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Rádio Santana FM

Itaúna, 20 de fevereiro de 2019

saúde mental

Uma demissão, o fim de um relacionamento, a crise financeira. Provavelmente, você já experimentou alguma dessas situações e precisou, de alguma forma, superar um momento ruim. A vida não é para principiantes, e caso você já tenha chegado à fase adulta, isso deve ter ficado ainda mais claro. Entretanto, da mesma forma que nos são apresentados os problemas da vida, o conhecimento científico tem crescido vertiginosamente em busca de bem estar, prosperidade e longevidade, pois uma coisa é certa, como canta Gonzaguinha: “ninguém quer a morte. Só saúde e sorte”. O desejo, em sim, é de vida. A morte, mesmo para aqueles que a procuram, apresenta-se como um “fim”, e não um “querer”. Daí o porquê de tantas teorias, propostas e métodos científicos tentando viabilizar o que os americanos chamam de lifespan (vida útil, expectativa de vida). Mas, em termos de Saúde Mental, como fazer isso?

Não são poucas as pessoas que me perguntam: “Mas, Nilmar, como ser feliz? Como manter o bem estar mental, sobretudo em situações tão adversas, por vezes?”. Bom, a minha resposta costuma ser, como filósofo que também sou, com a seguinte pergunta: “em que medida você se conhece e conhece a própria vida?”. Pois é exatamente a partir desta medida que podemos elucidar um caminho mais harmonioso, mais tranquilo e menos doloroso para a nossa existência. O próprio Sócrates, filósofo da Antiguidade, já sabia, naquele tempo, desta exigência. “Uma vida sem busca não é digna de ser vivida”, dizia o pensador. Portanto, algumas questões podem nos nortear nesta procura: em qual medida você está consciente das suas escolhas? Quanto, de verdade, te faz bem a profissão que você exerce? O seu relacionamento amoroso: ele te promove ou te diminui para as possibilidades da vida? Qual a qualidade e profundidade das relações que você mantém com as pessoas? Qual o grau de sinceridade que você utiliza para responder perguntas como estas?

Através destes questionamentos básicos, podemos chegar a respostas de foro bem íntimo. A nossa Saúde Mental depende de uma série de elementos que se conjugam: estrutura básica de moradia, alimentação e trabalho; ambiente livre de excesso de pressões e exigências; número de oportunidades para exercermos atividades que nos tragam satisfação; tempo dedicado ao lazer; enfim, não são poucas as variáveis, mas, o que nos deve ser conhecido, em primeiro lugar, é a nossa responsabilidade frente a essa BUSCA. Sim, precisamos retomar a ideia socrática: tudo não passa de uma busca, uma construção! O equilíbrio emocional não é um “produto” que se acha pronto numa prateleira. Um bom livro, uma boa palestra, uma psicoterapia ou uns dias em um Spa não nos garantem, de uma só vez, o fim dos nossos problemas, mas nos podem fornecer ferramentas para lidar com eles quando surgem. A nossa saúde emocional, também como a nossa saúde física, exigirá tempo, investimento. O problema é que, no Brasil, o mercado do bem-estar ainda se mantém muito atrelado ao campo daquilo que é material, ou seja, o corpo.  Provavelmente, a maioria das pessoas visitam, pelo menos uma vez ao ano, um médico ou um dentista. Mas, cá pra nós, qual foi a última vez que você fez um check-up da sua vida emocional?

Grande parte da população sabe exatamente o que fazer quando surge uma dor nas costas, um ‘mau jeito’ no pescoço, um exame de sangue alterado. Já até sabem os nomes dos medicamentos mais comuns para cada um desses problemas, pois costumam lidar com esses assuntos de forma corriqueira e orientada por algum profissional, o que é muito, muito importante! Mas, e quando nos surgem aqueles problemas que pedem mais que um medicamento? E se aquele relacionamento amoroso começa a trazer sofrimento pertinente? E quando, no trabalho, sofremos algum tipo de pressão exagerada ou até mesmo alguma perseguição? Como ou a quem recorrer? Você costuma parar, refletir, pensar de forma organizada e tomar decisões acertadas? Pois é exatamente nestes momentos, e também em tantos outros, que cabeça fria e coração acalmado nos farão toda a diferença; ter trilhado ou não aquele caminho da busca, aqui já comentado, influencia muito. Dependerá do quanto e como você se conhece para que estes momentos sejam vistos como ‘parte da sua vida’ ou ‘problemas maiores do que realmente são’.

Portanto, já é tempo de olhar para os nossos sentimentos, emoções e pensamentos de forma mais cuidadosa. Há uma infinidade de tipos de acompanhamentos, serviços e orientações, além de vasta literatura, que podem servir como sólidas ancoras neste mar, que por vezes se agita, que é a vida.  A gente não precisa esperar a tempestade para se proteger, eleger estratégias e conhecer a rota para um local mais seguro. Como qualquer coisa na vida, o nosso equilíbrio emocional pode ser planejado, elaborado. PODE HAVER META! A propósito, este é o mês da campanha #janeirobranco. Você a conhece? Que tal começar por aí?Dizem que conselho, a gente não dá, mas eu vou arriscar aqui: cuide da sua Saúde Mental! Ela pode ser o item mais caro e valioso nos dias de hoje.

*Nilmar Silva é psicólogo (CRP 04/47630), filósofo, professor e especialista em educação. Faz atendimentos clínicos em seu consultório, escreve para a coluna Psicologia em Foco, da Santana FM, e mantém o canal no YouTube Psicologia em Minutos, abordando temas ligados à saúde mental, relacionamentos amorosos, dentre outros.

 

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