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Rádio Santana FM

Itaúna, 8 de maio de 2021

Ato em Brasília para lembrar mortes por Covid-19 – REUTERS/Ueslei Marcelino

 

 

Numa tragédia já anunciada há meses por especialistas, o fracasso brasileiro no combate à pandemia leva o país a contabilizar oficialmente 400 mil vidas perdidas pelo coronavírus. A marca assustadora foi atingida nesta quinta-feira (29/4), com o registro de 3.001 óbitos em 24 horas, de acordo com dados do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) e do Ministério da Saúde. O total de mortes é de 401.186.

 

Durante um ano e dois meses, o cenário mais visto em todo o território nacional foi de famílias inteiras sendo dizimadas pelo vírus, cemitérios em colapso e hospitais sem vagas para internação, além de uma crise financeira que atinge vários setores da sociedade.

 

Por mais que o processo de vacinação esteja avançando no Brasil, ainda que de forma lenta, é praticamente impossível apontar um momento em que a população estará devidamente segura e poderá retornar à vida normal. Em abril, mesmo num período em que a maior parte do país adotou sérias medidas de isolamento social, foram 76.810 óbitos registrados, mais que qualquer outro mês de pandemia. Em março, foram mais de 66 mil óbitos.

 

No ano passado, o país demorou quase cinco meses para atingir os primeiros 100 mil mortos, outros cinco meses para chegar aos 200 mil. Posteriormente, foram necessários dois meses e meio para alcançar as 300 mil vítimas. A faixa dos 400 mil óbitos veio apenas 36 dias depois.

 

Não bastasse a batalha perdida, faltam leitos de UTI em boa parte dos estados e os medicamentos para intubação vêm sendo distribuídos pelo governo a conta-gotas. Apesar de o panorama ser grave desde a virada do ano, com o aumento exponencial de infectados e óbitos, o Brasil demorou para se preparar para o pior momento da pandemia.

 

‘A morte é o ponto final do processo’

 

Na visão do professor da faculdade de medicina da UFMG, Dirceu Greco, presidente da Sociedade Brasileira de Bioética, o Brasil ainda não sentiu o efeito das restrições na economia feitas entre o fim de março e boa parte de abril. “O impacto sobre a mortalidade não é imediato. A morte é o ponto final do processo, em que a pessoa tem sintoma, procura o serviço médico para ser atendido, interna e é levado para a UTI. Esse processo demora em torno de 15 a 20 dias. O processo todo dura mais de um mês e reflete o que ocorreu mais para trás.”

 

Ele entende que só uma medida totalmente enérgica seria suficiente para amenizar o caos gerado pela doença: “A sociedade da qual eu faço parte vem pedindo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que possamos ter um lockdown de 21 dias, coordenado nacionalmente. Se isso ocorresse, pode ter certeza que surtiria efeito e as pessoas que dependem do comércio teriam vendas suficientes depois para conseguir sobreviver.”.

 

Um levantamento recente feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica que os índices de internações e mortes se estabilizem em níveis elevados, entre 2 e 3 mil vidas perdidas diárias. Há ainda o risco de uma terceira onda da COVID-19 assolar o país e provocar mais pânico e medo, por causa da explosão de casos das variantes inglesa e do Amazonas.

 

“Estamos em um momento ideal para restringir aglomerações e fazer uma reabertura mais lenta e planejada. Esse aumento de mobilidade e contato entre as pessoas pode levar a uma manutenção do número de hospitalizações em um patamar muito alto, o que é péssimo”, alerta o pesquisador da Fiocruz, Leonardo Bastos.

 

Desde fevereiro do ano passado, mais de 14,5 milhões de brasileiros contraíram a doença, dos quais mais de 13 milhões se recuperaram. Nessa semana, o país foi superado pela Índia, que atingiu 18,3 milhões de contaminados. Entretanto, o país asiático obteve quase a metade do número de mortes do que o território sul-americano: 205 mil.

 

Primeira morte

 

A primeira morte da doença no Brasil foi confirmada pelo Ministério da Saúde em 17 de março do ano passado, a diarista Rosana Urbano, de 57 anos. Anteriormente, o primeiro caso foi notificado em 25 de fevereiro, de um homem de 61 anos que voltou de voo da Itália, que naquele momento era o epicentro da doença.

 

Em Minas, o primeiro óbito causada pelo COVID em 29 de março de 2020. A vítima foi uma mulher, identificada como Marlene Eunice Vannucim, de 82 anos, que morreu no Hospital Biocor, em Belo Horizonte, onde estava internada.