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Rádio Santana FM

Itaúna, 18 de novembro de 2019

Falha no controle dos vetores, baixa cobertura vacinal, desinteresse da população e dificuldade de registrar as notificações. Esses são alguns dos fatores que contribuíram para Minas Gerais ter nove epidemias de três doenças desde 2009 (veja quadro). O avanço das enfermidades, algumas conhecidas, como a dengue, e outras que estavam há um tempo sumidas, como febre amarela, deixou milhares de pessoas doentes, chegando até a provocar caos na saúde pública, com unidades lotadas e necessidade de acionamento de planos de contingência desde 2009. Quase 1,5 mil moradores perderam a vida. Vivemos, ainda, a explosão de casos de enfermidades silenciosas, como a sífilis.
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Em 2019, não está sendo diferente. O estado passa por um aumento de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, e ainda tem um surto ativo de sarampo. O risco de novas moléstias atingirem o território mineiro e provocar mortes permanece. Especialistas apontam que tanto moradores quanto o poder público devem fazer sua parte. No caso da população, é necessário que cada pessoa tome medidas de prevenção e adote a cultura de vacinação. Ao governo cabe fazer campanhas e investir na área.
principal desafio desde 2009 tem sido a dengue. Houve epidemia no estado em cinco anos de lá para cá. Em 2010, foram 212.539 casos prováveis – que englobam os confirmados e os suspeitos – e 96 mortes. Em 2013, a situação foi pior, com 414.748 notificações e 107 óbitos. O ano de 2015 ficou com 194.112 registros, que resultaram em 78 mortes. A pior fase da enfermidade ocorreu em 2016, quando foram registrados 517.830 casos prováveis e 208 mortes. Neste ano, a situação também é crítica. Até 7 de outubro, as notificações chegavam a 481.294, com 144 óbitos. Ainda estão sendo investigadas as mortes de 110 pessoas.
Outros vírus transmitidos pelo Aedes aegypti também provocaram problemas de saúde e mortes no estado. Entre 2014 e 2019, foram registrados 31.333 casos prováveis de chikungunya. De 2017 para cá, são 18 óbitos em decorrência da doença. A zika deixou a população amedrontada, principalmente as gestantes, devido ao risco de microcefalia no bebê. De 2016 até 2019, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) registrou 15.171 casos prováveis.
transmissão do vírus Influenza –  da gripe –, que pode causar a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), muitas vezes fatal, é outro grande desafio para as autoridades de saúde. Em 2009, foram registrados no território mineiro 1.270 casos de SRAG ocasionada por Influenza e 214 mortes. Muitos dos doentes foram infectados pelo subtipo do vírus H1N1, que provocou uma pandemia naquele ano. Em 2016, foram 1.059 registros, mas com o aumento no número de óbitos, sendo 291 no total. O último boletim epidemiológico de gripe divulgado pela SES foi em 5 de agosto. Até aquela data, tinham sido notificados 2.712 casos SRAG. Desse total, foram confirmados 251 casos por Influenza e 306 provocados por outros vírus respiratórios. Entre os casos de Influenza, a síndrome provocada pelo H1N1 foi predominante, com um total de 201 registros desde janeiro. O H3N2 vem na sequência, com 18 casos, seguido do tipo A não subtipável, com 15 registros. O boletim registra 53 mortes em decorrência do Influenza.
As duas epidemias de febre amarela que atingiram Minas Gerais provocaram centenas de mortes e infectaram milhares de pessoas. Somente no território mineiro, 340 moradores perderam a vida em decorrência da enfermidade.
Na temporada 2017/2018, foram 178 óbitos. Ela foi considerada a pior epidemia da doença já registrada no país desde 1980, segundo o Ministério da Saúde. Um dos principais motivos para a infecção é a baixa cobertura vacinal. Em 2019, não houve registro de casos da doença em Minas.
Em contrapartida, uma doença que já tinha sido erradicada no Brasil voltou a se manifestar. Altamente contagioso, o sarampo já infectou 51 pessoas em Minas Gerais neste ano. Ainda estão sendo investigadas 368 notificações de suspeitas da enfermidade. Belo Horizonte é a cidade com o maior número de casos confirmados, segundo a SES. Ao todo, foram 16 pessoas com diagnósticos positivos até ontem. Como ocorreu com a febre amarela, a baixa cobertura vacinal é apontada como um dos fatores para o avanço do vírus.