NO AR AGORA

Rádio Santana FM

Itaúna, 18 de junho de 2021

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Placa na entrada da Coopert tem o símbolo do Governo Federal apagado

( Matéria publicada dia 28 de setembro)

 

Em resposta à reportagem(?) da Santana

                                                            

Colocando os pingos nos “is”

(*) Sérgio Cunha

Muito nos estranhou a reportagem(?) publicada no site da Rádio Educativa Santana FM, versando sobre a inauguração do Centro Municipal de Triagem de Resíduos, pelas inverdades e opiniões de caráter mais político-partidário que jornalístico-informativo. Começa o texto, de caráter explicitamente político-partidário, revanchista, afirmando que “é usada para apagar a identificação do Governo Federal na placa indicativa de investimentos no município”, referindo-se à placa indicativa da obra, na tentativa de insinuar que a atual administração teria agido de maneira a esconder a participação do Governo Federal na empreitada. Nota-se o interesse do autor da reportagem em desmerecer o acontecimento, visto que a placa está afixada na entrada do aterro sanitário e não aonde foi construído o Centro. E mais, houvesse ele buscado a informação e saberia que a ação de pintar a logomarca do Governo Federal ocorreu em outra ocasião, quando da disputa da eleição presidencial. Manter a logo do Governo Federal naquele local, seria cometimento de crime que poderia, inclusive, trazer prejuízos ao partido da presidenta reeleita (o mesmo partido que o texto defende), em Itaúna, por propaganda irregular.

Em seguida, o texto afirma que a unidade de triagem da Coopert, “mais conhecida como Cooperativa dos Catadores de Lixo de Itaúna…”, o que representa tão-somente o caráter discriminatório contra uma cooperativa, que tem o nome distorcido pela reportagem(?), e que se denomina Cooperativa de Reciclagem e Trabalho de Itaúna – Coopert. Ah… e os cooperados não são “catadores de lixo”, mas profissionais com profissão reconhecida de Catadores de Material Reciclável. É preciso que se afirme que só ele, o autor da reportagem(?), e seus próximos é que denominam aquela Cooperativa (orgulho e destaque de Itaúna), como cooperativa de catadores de lixo… É mesmo lastimável esta expressão tácita de preconceito para com aqueles trabalhadores.

Em seguida, afirma que “o cerimonial preparado colocou todo o “staff” no palanque, alguns deles nada tinham a ver com a história da Coopert, idealizada e criada pelo ex-vereador Mirinho e seus companheiros”. Ora, o “staff” presente no palanque era composto nada mais nada menos do que pelos representantes dos Catadores de Material Reciclável, de Itaúna, do Estado de Minas Gerais, do Brasil e, também de alguns países aonde os catadores desenvolvem o seu trabalho e a sua luta. Além destes representantes dos catadores (incluídos aí o presidente da Coopert e as duas outras diretoras, representando todos os atuais trabalhadores daquela cooperativa), estavam o Prefeito, os Secretários cujas secretarias se envolveram na construção do Centro de Triagem e o representante do Governo Federal, Superintendente Regional da Caixa Econômica Federal (gestora dos recursos federais), Sr. Marcelo Bomfim. E, por coincidência, foi ele quem primeiro falou nos valores investidos naquela obra, citando os R$370 mil do Governo federal e os mais de R$500 mil da Prefeitura. O Prefeito só repetiu esta informação.

Quanto ao caso do Mirinho não ter sido convidado, anteriormente, para subir ao palanque, cabe aqui uma explicação ao repórter(?), para que ele possa entender um pouquinho de realização/construção de cerimonial e de reportagem: tratava-se o evento, de inauguração do Centro Municipal de Triagem de Resíduos, não de “inauguração da Coopert”. Assim, o ato solene poderia incluir – como o fez – uma homenagem e/ou citação aos fundadores da Cooperativa, a quem está sendo concedida a utilização daquele espaço. Ora, nada mais justo que esta homenagem fosse feita pelos próprios cooperados. E foi assim que a senhora Madalena Duarte (uma catadora de material reciclável, reconhecida pelo seu trabalho, em Itaúna, em Minas, no Brasil e pelo mundo afora, aonde tem levado a experiência itaunense como exemplo), representando os catadores, fez homenagem à classe, convidando a subir ao palco e receber os aplausos dos presentes, não “o” idealizador da cooperativa, mas “os” fundadores da Coopert: Mirinho, Nilcelena, Humberto, Marcos Paulo (Carioca), e outros, que se uniram a ela, ao José Santos e à Márcia, todos eles responsáveis pela criação da cooperativa. Mas há que se repetir ao repórter(?) que a solenidade não era de “inauguração/fundação da Coopert”, mas de inauguração do Centro Municipal de Triagem de Resíduos, obra construída pela Prefeitura, com recursos do Governo Federal e do Município de Itaúna, com maior volume despendido por este último. A homenagem aos fundadores da Coopert teve o seu lugar, e como deveria ter sido, foi feita pelos cooperados atuais.

Já sobre a citação de que o Prefeito Osmando tentou “consertar as coisas” ao citar o Mirinho e a conversa que tiveram, quando da criação da Coopert, parece que “o burro não entendeu o toque na cangalha…”. A metáfora da fala do Prefeito, traduzida, é de que ele, como gestor do Município, não atuou como líder partidário, mas como Prefeito de Itaúna e, independente da cor partidária das pessoas que estavam buscando parceria com a Prefeitura (e Mirinho era político petista, por isto citado, mas poderiam ser citados outros, como o Marco Antônio, atleticano de primeira linha, metalúrgico – assim como o Mirinho – e petista e fundador da Coopert, também…), conseguiram o intento. Isto, porque o Pref
eito Osmando nunca agiu partidariamente, enquanto Prefeito. Diferente de, por exemplo, “jornalista por força de propriedade, não de formação” (e, antes que falem besteiras, não é formação acadêmica, mas aquela forjada no dia a dia do trabalho jornalístico). Ah… e completando, para quem disse asneiras por não saber sobre o que estava falando, a esteira entregue aos metalúrgicos e catadores, em 1999, para que se criasse a Coopert, foi aquela lá do Parque Jardim, que será desativada nas próximas semanas, e não a que estava sendo inaugurada junto ao Centro Municipal de Triagem de Resíduos.

Quanto à informação atribuída ao ex-vereador e funcionário da Prefeitura, Márcio José Bernardes, pela reportagem(?), de que “a obra foi construída pela administração do Partido dos Trabalhadores e apenas finalizada pela administração atual”, só podemos afirmar que é risível, para não dizer, esdrúxula, descabível, inconsequente… A verdade é que a obra foi iniciada na administração petista, sim. Porém, a empresa que a tocava, aquela, que tinha ligações parentais com membros da administração petista, a paralisou (talvez sob alegação de não recebimento pelo serviço prestado?…), assim como ocorreu com a obra que a mesma empresa tocava para a administração petista, na Praça da Matriz, ou aquela lá da creche do Aeroporto. Quando assumiu a Prefeitura de Itaúna (lembram-se de como as coisas estavam?), em 2013, o Prefeito Osmando tratou de recomeçar a obra. Promoveu ampliação (quase duplicou a construção), adequação, e concluiu a obra, inclusive a esteira, o chute/silo, o galpão de estoque, a plataforma de descarga, o acesso, o plantio de gramas, os taludes, o plantio da vegetação no entorno, que estavam, alguns, apenas no projeto, quando assumiu.

E mais, as máquinas, caminhões e trabalhadores que atuaram na obra, especialmente no que se refere ao plantio de grama, acerto final, remoção de terra (etapas citadas na reportagem(?)), não são do Pac 2. É, no mínimo, desconhecimento total da realidade e preguiça de apurar as informações colhidas, afirmar isto. Estes serviços foram feitos pelos trabalhadores da Prefeitura, pelas máquinas da Prefeitura e, algumas delas, alugadas para trabalhar no manejo do Aterro Sanitário. Quanto aos valores investidos pela Prefeitura e pelo Governo Federal, basta que o repórter(?) peça a prestação de contas da obra para saber qual administração aplicou os R$500 mil.

Quanto a outras afirmações, algumas repetidas na Câmara Municipal, pelo dirigente partidário, estamos nos inscrevendo para responde-las naquele mesmo recinto, adiantando para finalizar que “presidente de partido” só é autoridade em solenidade partidária. Por isto, não deve ser citado como tal, nem tampouco convidado a subir ao palanque!

 

(*) Sérgio Cunha é jornalista profissional, especializado em Comunicação Pública, mestrando em Gestão de Resíduos, e Gerente de Resíduos Sólidos do SAAE/Itaúna.