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Rádio Santana FM

Itaúna, 27 de novembro de 2020

dengue para minas

 

 

Para se livrar do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da febre chikungunya e do zika vírus, Pará de Minas poderá multar os donos dos imóveis onde houver reincidência de focos do inseto. É que o município, com 85 mil habitantes e a 70 quilômetros de Belo Horizonte, lidera o ranking de cidades do Sudeste com maior índice de infestação do mosquito (6,9{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b}). Isso significa que a cada 100 imóveis, 6,9 têm criatórios do inseto, o que configura situação de risco de surto das três doenças.

A proposta, elaborada pelo Conselho Municipal de Saúde, será transformada em projeto de lei e encaminhada à apreciação da Câmara Municipal. Por enquanto, não foi definido o valor da multa.

Além disso, a administração municipal põe em funcionamento, esta semana, um serviço telefônico 0800 para que os moradores denunciem imóveis onde existam focos do Aedes aegypti. E caso alguém impeça a entrada dos agentes de saúde para erradicar os criatórios do mosquito, o Ministério Público será acionado para assegurar o combate ao vetor da dengue, da chikungunya e do zika vírus.

O percentual de 6,9{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b} foi apurado pelo Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), do Ministério da Saúde, e se tornou uma grande preocupação das autoridades municipais de saúde e da população, principalmente depois da confirmação da relação do zika vírus com os casos de microcefalia registrados em vários estados.

Em Minas Gerais, ainda não há confirmação de casos de microcefalia causados pelo vírus transmitido pelo Aedes aegypti, mas há 28 registros da anomalia em bebês sendo analisados pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

A principal causa da grande incidência de focos do mosquito no município é o problema de abastecimento de água que a população enfrentou no ano passado e no primeiro semestre de 2015. Sem ter outra alternativa, muitas famílias improvisaram reservatórios para armazenar água, o que fez com que a infestação disparasse. Em março, o primeiro LIRAa de 2015 apontou índice de 13,5{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b}, o que fez a prefeitura convocar a população para uma guerra contra a dengue.

Houve redução, mas, mesmo com a normalização do abastecimento de água, grande número de pessoas, com medo de faltar água, mantém tambores, máquinas de lavar e outros recipientes como reservatórios. A situação favorece a proliferação do inseto. A prefeitura estima que há 40 mil caixas d’água em solo, como são chamados os reservatórios excedentes.

Ao todo, 60 agentes percorrem a cidade para combater o mosquito. Eles lutam contra outro motivo que contribuiu para que Pará de Minas alcançasse o topo do LIRAa no Sudeste: o desconhecimento de muita gente com recipientes com água.

Critérios o LIRAa

De acordo com os critérios do governo federal, municípios com índice de infestação abaixo 1{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b} estão em condições satisfatórias. De 1{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b} a 3,9{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b}, configura estado de alerta. Já nas cidades com índice igual ou acima de 4{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b}, há risco de surto das três moléstias. Pará de Minas registrou 213 casos de dengue entre janeiro e novembro de 2015. A boa notícia é que não há 
casos de zika vírus.