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Rádio Santana FM

Itaúna, 5 de abril de 2019

Pará de Minas aguarda chegada da lama que vazou em Brumadinho

Jornalismo Santana FM

Os rejeitos de minério que vazaram estão descendo pelo Rio Paraopeba. Mas a velocidade desse movimento diminuiu. Os moradores de Pará de Minas estão em alerta.

Os dedos apontam para o que os olhos custam a acreditar. “Nossa mãe, o trem aí está uma tristeza só. Acabou tudo aí”, lamenta o agricultor João Marcos Soares da Silva.

São cerca de cem mil pessoas no caminho dos rejeitos. A Vale anunciou na segunda-feira (28) que vai instalar uma membrana para a retenção de sedimentos antes do ponto onde a água é captada para abastecer a cidade de Pará de Minas, a cerca de 40 quilômetros de Brumadinho.

Técnicos estiveram no fim da tarde desta terça-feira (29) no local, mas o equipamento só deve chegar na quarta-feira (30). “A todo momento a gente fica preocupado porque o rio está bem perto da gente. É muito triste, é muito triste mesmo”, diz uma moradora.

Um boletim divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil no fim da tarde avisa que a lama está se deslocando mais devagar. A previsão para a chegada dos rejeitos a Pará de Minas passou desta terça à noite para a quarta-feira.

Na cidade, técnicos monitoram a quantidade de partículas sólidas a cada 15 minutos. “A partir do monitoramento que está sendo feito, tão logo nós identifiquemos a aproximação dessa mancha, nós suspenderemos o abastecimento de forma preventiva”, disse Thiago Contage, superintendente da concessionária Águas de Pará de Minas.

O Paraopeba é uma das mais importantes fontes de abastecimento de Pará de Minas e uma das medidas emergenciais adotadas pela empresa responsável por este abastecimento é a reativação de seis poços artesianos na área urbana. Juntos eles são capazes de fornecer até 30 litros de água por segundo, o que ajudaria a minimizar os impactos à população. Testes, inclusive, já confirmaram que a água está boa para consumo.

A previsão é que a lama siga pelo Rio Paraopeba até chegar à usina hidrelétrica de Retiro Baixo, em Pompéu. O novo boletim aponta que não há mais como prever quando a lama chegará ao reservatório. Como medidas de segurança, as turbinas foram desligadas e só devem voltar a funcionar depois que os rejeitos deixarem de ser uma ameaça.

O objetivo principal é impedir que a lama chegue a usina de Três Marias e contamine a bacia do Rio São Francisco.

Com informações do G1