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Rádio Santana FM

Itaúna, 21 de abril de 2021

 

A taxa de ocupação hospitalar também disparou na cidade – foto: Divulgação/PMD

 

Os indicadores da COVID-19 dispararam em Divinópolis, Região Centro-Oeste de Minas Gerais. A cidade atingiu, em janeiro, os piores índices, em todas as medições, desde o início da pandemia. O número de mortes diárias teve aumento de 70% em relação a dezembro. Pelo menos uma pessoa morreu em decorrência da doença ao longo deste mês. O total dos últimos nove meses já chega a 135 óbitos.

 

As notificações não ficam para trás, a média/dia de casos é a maior desde março, 292. Deste total, pelo menos 57,7 são confirmadas para o novo coronavírus. O número pode ser ainda maior, já que a média de testagem é de aproximadamente 20%. De março de 2020 até janeiro deste ano, o município registrou 35.057 notificações e 5.554 confirmações, conforme boletim divulgado nesta quinta-feira (28/01).

 

A média de ocupação hospitalar também colocou a cidade em situação de alerta. As internações em enfermaria saltaram de 55, em dezembro, quando havia registrado recorde, para 76 até esta quinta-feira (28/11), aumento de 38%. No Centro de Terapia Intensiva (CTI), passou de 45 para 57, elevação de 26%.

 

Relaxamento das normas

 

O médico Marcone Lisboa defende o uso de máscara para reduzir estes indicadores – Foto Arquivo pessoal

 

Os indicadores de janeiro são reflexo de uma série de afrouxamentos registrados desde novembro. “O que aconteceu? Quando começou a reduzir o número de casos, que foi mudando de onda vermelha, para onda amarela, chegando na onda verde, abriu boate, a interação social aumentou de forma significativa”, explica o diretor o CTI do Complexo de Saúde São João de Deus, Marcone Lisboa. Na sequência, vieram as festas de fim de ano.

 

“A gente sabe que boa parte da população não tem preocupação. Os casos dispararam em dezembro e as consequências vieram na sequência”, afirma.

 

Os óbitos dos últimos dias ainda são consequência do relaxamento de dezembro. O tempo médio, segundo o médico, entre o primeiro sintoma até a morte por COVID-19 pode chegar a 25 dias. A taxa de letalidade está em 2,43 na cidade.

 

Com ritmo de contágio da doença em 1,23, para Lisboa apenas uma medida pode se refletir, neste momento, na redução e consequentemente na queda dos indicadores. “Tenho certeza absoluta que é o uso de máscaras. A medida que está acessível em nosso país, e até os Estados Unidos, que tem muito mais acesso e tem transmissão alta. Tem de usar máscara. Se isso acontecer de forma responsável, tem um impacto enorme”, afirma.

 

Nos Estados Unidos foi iniciada uma campanha para uso de máscaras por todos por quatro semanas. Naquele país, as mortes por COVID-19 ultrapassaram a barreira dos 4 mil em 24 horas em várias ocasiões, mas o uso da máscara não é obrigatório.

 

Para o diretor do CTI, a vacinação já iniciada ainda não é suficiente para refletir nesses indicadores. “Do ponto de vista de ocupação dos hospitais, o grande impacto será a vacinação das pessoas idosas, principalmente de 65 anos ou mais (…) Abaixo de 45 anos é muito incomum a admissão desses pacientes em UTI”, explica. Em Divinópolis, cerca de 3 mil pessoas foram imunizadas até o momento, entre profissionais de saúde e idosos com mais de 60 anos institucionalizados.

 

Reabertura do comércio

Sobre a mudança nas diretrizes do programa Minas Consciente, permitindo a abertura da atividade econômica também na onda vermelha, Lisboa acredita que não deverá impactar negativamente. “Quando falamos nas medidas, temos que refletir no que estamos liberando e como. Existem formas de fazer algum grau de liberação, como do comércio, eventualmente de alguns restaurantes, dentro de um critério de segurança individualizado e organizado”, argumenta.

 

Para ele, a “forma responsável” para permitir a abertura é garantindo o uso de máscaras. O médico afirma que, se a medida estivesse em prática desde o começo da pandemia, o cenário poderia ser diferente.

 

“O Contexto da pandemia foi muito equivocado. Porque as lideranças, tanto no nosso país, como nos EUA, e isso tem uma repercussão global, tiveram um comportamento inapropriado. Se fosse enfatizado que a medida mais eficaz é usar a máscara o tempo todo, talvez as coisas não tivessem caminhado desse jeito”, alerta. Para ele, mesmo com as atividades econômicas fechadas, a falta do uso de máscara não elimina o ritmo de contágio.

 

Por Uai