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Rádio Santana FM

Itaúna, 18 de janeiro de 2021

Reprodução Instagram

 

 

A operadora de de linha Sara Policarpo, de 25 anos,  ao ir em um estúdio em Divinópolis para tirar uma foto 3×4 para seu documento de identidade, se sentiu discriminada pelo fotografo.

Segundo publicação feita por Sara Policarpo no Instagram, ao chegar à Unidade de Atendimento Integrado (UAI) com os documentos necessários para renovar o Registro Geral (RG) dela.

Em seguida, a jovem foi a um estabelecimento fotográfico que fica em frente à sede da UAI e disse que, após tirar a foto, o atendente informou que teria que “cortar” partes do cabelo dela da imagem em um programa de edição fotográfica para que a foto fosse aceita para a confecção do documento de identidade.

 

“Levei a foto e a moça falou que ela não servia porque não estava no tamanho deles, que tinha que aparecer mais pescoço e que quando fossem colocar o código, aqueles pontinhos não iam pegar”, conta Sara.

 

Sara então relatou que disse para o profissional que já havia feito fotos 3×4 para documentos anteriormente e que o cabelo nunca tinha sido impedimento.

Indignada com o ocorrido, Sara falou sobre o ocorrido em seu Instagram, contando que a uma criança de 5 anos também havia passado pelo mesmo. Ela registrou boletim de ocorrência e foi ouvida nesta segunda-feira (23) na delegacia.

“Eu nem ia fazer nada nem chamar a polícia, eu ia ficar calada. Mas fiquei indignada. Eu só não pensei que ia dar todo esse alvoroço”, conta.

 

A Polícia Civil instaurou um inquérito nesta terça-feira (24), para apurar a denúncia:

 

“A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que, nessa segunda-feira (23/11), a vítima, de 25 anos, acompanhada de sua advogada, acionou a PCMG em Itaúna, para representar contra o proprietário do estabelecimento responsável pela fotografia. Ela foi ouvida e a investigação segue na delegacia de Polícia Civil em Divinópolis, onde o inquérito policial foi instaurado para apuração dos fatos” afirmou a nota em resposta à Santana FM.

Ao registrar o caso na polícia, Sara representou contra o dono da empresa e foi ouvida pelo delegado Leonardo Pio, que foi quem agendou para que ela conseguisse emitir a segunda via do documento dela em Itaúna.

Nesta terça-feira (24) conseguiu tirar a segunda via do documento de identidade em Itaúna, com uma foto onde os traços característicos não foram editados.

 

Ocorrência

Ao chegar em Itaúna, Sara chamou a Polícia Militar (PM) e registrou boletim de ocorrência. No registro, ela comentou que o funcionário pediu para que fosse ao banheiro para diminuir o volume do cabelo e que passasse uma água no rosto.

Consta ainda no documento policial, de que a jovem informou que “a exigência foi feita somente a ela e não às outras clientes brancas”, a quem o profissional apenas pedia que colocassem o cabelo atrás da orelha.

“Ele tirou a foto da minha menina, que não é preta, ela é moreninha do cabelo cacheado, eu até pensei que ia ter que prender o cabelo dela por causa da outra, mas ele simplesmente pediu para ela sentar na cadeira. Quando eu fui sentar para tirar a minha ele falou que se eu quisesse eu podia ir no banheiro arrumar meu cabelo, porque eu não podia tirar foto com o cabelo daquele jeito. A única coisa que a moça do UAI falou foi que meu cabelo não ia aparecer todo, mas não disse que ele não podia aparecer. Eu desmanchei meu afro puf e descendo da escada ele já começou a xingar e disse que o cabelo ainda ia aparecer. Eu pensei comigo, meu cabelo é afro, desse tamanho, como ele quer que eu esconda?”, relata.

 

No boletim de ocorrência ainda há informação de que o funcionário submeteu a fotografia a um programa de computador e a editou, eliminando todo o cabelo e deixando só o rosto na imagem.

A segunda via do documento foi emitida em Itaúna, assim como o Documento de Identidade da filha com a foto que ela mesma tirou em casa e que foi recusada pelo fotógrafo de uma empresa em Divinópolis no dia 20 de novembro. Sara afirmou que o profissional disse que a imagem não se enquadrava nas normas exigidas pela Unidade de Atendimento ao Trabalhador (UAI).

A loja WD Digital, onde ela fez as fotos, informou que sempre faz o trabalho dentro dos parâmetros exigidos pela portaria. Informou ainda que não houve a intenção de ofender a jovem:

Estamos trabalhando como sempre trabalhamos fazendo as fotos dentro dos parâmetros exigidos pela portaria que é de 70% a 80% do rosto. Estamos tranquilos, pois em nenhum momento houve a intenção de ofensa ou qualquer outro tipo de racismo ou algo parecido. A nossa intenção é sempre atender bem a todos os clientes e fazer de forma que a foto não seja reprovada, pois tem as normas exigidas. Se não fôssemos profissionais honestos, simplesmente faríamos a foto de qualquer jeito e receberia por ela, mas sempre temos a consideração por todos em fazer de forma que a foto não seja reprovada. Agradecemos desde já.

 

Com G1/PortalGerais