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Rádio Santana FM

Itaúna, 5 de dezembro de 2020

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Em meio ao já conturbado cenário econômico pelo qual passa o país, o setor de saúde a cada dia ganha mais projeção Nacional, Estadual e com especial destaque para o Municipal citando especificamente o de Itaúna. Desde 2013 sendo gerenciado pela empresa I.Cismep o Pronto Socorro do Hospital Manoel Gonçalves nunca deixou de receber reclamações e denúncias por parte de colaboradores e em especial usuários, que viram nos últimos anos a situação piorar no atendimento aos pacientes.

 

 Após um processo de modificação visual e implantação do Protocolo de Manchester o I.Cismep prometeu agilizar e melhorar o atendimento ao usuário. Mas mesmo com triagens, pulseirinhas coloridas e um plano estratégico de esvaziamento de corredores, o que se observou ao longo dos anos foi a inexistência de investimentos, culminando com a falta de macas, lençóis, suportes e até medicamentos em alguns casos.

 

 Recorrentes, passaram a ser as denúncias nos veículos de imprensa, em especial na Rádio  e Portal Santana FM, de pacientes e familiares que duramente criticavam a postura dos profissionais médicos, na maioria das vezes, adotando um modelo desumano de atendimento privilegiando a medicação socorrista com analgésicos e outros do gênero, sem a cautela da solicitação de exames mais detalhados na busca de um laudo médico acertado quanto a real situação do paciente, liberando-o para retorno para casa com uma simples recomendação de que procurasse um especialista para mais exames.

 

 Certo que o Pronto Socorro, como o próprio nome indica é destinado a atendimentos de urgência e emergência, mas há de se considerar que o fato do paciente buscar emergencialmente atendimento naquele local pode ser sim, o início de uma grave patologia, que deve ser precedida de pelo menos exames emergenciais, pois se constatada gravidade, o devido prosseguimento no atendimento deve ser oferecido, culminando até em uma eventual internação.

 

A última denuncia mais representativa envolvendo o I.Cismep e o pronto socorro do hospital, teve repercussão na área técnica e política da saúde. Pouco tempo depois de ser alçado ao posto de Secretário Adjunto de Saúde, o ex-secretário de esportes Rossi Andrade, pessoa de confiança e sempre de primeiro escalão do governo Osmando Pereira em seus mandatos, se viu às voltas com a denúncia de tráfico de influência, ao ser acusado de intervir junto à I.Cismep para a contratação de sua esposa Dr. Madeleine para a chefia clínica e seu cunhado para o setor administrativo. O I.Cismep, desde o fim de 2015 suspendeu seu contrato voltando a administração do P. S. a ficar sob jurisdição do município.

 

Problemas e denúncias contra um, vão e contra outro, chegam. Com o desligamento da Cismep, a Secretaria de Saúde abriu processo seletivo para contratação de profissionais para atuação no P.S., fato é que novamente uma enxurrada de denúncias voltaram a ser registradas por nosso departamento de jornalismo, onde funcionários e ex-funcionários acusam a existência da “indústria do favorecimento” ou tráfico de influência política, que teria como objetivo favorecer a contratação de apadrinhados políticos e indicados de vereadores e membros do primeiro escalão do governo municipal. Estas mesmas denúncias apontam para uma seleção previa de pessoas para ocupar os cargos mais importantes e mais bem remunerados no pronto socorro, causando prejuízo ao demais que entendem ser o processo seletivo, um engodo para mascarar a indicação de cargos em pleno ano eleitoral, favorecendo atuais e pretensos candidatos às próximas eleições e que, impedem principalmente os que já estavam empregados de manterem suas colocações e postos de trabalho naquela unidade.

 

                O diretor do Sine Itaúna, Eustáquio Xavier, informou que o órgão não arbitrará no processo de seleção aos postos  de trabalho a serem ocupados no P.S., e que o Sine apenas está cedendo espaço físico  – por dispor de uma excelente estrutura – para a equipe do Conselho de Saúde montado para acompanhar todo o processo de seleção que comtemplará os cargos de  auxiliar de serviços gerais, porteiro, maqueiro, auxiliar de manutenção, atendente de farmácia, assistente administrativo, técnico de enfermagem e técnico emergencista.

 

                Em contato com a Secretária de Saúde Ângela Amaral , a mesma nos informou desconhecer toda e qualquer ação de favorecimento para a contratação dos funcionários do pronto socorro e que tal denuncia não tem fundamento já que o processo seletivo aberto está sendo realizado com toda a transparência necessária para mostrar a lisura na análise e avaliação dos quase 1700 inscritos, que segundo ela , até em razão da grave crise no setor de empregos que vivemos atualmente, surpreendeu, pois recebeu inscrições de candidatos com nível de ensino que  vão do fundamental até os com Pós graduação em diferentes áreas que pleiteiam ocupar uma das vagas disponibilizadas no edital. Afirmou ainda que um grupo de conselheiros formados inclusive com membros da sociedade acompanha diariamente todo o processo e que inclusive, por solicitação, já recebeu visitas de algumas pessoas que queriam verificar se realmente havia um grupo de trabalho atuando neste processo.

 

A secretária informou que com o desligamento da Cismep, todos os que estavam em atividade foram dispensados, sendo assim para que os trabalhos de atendimento à população não fossem interrompidos, houve sim, a assinatura de um decreto emergencial, autorizando a contratação de um porteiro, um maqueiro, dois técnicos de enfermagem e uma enfermeira coordenadora, sendo estes profissionais da área de enfermagem são os mesmos que já trabalhavam como funcionários da Cismep.

 

 Ângela Amaral também falou que é mais do que natural ocorrerem pedidos de muitos para que uma oportunidade de emprego seja oferecida quando vagas de trabalho no serviço público são disponibilizadas, mas que daí a atendê-las há uma distância muito grande e que a escassez de vagas de mercado de trabalho gera este tipo de situação, onde todos que conhecem alguém com relativa influência pedem uma oportunidade. Mas afirma que ser impossível a contratação de quem quer que seja fora do processo seletivo que avaliará a melhor qualificação e pontuação nas provas dos candidatos inscritos.

 

Quanto ao fato da contratação da esposa de Rossi Andrade que não é mais adjunto da secretaria de saúde e que voltou a ocupar cargo no gabinete executivo, Ângela destaca que a indicação da Doutora Madeleine partiu de uma indicação da própria direção do Hospital Manoel Gonçalves. Na ocasião, explica a secretária, havia a necessidade de ter no P.S. um profissional da área médica com livre trânsito no hospital, com competência técnica para decidir o melhor encaminhamento dos pacientes, primeiramente o convite foi feito ao Dr. Arnaldo que declinou por falta de tempo para o exercício da função, sendo indicada então a Dr. Madeleine que é o que os profissionais da área chamam de “coordenador horizontal” , ou seja, aquele que melhor poderá avaliar a situação de cada paciente determinando ou não sua internação no hospital após o atendimento emergencial no P.S.

 

                Quanto ao favorecimento, tráfico de influência ou ação política de Rossi Andrade junto a pasta de saúde, a secretária afirma desconhecer ou ter participado de qualquer acordo neste sentido, afirmando categoricamente que todo o processo de contratação atende a pré-requisitos técnicos.