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Rádio Santana FM

Itaúna, 16 de agosto de 2019

Acontece no Povoado de Angicos em Carmo do Cajuru, nos dias 24 e 25 de agosto a 17ª edição da tradicional Festa do Carro de Boi.

O evento contará com shows ao vivo, e também com uma carreata de carro de boi com destino a comunidade de São Pedro.

A festa tem entrada gratuita para toda a comunidade participar, o telefone para mais informações é o (37) 9 9953-1956.

 

Programação:

 

24 de Agosto

19h Celebração da Palavra

20h Show sertanejo da dupla Pedro Paulo e Valdecí.

25 de Agosto

11h Carreata de carro de boi saindo do povoado de Angícos, com destino à comunidade de São Pedro. Show com a dupla Walisson e Marcelo.

História

O Carro de Boi está intimamente ligado ao Ciclo do Gado, onde foi utilizado intensamente como meio de transporte, e, ainda é em algumas zonas rurais.
Na pecuária do nordeste, que a princípio destinava-se a desempenhar o papel de atividade complementar à economia açucareiro, de setor fornecedor de alimento e força de tração aos engenhos, ganhou considerável impulso com a descoberta do ouro das Gerais, nos fins do século XVII.

O boi acompanhou o bandeirante, conviveu com o minerador e nos sertões de Minas Gerais  conquistou seu espaço, entre os chapadões e baixadas, às margens do rio São Francisco.

O carro de Boi foi utilizado para transportar toda a espécie de carga, além de passageiros, de senhorios para a missa e até noivos para o casamento. Rústico, modesto, vagaroso, o carro de boi foi, sem dúvida alguma, um dos fatores que muito concorreu para o progresso rural do Brasil.

Primeiro veículo de transporte que a nossa terra possuiu, o carro de boi, “afundando o chão” virgem do Brasil-Colônia e Império, nele escreveu, com os sulcos paralelos de suas rodas pesadas e maciças, os primeiros capítulos da história do povoamento e agricultura nacionais.

Ainda hoje, nas pequenas fazendas do nosso interior, onde, pela ausência de boas estradas a concorrência dos modernos e velozes veículos de carga ainda não chegou, ele continua com a sua morosidade característica, mas sempre utilíssimo, a desempenhar obscuramente a missão multissecular de transportar os produtos da terra dadivosa, dos campos de cultura para as sedes dos núcleos agrícolas

Nos primeiros tempos da colonização, além de manter em movimento a indústria açucareira da roça ao engenho, do engenho às cidades, o carro de bois mobilizou a maior parte do transporte terrestre durante os séculos XVI e XVII. Transportavam materiais de construção para o interior e voltavam para o litoral carregados com pau-brasil e produtos agrícolas produzidos nas lavouras interioranas. No Brasil colonial, além dos fretes, o carro de bois conduzia famílias de um povoado para outro muitas vezes transformado em “carro-fúnebre” e os carreiros precisavam lubrificar os “cocões” para evitar a cantoria em hora imprópria.

No início do século XVI, o carro de bois era ainda absoluto no transporte de carga e de gente. No Sul, no Centro, no Nordeste, era indispensável nas fazendas. No Rio Grande do Sul, as carretas conduziam para a Argentina e para o Uruguai a produção agrícola. Na Guerra do Paraguai, os carretões transportaram munições, mantimentos e serviram ainda como ambulâncias.

Em meados do século XVIII, entretanto, com o aparecimento da tropa de burros, o carro de bois perdeu sua primazia. Mais leves e mais rápidos, os muares não exigiam trilhas prévias e terrenos regulares. No final do século, vieram os cavalos para puxar carros, carroças e carruagens, e o carro de bois foi proibido por lei de transitar no centro das cidades, ficando o seu uso restrito ao meio rural.

Observa-se que o canto do carro de boi, é reconhecido como o som de um lamento ou gemido, é uma referência forte de nossa cultura- pois, o carro dotado de uma estrutura que não possui um diferencial musical, suas rodas travam durante as curvas, e durante este movimento o som é emitido, de forma estridente e característico som do cantador,  anunciando a sua passagem.