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Rádio Santana FM

Itaúna, 5 de dezembro de 2020

alzheimer doença hereditaria

 

 

 

 

A controversa teoria de que “sementes” da doença de Alzheimer podem ser transmitidas entre pacientes durante procedimentos cirúrgicos envolvendo a doação de tecido humano pode ser reforçada por um estudo divulgado nesta semana. As informações são do jornal britânico “The Independent”.

Os cientistas encontraram uma ligação entre pacientes que receberam enxertos de tecidos nervosos algumas décadas atrás e a presença de uma proteína no cérebro, que normalmente é vista nos primeiros estágios do Alzheimer.

A pesquisa corrobora outro levantamento publicado em setembro passado, que afirmava que as pessoas que receberam injeções de hormônio do crescimento durante a infância abrigavam “sementes” da doença de Alzheimer no momento de sua morte, décadas depois.

Análise. O novo estudo foi realizado com amostras cerebrais armazenadas de oito pacientes que receberam enxertos de tecidos na Áustria e na Suíça, mas que haviam morrido de outra doença cerebral, a doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD). Ela é conhecida por ser transmitida durante operações que envolvem o tecido nervoso extraído de cadáveres humanos.

Sete dos oito pacientes, que morreram quando tinham entre 28 e 63 anos, contavam com aglomerados de uma proteína em seu cérebro chamada beta-amiloide (beta-A). Ela é vista nas fases iniciais do Alzheimer, mas é incomum na faixa etária dos indivíduos analisados.

Cinco dos ex-pacientes mortos também sofreram danos visíveis em vasos sanguíneos cerebrais causados pelo acúmulo da proteína beta-A – outro fator pouco comum na idade dos indivíduos analisados.

O levantamento comparou o cérebro dessas pessoas com o de vítimas de CJD e definiu que as características eram diferentes. Portanto, é provável que a causa da morte dos cinco indivíduos seja outra – provavelmente o enxerto.

Contágio. Outras possibilidades, no entanto, ainda devem ser avaliadas. Mas os cientistas cogitam que a beta-A tenha sido transmitida aos pacientes no momento em que houve a introdução cirúrgica da dura-máter, uma membrana que cobre o cérebro e a medula espinhal – que, na época, vinha de cadáveres, até a prática ser interrompida na década de 1980.

Essa é a pesquisa mais recente a defender a hipótese de que alguns procedimentos médicos podem, inadvertidamente, transmitir “sementes” do Alzheimer de uma pessoa para outra – embora ninguém cogite que a doença possa ser “contagiosa” a partir do toque de um portador.

“A presença da proteína beta-A em indivíduos jovens é extremamente incomum e sugere uma relação causal com os enxertos da membrana dura-máter”, ressaltam os pesquisadores do Hospital Universitário de Zurique e da Universidade de Medicina de Viena, liderados por Herbert Budka, do Instituto de Neuropatologia de Zurique.

“As evidências devem levar a avaliações da descontaminação de instrumentos cirúrgicos e de origem biológica, para assegurar a completa ausência de contaminantes potencialmente transmissíveis”.

Ausência

Proteína. No grupo de controle do estudo – composto por 21 pessoas que haviam morrido de CJD, mas que não haviam realizado enxertos cirúrgicos de dura-máter – não foram encontrados esses depósitos de proteína.

Injeções contendo hormônio do crescimento teriam ligação

 

No ano passado, outro estudo sobre Alzheimer destacou que um pequeno grupo de pessoas que haviam recebido, na época da infância, injeções de hormônio do crescimento preparado a partir de cadáveres humanos, e que morreram devido à doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD), também continham proteína beta-A no cérebro.
 

À época, o especialista John Collinge, diretor do Departamento de Doenças Neurodegenerativas da Universidade College London, no Reino Unido, explicou que poderia haver novas rotas para o desenvolvimento da doença de Alzheimer, por meio de instrumentos cirúrgicos contaminados ou de produtos médicos.