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Rádio Santana FM

Itaúna, 28 de setembro de 2020

Lágrimas representam sentimento… Foto: Alexandre Guzanshe/EM D.A Press)

 

O Cruzeiro se despediu do Campeonato Brasileiro de maneira melancólica ao perder para o Palmeiras por 2 a 0, neste domingo, no Mineirão, pela 38ª rodada. Os gols da partida foram marcados por Zé Rafael, aos 12′, e Dudu, aos 39 minutos do segundo tempo. Com o resultado, o time celeste está rebaixado e vai disputar a Série B em 2020.

Antes mesmo do apito final do árbitro Marcelo de Lima Henrique, vários torcedores manifestaram reação de fúria e depredaram o estádio arremessando cadeiras e bombas. A Polícia Militar interveio na confusão com tiros de bala de borracha e uso de gás de pimenta. Nos arredores do Mineirão também houve cenário de muita selvageria.

No gramado, o desempenho diante do Verdão foi reflexo de toda a competição: time sem criatividade, com muitos erros de passe e facilmente anulado pelo adversário. Tanto que o goleiro Weverton não fez uma intervenção importante em 90 minutos.

Conforme afirmado pelos jogadores palmeirenses antes do duelo, como o zagueiro Edu Dracena e o atacante Dudu, o rebaixamento do Cruzeiro não se dá apenas pelo duelo deste domingo. Faltou bom futebol em grande parte da disputa.

Na 33ª rodada, por exemplo, esperava-se uma vitória tranquila sobre o Avaí. No fim, um empate frustrante por 0 a 0, com apenas uma defesa difícil do goleiro Vladimir. Na 35ª rodada, diante do CSA, o vexame foi pior: derrota por 1 a 0 para um time que viria a ter o rebaixamento confirmado posteriormente.

Por óbvio, o rebaixamento faz o Cruzeiro terminar o Campeonato Brasileiro com sua pior campanha na era dos pontos corridos: 17º lugar, com 36 pontos. Em 38 rodadas, venceu sete, empatou 15 e perdeu 16, com 26 gols marcados e 43 sofridos. Já o Ceará, que empatou por 1 a 1 com o Botafogo, ficou em 16º, com 39.

Cinco mudanças

Da equipe que perdeu para o Grêmio por 2 a 0, quinta-feira, em Porto Alegre, o técnico Adilson Batista fez cinco mudanças. Além dos suspensos Edilson, Egídio e Ariel Cabral, saíram os atacantes David e Fred. Entraram Marquinhos Gabriel, Dodô, Jadson, Pedro Rocha e Ezequiel. Nas arquibancadas, o público se apegou à fé ao rezar um uníssono ‘Pai Nosso’.

As mudanças não surtiram efeito. A bola parecia queimar no pé dos atletas. Erros de passes, perdas de posse e até escorregões: o torcedor cruzeirense viu tudo isso de sua equipe. Menos qualidade. A sorte é que o Palmeiras, apesar de ter o controle da situação, não forçava tanto.

Depois de muito tempo de impaciência e tensão, os cruzeirenses se exaltaram bastante no Mineirão. O grito de alegria não era por um gol ou boa jogada da equipe, mas pelo fato de o Botafogo, aos 38 minutos, ter inaugurado o placar contra o Ceará. Curiosamente, o autor do tento no Rio de Janeiro foi Marcos Vinícius, ex-jogador da Raposa.

Faltava apenas ao Cruzeiro fazer a própria parte (e como isso foi difícil durante todo o campeonato!). Adilson Batista atendeu aos pedidos do público e colocou Sassá no lugar de Ezequiel no intervalo. Aos 3’ do segundo tempo, foi a vez de Weverton entrar na vaga do lesionado Orejuela.

A torcida tentou empurrar. Cantou alto, incentivou, procurou contagiar os atletas. Mas um time que não fez o dever de casa diante de rivais fracos conseguiria bater o terceiro colocado do Campeonato Brasileiro? Aos 12’, Dudu tocou de calcanhar, Raphael Veiga foi à linha de fundo e cruzou rasteiro para a grande área. De primeira, Zé Rafael bateu rasteiro e fez 1 a 0 para o Palmeiras. Silêncio no Mineirão.

O que já era dramático ficou pior aos 21 minutos. No Rio de Janeiro, o Ceará teve pênalti a seu favor. Thiago Galhardo cobrou entre o centro da meta e o canto direito e marcou. Tudo igual contra o Botafogo: 1 a 1. A partir dali, nem uma hipotética virada do Cruzeiro adiantaria.

Desacreditados e até temendo o risco de confusão, muitos torcedores deixaram o estádio. Os que ficaram viram uma estéril posse de bola, de um lado para o outro, na intermediária do campo de ataque, sem qualquer susto aos defensores palmeirenses.

No fim do jogo, bombas foram arremessadas nas arquibancadas – Foto: Alexandre Guzanshe/EM D.A Press)

 

Houve quem manifestasse sua fúria arrancando cadeiras das arquibancadas e atirando-as em campo. Bombas também foram arremessadas. O árbitro Marcelo de Lima Henrique chegou a paralisar o jogo, porém deu continuidade. Com a bola rolando, o Palmeiras ampliou o placar aos 38′: Bruno Henrique lançou em direção à grande área, e Dudu, de cabeça, fez 2 a 0.

A partir dali, não teve jeito. Com a praça de guerra dentro e fora do estádio, Marcelo de Lima Henrique terminou a partida aos 40 minutos. Enquanto isso, a Polícia Militar interveio para conter as depredações de quem, infelizmente, vê na violência a melhor maneira de se revoltar contra o fracasso administrativo de uma diretoria que manchou a história do Cruzeiro tanto nas páginas policiais, com suspeitas de corrupção e gastos vultuosos, quanto desportivamente, no primeiro rebaixamento da história do clube.

 

Por Uai