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Rádio Santana FM

Itaúna, 20 de abril de 2021

A Igreja Matriz de Sant’Ana foi testemunha de muito da História de Itaúna – Foto Adilson Nogueira

 

 

A Paróquia de Sant’Ana completa esta quarta-feira, 07/04, 180 anos de história. Com sua sede na Praça da Matriz, um dos principais e mais conhecidos pontos de Itaúna, a Igreja que carrega o nome da padroeira da cidade é um símbolo de fé e um marco na história de muitos itaunenses.

 

A Paróquia em suas redes sociais falou sobre a data . “Pedimos a todos os fiéis que nas suas orações agradeçam ao Senhor e a Sant’Ana pelas benção recebidas, mas também Lhes peçam que estendam o amor, compaixão, amparo, caridade, acolhimento ao próximo para que juntos, possamos nos fortalecer cada vez mais. Aqui vemos e sentimos a glória e a graça de Deus e reforçamos a nossa fé. Parabéns para a nossa Paróquia de Sant’Ana de Itaúna! E não se esqueça que você, fiel, é uma peça essencial na história da nossa querida Paróquia.”

 

 

 

História

 

Por Professor Luiz Mascarenhas

 

Sabe-se que pela Resolução nº 209, assinada pelo Presidente da Província de Minas Gerais (hoje cargo de Governador do Estado), Marechal Sebastião Barreto Pereira Pinto, o Curato de Sant’Ana foi elevado à Paróquia de Sant’Ana; abrangendo também o de Cajurú, em 07 de abril de 1841 (exatos 60 anos antes da criação do Município de Itaúna, que deu em 16 de setembro de 1901). Portanto, a Paróquia de Sant’Ana foi criada- por um ato do Governo do Estado pois –como já se elucidou acima- durante o império a Igreja estava subordinada ao Estado e os párocos eram considerados funcionário públicos

 

A Capela de Sant’Ana (hoje Igreja do Rosário) passou a funcionar como matriz, sendo seu primeiro pároco, o Pe. Antônio Domingos Maia (de 1841 a 1849). Como curiosidade a mesma lei, em seu artigo 4º, “obrigava a todos os habitantes das novas paróquias criadas a paramentar as igrejas matrizes com ornamentos e alfaias necessárias para a decente celebração do culto divino e a fazer às suas custas as Igrejas Matrizes se as capelas existentes não fossem conhecidas decentes para matrizes, ouvido nesta parte o ordinário”. 

 

Aqui, no arraial de Sant’Ana, os negros escravos, em suas horas de folga, construíram uma pequena capela em honra a Nossa Senhora do Rosário em um grande largo, onde se findava a aglomeração urbana do arraial. Esse largo hoje corresponde a atual Praça “Dr. Augusto Gonçalves”.

 

Quando do governo paroquial do Revmo. Pe. João Baptista de Miranda (entre 1852 a 1863) estiveram presentes em nossa Paróquia uma Missão dos Frades Franciscanos Capuchinhos, ditos “barbôneos”, oriundos da Itália, chefiados pelo Frade Eugênio Maria de Gênova, com os objetivos da Propaganda “Fidei” de Roma.

 

Foi pela influência destes que, observando o progresso do povoamento local, sugeriram e concretizaram a troca das igrejas em 1853. Verificaram que, a Igreja Matriz localizava-se no alto de uma colina (hoje o Morro do Rosário) dificultando assim o acesso de seus fiéis e a Igreja do Rosário (dos negros escravos e forros) estava muito bem localizada, em amplo largo. Portanto, realizaram essa troca, justificando-se em cima de acontecido pouco provável: a imagem de Nossa Senhora do Rosário aparecia pelas manhãs “misteriosamente” na capela de cima; daí “deduziram” que ela gostaria de lá permanecer. E até os dias que correm, uma imagem de Nossa Senhora do Rosário ainda sobe o morro, rodeada pela Corte do Reinado, com suas caixas, batuques e cantos em seus festejos; hoje a mais tradicional de nossas festividades religiosas e culturais.

 

Portanto, historicamente, a partir do ano de 1853, a Igreja Matriz de Sant’Ana foi instalada no largo (hoje Praça “Dr. Augusto Gonçalves) bem antes de se existir um município de Itaúna.  A partir dessa data, se começou a pensar na ampliação da antiga Capela dos Negros (do Rosário) para sua adaptação à Matriz de Sant’Ana.

 

Por essa mesma data, 1853, os freis barbôneos, construíram um novo cemitério, pois o antigo ao lado da Capela de Sant’Ana (hoje Igreja do Rosário) havia ficado exíguo devido ao crescimento populacional do arraial de Sant’Ana. Este segundo cemitério era confessional, ou seja, pertencia à Paróquia, erigido em terreno doado pelo Cel. Felizardo Gonçalves Cançado; que residia em amplo sobrado onde hoje se edifica o Colégio Sant’Ana. Muito provavelmente todo o terreno da atual praça “Dr. Augusto Gonçalves” foi de propriedade deste. Posteriormente, esse casarão foi moradia do Cel. Laurindo Nogueira; cujo nome hoje se dá à rua lateral ao Colégio Sant’Ana; de onde – em pedreira hoje adormecida – vieram as pedras para a construção do muro do antigo cemitério, que funcionou até o ano de 1933. A Paróquia perdeu ali valioso patrimônio hoje ocupado pela E.E.”José Gonçalves de Melo”, Clube “União Operária” e sede dos Correios. Consta nos anais de nossa História que o primeiro sepultamento nessa necrópole foi do escravo Fortunato, de propriedade do Cel. Felizardo Gonçalves Cançado.

 

A antiga Capela do Rosário – já constituída em nova matriz- na atual Praça “Dr. Augusto Gonçalves” começou a ser ampliada em 1854. Grandes fazendeiros da época se reuniram para tratar do assunto, doando os materiais para a obra: Sargento-mor Nicolau Coelho Duarte, Tenente-coronel Antônio Lopes Cançado, guarda-mor Antônio de Souza Moreira, Tenente José Ribeiro de Azambuja (construtor da Capela do Bonfim, atendendo pedidos dos frades barbôneos no alto do Morro de Santa Cruz – hoje Morro do Bonfim) e o sargento-mor Manoel Gonçalves Cansado.

 

Havia defronte a esta antiga Igreja Matriz de Sant’Ana uma grande paineira. Por não ser árvore nativa, atesta a antiguidade do povoamento. Ela figura em algumas fotos da construção da atual Igreja Matriz; o que vem a testar que não existia nenhum tipo de arruamento ou urbanização em torno do templo; a não ser um grande e vasto pasto ou largo como se denominava.

 

A ampliação da Capela do Rosário do largo (hoje Praça “Dr. Augusto Gonçalves) custou a vida de João Júlio César Silvino, carpinteiro que trabalhava nas obras da cobertura em 1857 e que se precipitara ao chão. No Livro de Óbitos nº 01, da Paróquia Sant’Ana consta o lançamento de seu sepultamento no interior da igreja, pelo fato de estar trabalhando nas obras.

 

Este templo adaptado à pequena Capela do Rosário dos Negros (a antiga Capela do Rosário ao término da ampliação, por volta de 1875, ficou servindo como a sacristia da nova Igreja Matriz). A antiga Matriz passou por diversas reformas, em 1916 e em 1929, quando foi demolido o muro de pedras que cercava a atual Capela do Rosário, bem como a reforma dessa Capela; já lhe desfigurando a originalidade (ameaçava desabar, quando lhe foram erguidas outras paredes externas; resguardando as originais; daí a diferença que havia no óculo por sobre a porta principal).

 

Com a criação da Agência do Correio de Sant’Ana do São João Acima em 17 de fevereiro de 1877, surge embrionário o sonho de nossa emancipação político-administrativa. E em 1895, com a fundação da Companhia de Tecidos Santanense, Sant’Ana do São João Acima, confirma o seu progresso na região e entra finalmente pelas veredas da industrialização.

 

Itaúna se emancipou da vizinha Pará de Minas em 16 de setembro de 1901, pela Lei nº 319, assinada pelo Dr. Silviano Brandão, então Governador de Minas. Porém, a instalação do Município se deu no dia 02 de janeiro do ano seguinte, quando com pompa e circunstância se festejou nossa emancipação político-administrativa e foi instalada a Câmara Municipal. 

 

 

 

Antiga Matriz

 

A Igreja Matriz de Sant’Ana foi testemunha de muito da História de Itaúna

 

A antiga matriz de Sant’Ana de 1853 tinha pintura interna realizada pelo artista Pedro Campos da cidade de Sabará, auxiliado por Antônio dos Santos – conhecido como Tonho do Bá e com as sucessivas reformas, desapareceram as pinturas do século anterior e no ano de 1916, passou por grandes reparos realizados pelo Pe. João Ferreira Álvares da Silva. Também em 1926, outras reformas pelo Pe. Cornélio Pinto da Fonseca.

 

Como um bom exemplo da presença católica e dos eventos da Paróquia Sant’Ana nos tempos antigos, citamos que havia bem próximo à porta da Igreja Matriz um cruzeiro de madeira que fora erguido no dia 10 de agosto do ano de 1926 devido as comemorações das SANTAS MISSÕES em Itaúna, proferidas pelos missionários Pe. Geraldo, Pe. Clemente e Pe. Chrysostomo, “durante 12 dias com muito fruto espiritual”. Nestes dias de missões, os trabalhos foram intensos e os resultados, satisfatórios; sendo realizadas: 12.080 comunhões, 4.110 confissões e três casamentos.  O Pe. Cornélio Pinto da Fonseca, que foi o 6º pároco de Sant’Anna, registrou no Livro de Tombo, informando que muitas pessoas afastadas da prática religiosa confessaram com os missionários e passaram a frequentar a igreja novamente.

 

O encerramento dessas missões se deu no dia 22 de agosto de 1926, com uma procissão de 5 mil fiéis aproximadamente, os homens percorreram as ruas ao derredor da Matriz conduzindo a cruz de madeira que havia sido benta pelo missionário Pe. Geraldo; enquanto isso, as mulheres ficaram esperando em frente da igreja. Não se descreve o espetáculo arrebatados que foi quando a Santa Cruz penetrou no Largo: palmas de todas as mãos, vivas calorosos e prolongados de todos os feitos bem fizeram sentir que Jesus com a sua Cruz redentora vive, reina e impera em todos os corações!

 

Neste mesmo ano de 1926, o Pe. Cornélio fez um “remodelamento da Matriz”. Eis o relatório: “A Matriz estava em condições nojentas e miseráveis. Com a graça de Deus e pela reforma completa que sofreu, tomou outro aspecto bem agradável. O telhado onde se alojavam milhares de morcegos foi todo removido e outra vez engessado; as paredes caiadas; as grades que no centro da Matriz formavam uma espécie de V foram suspensas como também 2 púlpitos à altura do côro nas paredes; no assoalho foi aplanado e aí colocados bancos; todas as figuras muito mal pintadas no forro e outros lugares foram cobertas por nova tinta a óleo. A importância deste gasto foi de 6:848$145 (seis contos, oitocentos e quarenta e oito mil e cento e quarenta e cinco réis) “(TOMBO, p.14).

 

O historiador João Dornas Filho na sua argúcia de pesquisador, não deixou também de escrever sobre as “Lendas e Tradições” de Itaúna, as quais, fazem parte da construção da história de um povo.  Dornas (p.99) diz que: “numa das torres da velha matriz existia um galo de lata, de significação litúrgica. Se caso esse galo, por efeito do vento, voltava o bico para o lado do cemitério, grandes mortandades se verificavam na cidade…”.

 

Esta velha Igreja Matriz, depois de quase um século de existência, entre 1853 a 1933, e tendo passado por inúmeras reformas, após sua ampliação a partir de 1854 até 1929 ameaçava ruína, por se tratar de obra de tosca alvenaria, de adobes e taipa de pilão.  Sobre o estado de conservação da igreja matriz, o Pe. Inácio informou: “urge a construção de um novo templo para satisfazer as exigências espirituais da paróquia. O estado de conservação da atual matriz é deplorável, comporta muito mal o povo e destoa completamente do conjunto da cidade.

 

Finalmente, foi demolida no ano de 1934, ainda sob o paroquiato do Pe. Ignácio Fidélis Campos.

 

No dia 08 de abril, às 10 horas, foi realizada a transladação das imagens para a recém construída capela Imaculada Conceição (1930) e o Santíssimo Sacramento foi levado para a capela do Rosário, que curiosamente, voltava a funcionar como a Matriz até a conclusão das obras. A igreja foi limpa e sua chave entregue ao tesoureiro para dar prosseguimento aos planos de demolição. Ainda no ano de 1934, uma sala do solar dos Cerqueira Lima, na rua Silva Jardim esquina com rua Arthur Bernardes (hoje rua Prof. Francisco Santiago) ficou servindo como capela provisória; bem como o antigo Teatro Municipal, na praça da Matriz.

 

Durante certo período, a nova Matriz de Sant’Ana teve sua construção iniciada em outro logradouro, onde havia sido o segundo cemitério, extinto em 1933. Planta do arquiteto italiano, Rafaello Berti, que trabalhara na construção da nova Capital de Minas. As pedras para o alicerce, que chegou a ser construído, vinham da pedreira detrás da residência do Cel. Laurindo Nogueira (hoje o Colégio Sant’Ana). Havia um trole que corria sobre trilhos da pedreira ao local da construção; findo os trabalhos do dia, era o veículo das brincadeiras e traquinagens da meninada da época.

 

Porém, a Comissão nomeada pelo Vigário, Revmo. Pe. Ignácio Campos se assustou com os 50 contos de réis, consumidos apenas na construção dos alicerces do novo templo. Logo, o Pe. Ignácio foi “transferido” para Belo Horizonte. O novo pároco, Revmo. Pe. José Augusto Ribeiro Bastos, aqui chega em 1934; sem uma Igreja Matriz e com as obras paralisadas no antigo cemitério.

 

Outra Comissão foi formada pelo Cel. João de Cerqueira Lima, Dr. Dario Gonçalves de Souza (filho do Dr. Augusto Gonçalves, o Criador do Município de Itaúna e pai do Dr. Miguel Augusto Gonçalves de Souza – Fundador da Universidade – e também um de nossos Historiadores) e o Dr. Alcides Gonçalves de Souza. Novo projeto foi feito para a Igreja Matriz de Sant’Ana, agora da autoria do arquiteto Luis Signorelli, também um dos famosos arquitetos que atuaram na construção de Belo Horizonte. Aqui, os engenheiros, Dr. Lauro Gonçalves de Souza e o Dr. Morávia Júnior (então o Engenheiro da Rede Ferroviária, que residia na famosa “Casa do Engenheiro”), orientadores do mestre de obras Antônio Lopes Cansado que levou a cabo o projeto; que também não se concluiu em sua totalidade, havendo muitas adaptações da planta original.

 

Em artigo para a revista “Acaiaca”, o Monsenhor Hilton Gonçalves de Souza, expressou sua indignação sobre o não cumprimento de acatar o projeto original da planta dos arquitetos Raffaelo Berti e Luiz Signorelli, o qual, denominou a construção de “aleijão arquitetônico” da nova matriz –  que é,salvo engano – uma deturpação da planta de Signorelli! 

 

No ano 2000, em uma obra póstuma, comemorando o centenário do arquiteto Raffaello Berti; Mário Berti, lançou o livro “Raffaello Berti Projeto Memória”. Nas páginas de números 41 a 43, há uma reprodução da planta original da Igreja Matriz de Sant’Ana de Itaúna. O sino grande desta velha igreja encontra-se hoje no Museu Municipal “Francisco Manoel Franco”, com o brasão do Império do Brasil nele grafado.

 

 Igreja Matriz de Sant’Ana

 

Em nossa Itaúna, portanto, estamos no terceiro edifício religioso que detém essa nomenclatura. O primeiro foi no alto do monte, dito do Rosário. Ali chegou por estas cercanias a veneranda imagem da Senhora Sant’Ana em cedro que hoje repousa no púlpito da atual igreja; oriunda de Portugal, da cidade de Setúbal, por volta do ano de 1735. A segunda matriz existiu na atual Praça “Dr. Augusto Gonçalves”, entre 1853 até 1933, quando da sua demolição. E finalmente a atual; imponente e majestosa, a dominar a cena itaunense. Em seu campanário repicam os bronzes: sino pequeno – de som muito agudo e alto- o “meião”, mais apurado e montado em um mecanismo que o permite dobrar e o sino grande, de pancadas solenes e graves. São cinco os sinos que badalam nos dias festivos.

 

A Matriz é um universo a parte da cidade. Transpor seus umbrais é como migrar para um mundo paralelo; o universo da Fé, da religiosidade de nossa gente; com suas cores, cheiros, sons e mistérios. Possui vasta nave central, um belíssimo altar-mor em mármore carrara  (conta-se que este altar teria sido adquirido para a Catedral da Boa Viagem em Belo Horizonte e uma vez o espaço do presbitério não o comportando, foi adquirido e doado à nossa Matriz, pelo benemérito Cel. João de Cerqueira Lima- há nele uma placa comemorativa dessa efeméride) e outros quatro altares laterais; a saber: São Sebastião, Nossa Senhora de Fátima, Sagrado Coração de Jesus e São José- todos também em mármore. Além de seu solene órgão litúrgico, que empresta beleza e enobrece o culto.

 

 A Igreja Matriz de Sant’Ana foi testemunha de muito da História de Itaúna.  E ela foi mudando ao longo dos anos. Recebendo reformas, restauros e melhorias…Sempre muito bela e altaneira, com o toque cotidiano do relógio, como a comandar a vida dos itaunenses. É a Casa do Senhor: “Domus Dei”; toda iluminada no silêncio da noite ou ao alvorecer, com os primeiros raios de sol filtrados pelos belíssimos vitrais.

 

A Igreja Matriz de Sant’Ana é o grande patrimônio do povo de Itaúna. Patrimônio religioso, artístico e cultural. É nosso principal cartão postal. O marco zero de Itaúna. Resume em sua existência a origem e a alma do povo itaunense.

 

A PRAÇA DA MATRIZ 

 

 

A urbanização e o ajardinamento da nossa Praça “Dr. Augusto Gonçalves” se deu no primeiro Governo do Prefeito Dr. Milton de Oliveira Penido, cujo mandato se deu entre 1955 e 1959. Portanto, é dessa época o traçado da Praça “Dr. Augusto Gonçalves” que permaneceu por várias décadas até a reforma mais atual, mas não sendo portanto o traçado tradicional do antigo Largo da Matriz, que inclusive já contou com bela alameda de palmeiras imperiais em seu centro e não havia ainda nenhuma fonte luminosa, também obra do Dr. Milton Penido; o que lhe rendera o jocoso apelido de “bacia do Milton”.

 

O antigo Largo da Matriz foi em 25 de outubro de 1930, através de uma portaria do então Prefeito, Cel. Arthur Contagem Vilaça, foi transformado em Praça “João Pessoa”. Isso devido ao assassinato do líder paraibano, da chapa Getulista, que acabou desaguando na “Revolução de 30”. Outro prefeito na reviravolta política e outro nome para a nossa praça principal. A então Praça “João Pessoa” se torna Praça “Mário Mattos” na caneta do Prefeito Dr. Lincoln Nogueira Machado. Com Vargas no Poder, outra mudança na política local e temos novamente outro nome para a praça. De Praça “Mário Mattos” para Praça “Benedito Valadares”. Finalmente, nova nomenclatura: de Praça “Benedito Valadares” para Praça “Dr. Augusto Gonçalves”; justa homenagem ao criador do município e nosso primeiro prefeito (à época chamado de Agente Executivo e Presidente da Câmara). 

 

A NOVENA DA PADROEIRA 

 

Oficialmente, a solene Novena da Padroeira Sant’Ana acontece, de forma ininterrupta desde o ano de 1841, quando o pequeno arraial de Sant’Ana – então um Curato, pertencente à Paróquia de Pitangui –  foi elevado à categoria de Paróquia. 

 

Contudo, a devoção à Mãe de Nossa Senhora é bem mais antiga nestas terras. A veneranda imagem de Sant’Ana, entalhada em cedro e com douramentos barrocos, que se encontra hoje no púlpito da Igreja Matriz de Sant’Ana, aqui chegou no longínquo ano de 1735. Falemos um pouco sobre essa velha judia, Sant’Ana, que se tornou oficialmente a Padroeira de Itaúna, através de uma Bula do Papa, Santo João XXIII, no ano de 1961. Estas importantes Letras (documento da Sé Apostólica) encontram-se afixadas na sacristia da Matriz de Sant’Ana, em latim, com uma transcrição em português logo abaixo. Em festas anteriores, este documento era levado na Solene Procissão de Sant’Ana, pelas ruas de nossa cidade, conduzido por figuras de anjos.

 

SANTA ANA OU SANT’ANA (do latim Anna, por sua vez do hebraico transliterado Hannah, “Graça”) foi mãe de Maria, avó materna de Jesus Cristo. Os dados biográficos que sabemos sobre os pais de Nossa Senhora foram legados pelo Proto-Evangelho de Tiago (um dos chamados Evangelhos Apócrifos) obra citada em diversos estudos dos padres da Igreja Oriental, como Epifânio e Gregório de Nissa.

 

Sant’Ana, pertencia à família do sacerdote Aarão e seu marido, São Joaquim, pertencia à família real de Davi.  Seu marido, São Joaquim, homem pio fora censurado pelo sacerdote Rubem por não ter filhos. Mas Sant’Ana já era idosa e estéril. Confiando no poder divino, São Joaquim retirou-se ao deserto para rezar e fazer penitência. Ali um anjo do Senhor lhe apareceu, dizendo que Deus havia ouvido suas preces. Tendo voltado ao lar, algum tempo depois Sant’Ana ficou grávida. A paciência e a resignação com que sofriam a esterilidade levaram-lhes ao prêmio de ter por filha aquela que havia de ser a Mãe de Jesus.

 

Eram residentes em Jerusalém, ao lado da piscina de Betesda, onde hoje se ergue a Basílica de Santana; e aí, num sábado, 8 de setembro do ano 20 a.C., nasceu-lhes uma filha que recebeu o nome de Miriam, que em hebraico significa “Senhora da Luz”, passado para o latim como Maria. Maria foi oferecida ao Templo de Jerusalém aos três anos, tendo lá permanecido até os doze anos.

 

A devoção aos pais de Nossa Senhora é muito antiga no Oriente, onde foram cultuados desde os primeiros séculos de nossa era, atingindo sua plenitude no século VI. Já no Ocidente, o culto de Santana remonta ao século VIII, quando, no ano de 710, suas relíquias foram levadas da Terra Santa para Constantinopla, donde foram distribuídas para muitas igrejas do ocidente, estando a maior delas na igreja de Sant’Ana, em Düren, Renânia, Alemanha.

 

Seu culto foi tornando-se muito popular na Idade Média, especialmente na Alemanha. Em 1378, o Papa Urbano IV oficializou seu culto. Em 1584, o Papa Gregório XIII fixou a data da festa de Sant’Ana em 26 de Julho, e o Papa Leão XIII a estendeu para toda a Igreja, em 1879.Em França, o culto da Mãe de Maria Santíssima teve um impulso extraordinário depois das aparições da santa em Auray, em 1623.

 

Tendo sido São Joaquim comemorado, inicialmente, em dia diverso ao de Sant’Ana, o Papa Paulo VI associou num único dia, 26 de julho, a celebração dos pais de Maria, mãe de Jesus.

 

Assim sendo, no dia 26 de julho comemora-se também o Dia dos Avós.

 

Em nossa cidade de Itaúna, Sant’Ana ocupa um lugar de grande honra e destaque. Afinal, “foi Sant’Ana de São João Acima /desta forma criada em Gerais”. Nosso gentílico primitivo era santanense; ou seja, aquele nascido em Sant’Ana do Rio São João Acima.

 

Todos os anos, a Paróquia Sant’Ana de Itaúna movimenta-se para honrar sua Padroeira. Uma equipe diretamente envolvida de aproximadamente mil pessoas; espalhadas pelos mais variados servidos litúrgicos, pastorais e da parte social e recreativa das festividades.

 

Nosso revmo. Pároco, Pe. Everaldo Quirino vem demonstrando todo o seu zelo pastoral, dedicação evangélica e acuidade e profícuo trabalho na organização e condução desta grande solenidade. Verdadeiro pastor que guiam o rebanho de Cristo para a Itaúna do alto; nossa Jerusalém Celeste!

 

Os santos são a Glória de Deus. Porém, como católicos professamos publicamente a Fé em JESUS CRISTO, nosso único Senhor e Redentor da Humanidade. A santidade dos santos, provém de Deus. Da Santíssima Trindade. Os santos são modelos de homens e mulheres que viveram a Palavra e amaram ao Senhor com suas Vidas!

 

Para os católicos, após as Festividades da Páscoa e do Natal; a maior das solenidades é a de seu padroeiro. O novenário é um verdadeiro kairós, ou seja, um tempo forte e propício à oração e a escuta vivaz da Palavra de Deus. É dever e grave do povo católico conhecer bem a Doutrina da Igreja; assim como buscar vive-la e com alegria em seu dia a dia, uma vez que toda ela provém da Sagrada Escritura.

 

Párocos:

 

De forma resumida, podemos assim nomear os sacerdotes que estiveram à frente de nossa paróquia e um pouco da obra que cada um fez na edificação do Reino de Deus entre nós: 

 

O 1º Pároco – O revmo. Pe. Antônio Domingues Maia (de 1841 a 1849) “que deixou uma larga tradição de operosidade e brandura, devendo-se a ele vários empreendimentos de vulto para o tempo, entre os quais um muro de pedra em torno do único cemitério que existia no lugar, no adro da matriz do alto do Rosário, e que era vedado por uma cerca de aroeira” (DORNAS, 46).

 

O 2º Pároco – Pe. João da Cruz Nogueira Penido (1849- 1852) pairam dúvidas se recebeu mesmo a provisão para este importante cargo eclesiástico em nossa região. Deixando a Paróquia de Sant’Ana foi eleito Deputado Provincial.

 

As tramitações para ser o Pároco não eram como nos dias de hoje. O Governo abria uma espécie de edital público para os sacerdotes candidatos e que após as provas de Títulos e outras, tomavam posse da Paróquia como vigários colados, isto é, gozavam de irredutibilidade de vencimentos (as côngruas-pagas pelo Governo) e eram irremovíveis. Eram tidos como funcionários públicos e como não havia os cartórios-todos os registros eram feitos pelo Pároco, na Casa Paroquial: Atestado de Batismo (hoje a certidão de nascimento), do matrimônio, de óbito e os registros de terras.

 

O 3º Pároco – Pe. João Batista de Miranda (1852-1863) fez a legalização de muitas terras do arraial de Sant’Ana, num total de 150 declarações de propriedade (escrituras), pois antes dele, muitas propriedades eram conseguidas por posse e sem documentação, sendo ignoradas pelo Governo da Província.

 

O 4º Pároco – Pe. Antônio Maximiano de Campos (1863-1902) foi uma espécie de “prefeito interino”, pois foi ele quem organizou a primeira Câmara Municipal (o Pároco escolhia os “homens bons” do lugar para integrarem as primeiras Câmaras e as reuniões aconteciam na igreja) e deu andamento a todo o processo de sua instalação, no dia 1º de janeiro de 1902. Ser vereador era uma honra para o cidadão e, portanto, não havia nenhum tipo de salário para esta função.

 

O Dr. Augusto Gonçalves de Souza Moreira foi “eleito” para ser o primeiro Presidente da Câmara e Agente do Executivo Municipal (hoje cargo de Prefeito) e o Pe. Antônio Maximiano de Campos foi nosso primeiro Vice-prefeito.  O Pe. Antônio terminou as obras de ampliação da antiga Matriz de Sant’Ana (na praça atual; demolida em 1934) e foi também o presidente do “Clube Literário e Progressista” de 1884 a 1885 e foi ele quem abençoou as instalações da Companhia de Tecidos Santanense no dia 07 de setembro de 1895. Encontra-se sepultado no interior da Igreja Matriz de Sant’Ana, debaixo da escala que dá acesso ao coro.

 

O 5º Pároco – Pe. João Ferreira Álvares da Silva (1902-1924), fez uma grande reforma na Matriz velha da praça em 1916. Em 14 de novembro de 1919, participou da benção do prédio (hoje em ruínas) da Casa de Caridade “Manoel Gonçalves de Souza Moreira” junto com o Arcebispo de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta. Pe. João que fez a inauguração da capela do Hospital velho em 1922.

 

Com seu jeitão esparramado e alegre, frequentava as festas e gostava de cantar. Fumava cigarro de palha e meio asmático, tossia muito…. Esfregava sua barba por fazer nas moças e sempre dizia: “eita Itaúna que deu moças bonitas esse ano…” Todavia, era muito respeitado e presente na vida dos itaunenses.

 

Hoje seu nome é homenageado no antigo Largo dos Passos (dizia-se “praça da Delegacia” no bairro da Piedade/centro, aonde existiu a Capela dos Passos entre 1894 até 1948). Está sepultado na Matriz de Sant’Ana.

 

O 6º Pároco –  Pe. Cornélio Pinto da Fonseca (1924-1928) fez uma grande revolução espiritual em Itaúna. Conduziu reformas na velha Matriz da praça em 1926 e em 1927 benzeu a pedra de fundação da Capela Imaculada Conceição.

 

O 7º Pároco –  Pe. José Joaquim Batista de Queiróz (1928- 1931) foi quem inaugurou a Capela Imaculada Conceição em 1930. Demoliu um muro de pedras que cercava a Igreja do Rosário e lhe fez a primeira grande reforma – que infelizmente a descaracterizou por completo em 1929- pois esta ameaçava desabar. Também fundou uma excelente biblioteca paroquial, que lamentavelmente desapareceu nos anos após sua saída da paróquia.

 

O 8º Pároco – Pe. Inácio Fidélis Campos (1931-1934) era enérgico e trabalhador. Fundou um jornal paroquial em 1932, chamava-se “O Semeador”. Fundou um ginásio que funcionou na rua Direita (hoje Getúlio Vargas). Em 17 de abril de 1932 inaugurou a Capela do Sagrado Coração de Jesus em Santanense (que foi demolida para dar lugar a nova matriz) e iniciou a construção da nova Igreja Matriz de Sant’Ana no local do velho cemitério (hoje EE “José Gonçalves de Mello), obra que nunca saiu dos alicerces…

 

O 9º Pároco – Pe. José Augusto Ribeiro Bastos (1934-1938) era tido na época como “o padre chique”. Usava uma longa capa por cima de sua batina negra de tecido brilhante e sempre com um barrete ajustado à cabeça. Diziam que tinha panca e pose de cardeal. Foi o construtor da atual Igreja Matriz de Sant’Ana.

 

O 10º Pároco – Pe. Waldemar Antônio de Pádua Teixeira (1938-1943) muitos ainda guardam saudosas lembranças…. Foi o Pe. Waldemar quem terminou a construção da nova Igreja Matriz de Sant’Ana na praça “Dr. Augusto Gonçalves”. Promoveu a benção solene da nova Matriz e a sagração do altar –mor (doação do Cel. João de Cerqueira Lima) em 26 de janeiro de 1941.

 

O 11º Pároco – Cônego José Ferreira Netto (1943-1985) de saudosa e feliz memória- construiu o côro e os altares laterais da Igreja Matriz de Sant’Ana. Construiu também as capelas das Graças, de Nossa Senhora Aparecida e de São José em Garcias. Foi um dos fundadores do Colégio Sant’Ana e idealizador da Granja escola São José.

 

Temos ainda dentre suas obras, o antigo lactário, a Pastoral Carcerária que desaguou na APAC atual; foi Diretor da Escola Estadual de Itaúna, entre 1966 e 1970 e ainda construiu e reformou muitas capelas rurais como do Córrego do Soldado, Cachoeirinha, Vista Alegre, Paulas e Santo Antônio da Barragem. Construiu ainda a nova Casa Paroquial, hoje o Centro Pastoral “Cônego José Ferreira Netto”. Sem dúvidas, o preclaro Cônego José Ferreira Netto foi sacerdote de grande destaque nas páginas de nossa História.

 

O 12º Pároco – Pe. Luiz Carlos Amorim (1985- 1991) promoveu uma grande reorganização da Paróquia, implantando inúmeras pastorais e alavancando com grande dinamismo a vida pastoral de Sant’Ana; bem como promovendo a formação de lideranças leigas.

 

O 13º Pároco  Pe. Amarildo José de Mello (1991- 2002) deu continuidade ao processo de modernização da Paróquia e a tornou novamente, muito presente na vida civil da cidade; além de humanizar as relações entre a Igreja e os fiéis. Construiu a nova Casa Paroquial e ampliou os serviços sociais em tempos de grande crise econômica, amenizando as penosas consequências para dezenas de famílias.

 

O 14º Pároco – Pe. José Carlos de Souza Campos (2003-2004). Rápida foi a passagem do Pe. José Carlos nosso atual Bispo Diocesano, tendo propiciado uma efetiva organização dos serviços paroquiais.

 

O 15º Pároco – Pe. Edilson Antônio Manoel (2005-2010) incentivou a Pastoral da Família e a devoção mariana na Paróquia.

 

O 16º Pároco – Pe. Francisco Cota de Oliveira (2011 a 2017) conduziu a paróquia com especial zelo pastoral e uma ação de resgate da Tradição e da Cultura, devolvendo à Paróquia de Sant’Ana seu habitual, histórica e marcante presença no seio da Comunidade Itaunense. Muito assinalada também é sua dinâmica ação pastoral para com o social da Paróquia; tendo fundado a obra de assistência aos irmãos de rua e às crianças do alto do Rosário (Projeto “Aquarela”).

 

O 17º Pároco – Pe. Everaldo Quirino Ferreira (2018) é o atual ADMINISTRADOR PAROQUIAL, que tem se revelado como o Bom Pastor, dedicado, competente, piedoso e muito atencioso para com o seu rebanho; dando continuidade ao profícuo trabalho pastoral desenvolvido pelo seu antecessor.