já identificaram 257 mortos. Outras 13 pessoas ainda estão desaparecidas. Esta é a primeira vez que a causa do rompimento é divulgada. A Polícia Civil de Minas Gerais disse, em 28 de novembro, que havia concluído o laudo sobre o desastre, mas não revelou o resultado da perícia.

Entenda o que é liquefação

O fenômeno é explicado no relatório como “perda de resistência significativa e repentina” e aponta que os rejeitos e outros materiais que estava na barragem apresentavam “comportamento frágil”. Isso significa que o fluxo de água presente nesse material exerceu uma força que anulou o peso e a aderência de suas partículas, fazendo com que elas ficassem soltas.

Seis dias após a tragédia, o subsecretário de Regularização Ambiental da Secretaria do Meio Ambiente de Minas, Hildebrando Neto, disse que tudo indicava que o rompimento da estrutura poderia ter sido causado por liquefação, que foi o mesmo fenômeno causador do colapso da barragem da Samarco em Mariana, em 2015.

O relatório ainda apontou vários “gatilhos” que podem ter contribuído para a desestabilização da barragem.

Carregamento rápido, como construção ou lançamento de rejeitos;
Carregamento cíclico rápido, como sismos ou detonações;
Carga por fadiga, como detonações repetidas;
Descarregamento, como aumento dos níveis de água no solo e movimentos, como dentro da fundação ou devido à presença de camadas fracas;
Erosão interna e/ou “piping”;
Interação humana;
Perda localizada de resistência devido ao fluxo de nascentes subterrâneas;
Perda de sucção e resistência em zonas não-saturadas acima do nível da água;
“Creep” (deformações específicas que se desenvolvem com o tempo sob carga constante).

Por G1