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Rádio Santana FM

Itaúna, 16 de setembro de 2019

Fonte: G1 Centro-Oeste

 

A justiça em Nova Serrana condenou nesta quinta-feira (5) Júnior Dias dos Santos, de 24 anos, por ter encomendado a morte dos pais em 2015. O rapaz foi sentenciado a 59 anos de prisão. Além dele, foram condenados a 38 anos de prisão, Alex Júnior Francisco e Vinicius Carivaldo de Lacerda, executores do crime.

 

O julgamento durou mais de 13 horas e foi realizado em uma sala com portas fechadas. A sentença foi proferida pelo juiz Paulo Eduardo Neves, que é da cidade de Pitangui. O júri foi formado por três homens e quatro mulheres.

 

Assim que o julgamento começou, uma das juradas passou mal e precisou de atendimento. O júri ficou suspenso por meia hora, contudo, todo o processo de julgamento foi encerrado por volta das 23h30 desta quinta-feira.

 

O crime

O casal foi encontrado morto em junho de 2015 dentro de uma caminhonete em uma estrada de terra perto do povoado de Areias, próximo a Leandro Ferreira. Havia marcas de violência nos corpos. O promotor responsável pela acusação informou que as provas “são irrefutáveis e comprovam que o filho do casal é o mandante do crime”.

 

Os empresários Itamar Lopes Santos e a esposa dele, Ivanilda Silva Santos, tinham uma indústria de calçados em Nova Serrana. Na ocasião, a Polícia Civil chegou a acreditar que o casal teria sido vítima de latrocínio, já que o dinheiro e vários objetos das vítimas foram roubados.

 

 

Investigação

Segundo a polícia, a investigação tomou um novo rumo quando investigadores localizaram o celular da empresária que estava registrado em um serviço de rastreamento. O aparelho tinha sido vendido por um dos acusados do crime.

 

Segundo o promotor Alderico de Carvalho, durante as investigações o acusado que vendeu o celular da vítima confessou o assassinato, contou quem era o outro executor e que os dois tinham sido contratados pelo filho mais velho do casal por R$ 15 mil para cometer o crime.

 

“No dia do crime, para ficar em apenas uma das provas, o Júnior, que é o mandante, ligou 22 vezes para o contratado, o matador de aluguel Vinicius. Além disso, nós temos a confissão e a delação dos executores. Temos outras pessoas que foram procuradas pelo Júnior, inclusive, adolescentes, que foram procurados para matar os pais”, explicou o promotor .

 

A versão do promotor foi confirmada pela defesa. Mas segundo um dos advogados de Júnior, ele desistiu do plano.

 

“Essa desistência ocorreu alguns dias antes do homicídio inclusive há nos autos inúmeras ligações do Júnior para o Vinicius justamente para evitar que isso acontecesse”, disse o advogado de defesa, Fernando Henrique Costa.

 

A acusação contestou o fato que ele pudesse ter desistido, já que segundo o promotor, as investigações comprovaram que Júnior Santos planejou a morte dos pais por quase um ano. Inclusive, quatro das 15 testemunhas indicadas pela acusação eram pessoas que tinham sido procuradas por Júnior para cometer o crime.

 

Na frente do juiz, uma pessoa que havia recebido a proposta para matar o casal confirmou que Júnior a procurou para executar outras duas, mas quando ele descobriu que seria os pais dele, desistiu de cometer o crime.

 

“Essas pessoas que foram procuradas foram ouvidas em juízo, mas numa espécie de ética criminosa se recusaram a cometer esse delito, falando que pai e mãe não se mata. Então temos várias e robustas provas que indicam que Júnior é o mandante. Inclusive ele confessou, em termos, dizendo que chegou a contratar pessoas para matar os pais, mas depois se arrependeu e mesmo assim os matadores de aluguel consumaram o delito”, pontuou Alderico.