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Rádio Santana FM

Itaúna, 19 de junho de 2021

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Um grupo de arqueólogos da USP encontrou numa caverna na região de Lagoa Santa sinais do mais antigo caso de decapitação já registrado nas Américas.

As evidências do procedimento estão num crânio, datado em 9.000 anos, achado enterrado sob uma laje de calcário na gruta de Lapa do Santo. Além de ter a cabeça cortada, as mãos do indivíduo haviam sido decepadas.

Lagoa Santa é um dos sítios arqueológicos mais importantes das Américas e local onde foi encontrado o fóssil de Luzia, remanescente humano mais antigo já achado no Brasil, com 11,5 anos.

O crânio decepado havia sido retirado do local em 2007, junto com outros coletados na região, mas, só após ele ter passado por preparação e análise detalhada, os cientistas conseguiram elucidar o procedimento ao qual o indivíduo foi submetido.

“Quando começamos a escavar, encontramos o crânio, e estávamos esperando encontrar o resto do corpo. Mas continuamos escavando, e nada de corpo”, contou o bioantropólogo André Strauss. “A única explicação para aquilo que a gente estava vendo era um caso de decapitação”.

Não está claro o que ocorreu, mas os cientistas afirmam que todos os indícios apontam para a hipótese de que o homem foi decapitado depois de morto, num ritual de sepultamento. O indivíduo, além disso, parecia pertencer ao mesmo grupo local. As hipóteses contrariam aquilo que seria a suspeita mais comum, a de que a cabeça era usada como um troféu para exibir inimigos capturados.

A ossada estava com as mãos amputadas sobre a face, dispostas em sentidos opostos. Marcas de corte nas vértebras e na mandíbula, além da ausência do osso hioide do pescoço, indicaram que se tratava de uma decapitação.