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Rádio Santana FM

Itaúna, 23 de outubro de 2020

Bope precisou negociar liberdade das crianças – Foto Igarapé Online

 

Duas crianças veem o tio matar a mãe delas a facadas, depois elas são feitas reféns pelo homem que ameaça jogar o sobrinho de 4 anos do segundo andar do apartamento onde ocorreu o crime e intimida a menina de 11 anos com a mesma faca de cozinha em que a mãe dela foi morta. Esse é o enredo de uma tragédia familiar que ocorreu na cidade de Igarapé, na região metropolitana de Belo Horizonte, na tarde desta quarta-feira (14). O suspeito de 27 anos estava sob efeitos de drogas e a mulher vítima do crime estava grávida de quatro meses.

O caso começou quando a Polícia Militar foi acionada ,por volta das 13h, para a rua Miguel Henrique da Silva, esquina com 1º de maio, no centro de Igarapé: inicialmente, para uma ocorrência de briga, com uma mulher ferida. Ao chegar no local, os policiais descobriram que o homem tinha esfaqueado a irmã, Dayane Kectelle Mardjhone Castro e Silva, de 29 anos. Ela já tinha sido socorrida pelo pai dela. Com medo de ser preso, o suspeito pegou as duas crianças, filhas da mulher e sobrinhos dele, e as manteve como reféns.

 

Menino grita e pergunta pela mãe ao ser liberado pelo tio

 

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o menino de 4 anos sendo colocado pelo suspeito na janela do apartamento. É possível ver o menino gritando e chorando bastante desesperado. A residência fica no segundo andar e o tio senta o sobrinho e o exibe para a Polícia Militar, que tentava negociar a liberdade da criança. A irmã dele, de 11 anos, que também foi vítima do sequestro aparece do lado da janela olhando para fora e bem quieta.

“Ele insinuava que ia atirar o menino pela janela e isso aconteceu por várias vezes enquanto ocorriam as negociações. O menino começava a gritar toda vez que era colocado na janela no segundo andar e a menina ficou o tempo todo quietinha. Ela era ameaçada com a faca de cozinha grande que foi usada pelo suspeito para matar a mãe das crianças, que viram o crime”, contou o tenente-coronel Carlos Eduardo Itabirano, comandante da 7° Companhia Independente da Polícia Militar de Igarapé.

O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) deu início a uma negociação. Uma prima do suspeito e das vítimas que também é soldado da Polícia Militar foi chamada pelo criminoso. Ele liberou o menino para ela por volta de 15h e cerca de 40 minutos depois, a menina também foi liberada. Logo depois o suspeito se entregou.

“O menino saiu da casa gritando muito e perguntando o tempo todo pela mãe, queria saber como ela estava. A menina estava em choque. Os dois foram acolhidos pela prima e levados para o atendimento médico e psicologico”, explicou o comandante. A mulher chegou a ser levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Igarapé, mas ela não resistiu aos ferimentos e morreu. As crianças não tiveram ferimentos físicos.

 

Suspeito estava drogado e não explicou motivação para o crime

 

O suspeito, segundo a Polícia Militar, estava sob efeito de drogas e não conseguiu dizer a motivação para o crime. “Ele tem um histórico de uso de drogas e repetia por diversas que a irmã tinha colocado drogas na bebida dele. Não conseguia explicar a motivação para o crime, estava transtornado”, contou Itabirano.

O suspeito foi levado para atendimento médico e depois para a Delegacia de Polícia Civil de Betim, também na região metropolitana. O homem já tem passagem pelos crimes de desobediência, ameaça e uso e consumo de drogas.

A Polícia Civil informou que o corpo da mulher já foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) de Belo Horizonte e que a perícia esteve no local do crime, que será investigado.

Por O Tempo