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Rádio Santana FM

Itaúna, 12 de dezembro de 2019

Fonte: G1

 

A Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, voltou a ser interditada pela Justiça nesta quinta-feira (8). A medida foi tomada devido a diversos problemas no complexo, como superlotação, entrada de telefones celulares e falta de agentes.

 

No fim de 2018, a unidade havia sido interditada pela falta de condições. Na época, a decisão do juiz Wagner Cavalieri, da Vara de Execuções Criminais de Contagem, impedia que o presídio recebesse novos detentos. A capacidade da Nelson Hungria é de 1.640 presos, no fim do ano abrigava cerca de 2.000, hoje cerca de 2.200, segundo a Justiça.

 

De acordo com a decisão desta quinta-feira, do mesmo magistrado, os efeitos da interdição de 2018 devem ser restabelecidos na unidade.

 

“Diante de tais considerações, ante a inércia da administração prisional e a escancarada piora do cenário encontrado no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, outras medidas não há, se não a de, desde já, restabelecer os efeitos da interdição decretada em 2018”, diz Cavalieri na decisão.

 

Consta no documento que no início deste ano, foi celebrado um acordo entre a administração prisional (Governo de Minas), o poder judiciário, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Defensoria Pública para a suspensão da interdição da Nelson Hungria. Em contrapartida o governo deveria adotar uma série de medidas como: o combate à entrada de telefones; o treinamento de agentes da muralha; prioridade para designação de novos agentes; retomada de uma escola estadual dentro da unidade.

 

Porém, segundo a Justiça, nenhuma medida foi tomada desde então. “Ao contrário vem havendo uma sucessão de problemas”. Entre eles, tumulto em dia de visitas, aumento de tentativa de fugas, falta de agentes, entre outros. Diz ainda que recentemente foi descoberta a construção de um túnel para fuga, que o local se transformou em um “escritório do crime” e nesta quinta-feira foram apreendidos celulares e o sequestro de uma criança foi coordenado de dentro do presídio.

 

A Justiça afirma que questionou o secretário de segurança pública Mario Lucio Alves de Araújo sobre as medidas tomadas desde o início do ano e não obteve resposta. Depois disso, encaminhou ofício à direção da unidade. “E a resposta já sabida foi a pior possível”.

 

Ao entrar em contato com o governo e com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública. A pasta disse que não havia sido notificada oficialmente na noite desta quinta-feira, mas ressaltou que cumpre as decisões do poder Judiciário.