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Rádio Santana FM

Itaúna, 17 de setembro de 2019

Pará de Minas aguarda chegada da lama que vazou em Brumadinho

Jornalismo Santana FM

Os rejeitos de minério que vazaram estão descendo pelo Rio Paraopeba. Mas a velocidade desse movimento diminuiu. Os moradores de Pará de Minas estão em alerta.

Os dedos apontam para o que os olhos custam a acreditar. “Nossa mãe, o trem aí está uma tristeza só. Acabou tudo aí”, lamenta o agricultor João Marcos Soares da Silva.

São cerca de cem mil pessoas no caminho dos rejeitos. A Vale anunciou na segunda-feira (28) que vai instalar uma membrana para a retenção de sedimentos antes do ponto onde a água é captada para abastecer a cidade de Pará de Minas, a cerca de 40 quilômetros de Brumadinho.

Técnicos estiveram no fim da tarde desta terça-feira (29) no local, mas o equipamento só deve chegar na quarta-feira (30). “A todo momento a gente fica preocupado porque o rio está bem perto da gente. É muito triste, é muito triste mesmo”, diz uma moradora.

Um boletim divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil no fim da tarde avisa que a lama está se deslocando mais devagar. A previsão para a chegada dos rejeitos a Pará de Minas passou desta terça à noite para a quarta-feira.

Na cidade, técnicos monitoram a quantidade de partículas sólidas a cada 15 minutos. “A partir do monitoramento que está sendo feito, tão logo nós identifiquemos a aproximação dessa mancha, nós suspenderemos o abastecimento de forma preventiva”, disse Thiago Contage, superintendente da concessionária Águas de Pará de Minas.

O Paraopeba é uma das mais importantes fontes de abastecimento de Pará de Minas e uma das medidas emergenciais adotadas pela empresa responsável por este abastecimento é a reativação de seis poços artesianos na área urbana. Juntos eles são capazes de fornecer até 30 litros de água por segundo, o que ajudaria a minimizar os impactos à população. Testes, inclusive, já confirmaram que a água está boa para consumo.

A previsão é que a lama siga pelo Rio Paraopeba até chegar à usina hidrelétrica de Retiro Baixo, em Pompéu. O novo boletim aponta que não há mais como prever quando a lama chegará ao reservatório. Como medidas de segurança, as turbinas foram desligadas e só devem voltar a funcionar depois que os rejeitos deixarem de ser uma ameaça.

O objetivo principal é impedir que a lama chegue a usina de Três Marias e contamine a bacia do Rio São Francisco.

Com informações do G1