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Rádio Santana FM

Itaúna, 28 de novembro de 2020

Quando se pensa sobre o Carnaval, imagina-se uma festa tipicamente brasileira. Até costumamos afirmar que o ano começa mesmo somente depois do Carnaval. Esta festa se transformou em um dos grandes referenciais da cultura brasileira.

Isto acontece devido a um processo de construção de uma “imagem” para o nosso país que teve seu início durante o Governo Getúlio Vargas. Brasil seria o país do futebol, do carnaval e de lindas e sensuais mulatas…

No entanto, podemos afirmar que o carnaval não é uma festa brasileira. As pesquisas históricas nos levam até a Antiguidade Clássica e bem sabemos que os festejos de carnaval passaram por muitas transformações e se fizeram presentes em diferentes culturas do mundo. Até chegarmos ao Carnaval dos padrões hoje conhecidos, diferentes tipos de festa aconteceram com o mesmo nome.   Na Roma antiga, a Saturnália seria uma festa equivalente ao carnaval. Nela um “carro naval” percorria as ruas da cidade enquanto pessoas vestidas com máscaras realizavam jogos e brincadeiras.  Segundo outra corrente, o termo “carnaval” significa o “adeus à carne” ou “a carne nada vale” e, por isso mesmo, traz em sua significação a celebração dos prazeres terrenos. Já em outras pesquisas, alguns especialistas tentam relacionar as festas carnavalescas com os rituais de adoração aos deuses egípcios Ísis e Osíris.  O Carnaval – apesar da resistência de alas mais conservadoras – passou a contar com um período de celebração regular quando, no ano de 1091, a Igreja oficializou a data da Quaresma. Contando com esse referencial, o carnaval começou a ser usualmente comemorado como uma antítese ao comportamento reservado e à reflexão espiritual que marcam o período quaresmal. Assim, a festa carnavalesca passou a ser compreendida como um período onde as obrigações e diferenças do mundo cotidiano fossem anuladas.  Durante a Idade Moderna, os bailes de máscaras (ainda revividos em Veneza- Itália) e as fantasias e os carros alegóricos foram incorporados à festa. Com o passar do tempo, as características improvisadas e subversivas do Carnaval foram perdendo espaço para eventos com maior organização e espaços reservados à sua prática.

Já em finais do século XVIII era praticado por todo o Brasil. Consistia em brincadeiras e folguedos – o chamado “entrudo”, que variavam conforme os locais e os grupos sociais envolvidos. Com a chegada da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro, surgiram as primeiras tentativas de civilizar a festa carnavalesca brasileira,através da importação dos bailes e dos passeios mascarados parisienses, colocando o Entrudo Popular sob forte controle policial. A partir do ano de 1830, uma série de proibições vai se suceder na tentativa, sempre infrutífera, de acabar com a festa grosseira.

Em finais do século XIX, toda uma série e grupos carnavalescos ocupam as ruas do Rio de Janeiro, servindo de modelo para as diferentes folias. Nessa época, esses grupos eram chamados indiscriminadamente de cordõesranchos ou blocos. Em 1890, Chiquinha Gonzaga compôs a primeira música especificamente para o Carnaval, “Ô Abre Alas!”. A música havia sido composta para o cordão Rosas de Ouro que desfilava pelas ruas do Rio de Janeiro durante o carnaval. As fantasias mais tradicionais e usadas até hoje são as de PierrotArlequim e Colombina, originárias da commedia dell’arte.

 Atualmente, o prestígio alcançado pelos desfiles de carnaval, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, e o surgimento e a disseminação das chamadas micaretas trouxeram novas transformações ao evento. Alguns sociólogos chegam a afirmar que o sentido popular da festa se perdeu.

O mais importante é- para quem gosta- brincar o seu carnaval de maneira digna e evitando-se qualquer tipo de excesso. Afinal, eu tudo posso, porém, nem tudo me convém!

*1º Secretário da Academia Itaunense de Letras