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Rádio Santana FM

Itaúna, 20 de junho de 2021

Quando a presidenta Dilma tomou posse, em seu segundo mandato, ela fez um discurso enumerando prioridade após prioridade, para finalmente dizer que a educação seria a prioridade das prioridades, e lançou o slogan de seu supostamente novo governo: Brasil, Pátria Educadora. Como era a prioridade das prioridades o que aconteceu? Precisando fazer cortes no orçamento da União a Presidenta Dilma mandou cortar sete bilhões, isso mesmo, sete bilhões do orçamento da educação.

Todos sabem o papel importante que é a educação para o crescimento e o desenvolvimento não apenas das pessoas, mas também das cidades, dos estados e dos países. É como disse o grande e inesquecível educador brasileiro, Paulo Freire: “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”.

É muito comum durante as campanhas eleitorais muitos candidatos apontarem a educação como prioridade. Mas e aí? Quando finalmente tomam posse, esquecem o discurso e fica por isso mesmo.

Em Itaúna não poderia ser diferente. Em 2012 o atual prefeito e seu vice divulgaram as propostas para a educação. Claro que proposta não necessariamente vira realidade. Dentre tantas promessas escritas estava a de levar o programa escola aberta para todos os bairros e comunidades rurais. O que aconteceu? Extinguiu-se o programa. No quesito educação parece que Osmando e Dilma empataram. Dilma cortou investimento e Osmando cortou programa.

Mas a educação continua sendo motivo de acalorados debates.

Todo ano quando é divulgado pelo MEC a lista das escolas públicas que obtiveram as melhores notas no ENEM, há sempre um elemento constante: a presença dos colégios militares nesse seleto grupo. O motivo para esse fenômeno não é certo, mas existem vários palpites: maior disciplina e organização na escola, sensação dos alunos de responsabilidade pelos deveres e punição aos “desvios”.

O Estado de Goiás já entregou várias escolas públicas para que a Polícia Militar as dirija. Motivos: conter a violência, implantar disciplina e fazer com que os estudantes realmente aprendam mais e melhor.

Uma pesquisa feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que no Brasil o professor perde 20{4f38b4b7d8b4b299132941acfb1d57d271347fbd28c4ac4a2917fcb5fee07f0b} do tempo de aula acalmando os alunos e colocando a classe em ordem para poder ensinar, quer dizer o professor gasta boa parte do seu tempo cobrando disciplina dos alunos.

Mas há gente que pensa diferente. Veja o caso de Cesar Nunes (preste atenção nesse nome, Cesar Nunes). Para esse pensador a escola brasileira ainda segue os modelos da escola jesuíta, lá dos séculos XVI e XVII, onde a educação se dava pela obediência e onde o professor era o detentor do conhecimento. Uai, e não é mais ou menos isso? O tal César Nunes é ainda mais incisivo quando diz que a escola brasileira atual é a escola fascista dos tempos de Getúlio Vargas. E defende uma escola onde as relações sejam humanizadas, baseadas na confiança, na reciprocidade, na autonomia e na cooperação.

Volta-se à experiência de Goiás com a militarização da escola. É preciso lembrar que o Estado de Goiás é comandado pelo PSDB, onde o Governador é Marconi Perillo, mesmo partido do Prefeito de Itaúna.

Em segundo lugar, volta-se ao nome de Cesar Nunes, que é filósofo e doutor em educação. Interessante que a consulta sobre sua vida indica que ele tentou ser candidato a deputado federal. Por qual partido? Advinhe? Pelo PSDB? Não. Pelo PT, partido demonizado pelo PSBB e por parte do povo brasileiro.

Cesar Nunes acaba de ser contratado pela Prefeitura de Itaúna para fazer uma palestra sobre educação. Valor do contrato? A palestra do filósofo e ex-candidato a deputado federal pelo PT Cesar Nunes custará a merreca de dez mil reais.

Está errado o Prefeito em trazer o palestrante? Claro que não. É preciso discutir, debater, apresentar ideias divergentes, opiniões contrárias.

O que não é possível é insistir que não há recursos financeiros para tal programa, para esta ou aquela necessidade e de repente pagar dez mil reais para uma palestra de duas horas a um professor pouco conhecido. Por falar nisso, alguém sabia quem era Cesar Nunes?

 

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