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Rádio Santana FM

Itaúna, 13 de maio de 2019

Foto: Internet/”Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás…”

Prof. Luiz Mascarenhas*

*Bacharel em Direito/Licenciado em História pela Universidade de Itaúna
 Historiador/Escritor/Membro Fundador da Academia Itaunense de Letras
Autor de “Crônicas Barranqueiras” e coautor de “Essências” e “Olhares Múltiplos”
Diretor da E.E. “Prof. Gilka Drumond de Faria”
Cidadão Honorário de Itaúna

No Livro do Eclesiastes, em seu terceiro capítulo lemos: “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo do céu”. O homem vive de tempos. Como se nos costurássemos por etapas; montando paulatinamente o nosso “eu”; uma autêntica colcha de retalhos humana: fragmentos de muitos em nós mesmos. O resultado – em sua grande maioria- é um ser disforme, atormentado por antagonismos e paradoxos. Contudo, segue o baile.

Por essa trilha, somos assaltados por duas figuras. O monstro do Dr. Victor Frankenstein e outra, bem mais leve, entretanto, tão enigmática quanto, Emília; boneca de pano costura por tia Nastácia, na imorredoura obra de Monteiro Lobato.

Emília não nos causa medo. Mas nos traz inquietude. Ela de tudo quer saber. Demasiadamente franca a ponto de ser censurada. É muito inteligente, determinada e dotada de grande perspicácia. Em seu interior de trapos, carrega muitas das angústias e dilemas das gentes. Seus olhos de retrós brilham a cada nova descoberta.

Frankenstein nos causa repulsa. Um amontado de carnes de cadáveres diversos, sem formosura ou empatia no olhar. No entanto, ao conhece-lo nos apiedamos de sua figura horrenda, mas dotada de sabedoria e com um coração desprendido e bondoso. Ele apenas quer viver.

Seremos nós, Emílias ou Frankensteins? Ou oscilamos entre os dois? Ora engraçadinhos e matreiros, ora assustadores e ensimesmados. Não obstante, tanto Emília quanto Frankenstein são incorrigivelmente humanos.

Final de ano batendo às portas. A chuva incessante, nos remete à introspeção, própria deste período; de balanços e reflexões em meio ao burburinho do comércio natalino, das comezainas e bebedeiras, dos atropelos e afoitezas da vida cotidiana. E tudo, como num passe de mágica, se renova na virada da folhinha.

Eis o tempo (Cronos e Kairós). E nós estamos aqui (de passagem). Fantástico esse texto: “Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra adiante vai ser diferente” (autor desconhecido).

Do mineiro de Itabira fica a lição: “Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo. Eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre”.

Termino com a mensagem cristã: “E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas”. Deixemo-nos pois renovar na Fé do Cristo. Se humanize, permita-se! E que todos nós – Emílias ou Frankensteins – não percamos nunca a ternura. “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás…”

Prezado leitor a você e sua família, desejo um Feliz e Santo Natal e um Ano Novo repleto de paz, alegrias e prosperidade!