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Rádio Santana FM

Itaúna, 1 de dezembro de 2020

Foto Google Maps

 

Dez barragens da Vale estão em nível de emergência e quatro delas estão com risco iminente de ruptura em Minas Gerais, segundo um relatório divulgado pela empresa, nesta quinta-feira (1). Estão em nível 3, ou seja com risco de romper, as barragens B3/ B4 da mina Mar Azul, em Macacos, na região metropolitana, Forquilha I e Forquilha III, em Ouro Preto, na região Central, e a Sul Superior, em Barão de Cocais, também na região Central.

De acordo com o comunicado da Vale estão sendo adotadas medidas de segurança para as barragens que estão em nível 2, ou seja situação de emergência e nível 3, quando há risco iminente ou ruptura em curso.

“A Vale vem mantendo os reservatórios rebaixados e minimizando o aporte de água, com a implantação de canais de cintura. Estruturas de contenção a jusante das barragens em nível 3 (backup dams) também estão em construção, com uma delas já concluída em março de 2020, relativa à barragem Sul Superior. A primeira fase das contenções relativas às barragens B3/B4 e Forquilhas I, II e III e Grupo foi concluída, mas, em função de ajustes em seu escopo, uma segunda fase está em andamento e tem previsão de conclusão para o quarto trimestre de 2020 (B3/B4) e segundo trimestre de 2021 (Forquilhas I, II e III e Grupo)”, informou a mineradora.

A Vale informou ainda que a barragem de Xingu, localizada na Mina Alegria, no Município de Mariana , também na região Central de Minas ” teve seu nível de emergência elevado de 1 para 2 em 29 de setembro de 2020. Originalmente classificada como empilhamento drenado, a estrutura foi reclassificada como barragem de rejeitos com método de alteamento a montante em setembro de 2020. Todas as barragens de rejeitos em nível 2 ou 3 de emergência estão contempladas no plano de descaracterização da Vale, cuja atualização está disponível no Portal ESG da Vale”, escreveu.

A Vale ainda tem nove barragens de rejeitos e de sedimentos que continuam sem Declaração de Condição de Estabilidade (DCEs) e suas respectivas Zonas de Autossalvamento (ZAS) estão evacuadas.

Minas é o Estado do Brasil com mais barragens proibidas de funcionar

Também nesta quinta-feira a Associação Nacional de Mineração (ANM) divulgou um estudo que mostra que Minas Gerais é o Estado que mais tem barragens proibidas de funcionar. Das 45 interdições feitas no Brasil, 42 foram em Minas e outra três no Amapá, Pará e Rio Grande do Sul.

A declaração de estabilidade da barragem deve ser entregue obrigatoriamente duas vezes ao ano: a primeira em março e a segunda em setembro. O documento é emitido por uma auditoria terceirizada que deve ser contratada pelas mineradoras. Caso ele não seja entregue ou a avaliação conclua que a estrutura não tem estabilidade, a ANM determina a paralisação das operações.

A nova lista reúne as barragens que não foram aprovadas nas análises que deveriam ser apresentadas em setembro. De acordo com o órgão, das 45 estruturas listadas, 36 já estavam paralisadas porque não haviam tido a estabilidade atestada em março. Com as novas avaliações, 391 barragens no país têm autorização para operar.

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais informou hoje (19) que encontrou o corpo de mais uma vítima do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.
 Barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. – Divulgação/Corpo de Bombeiros de Minas Gerais

A mineradora com o maior número de estruturas interditadas é a Vale. São 31 ao todo, todas em Minas Gerais. Nos últimos anos, a mineradora tem se envolvidos em grandes tragédias ambientais no estado. Em novembro de 2015, uma barragem da Samarco, joint-venture da Vale e da BHP Billiton, se rompeu em Mariana (MG) matando 19 pessoas e causando danos ao longo de dezenas de municípios da Bacia do Rio Doce. Em janeiro de 2019, outro desastre causou 270 mortes: a ruptura de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG).

Após essa segunda tragédia, um pente-fino levou à interdição de diversas barragens da mineradora. As paralisações foram determinadas não apenas pela ANM, mas também pela Justiça mineira, que atendeu a diversos pedidos formulados em ações movidas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para paralisar outras barragens e exigir a contratação de novas auditorias externas a fim de verificar a segurança das estruturas. Há casos em que a própria Vale se antecipou e interrompeu as operações.

Uma vez que a estabilidade não é atestada, automaticamente é acionado o nível 1 de emergência. Nos casos em que a gravidade da estrutura atinge nível de emergência 2 ou 3, é obrigatória a evacuação de todo o perímetro que seria alagado em caso de um rompimento. Atualmente, a Vale tem quatro barragens em nível 3, que significa risco iminente de ruptura. Muitos moradores permanecem fora de suas casas.

Por O Tempo/Agência Brasil