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Rádio Santana FM

Itaúna, 28 de novembro de 2020

Foto: PCMG / divulgação

 

 

 

As Polícias Civis de Minas Gerais (PCMG) e do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) cumpriraram nove mandados de prisão e 19 de busca e apreensão contra uma quadrilha que é investigada por reproduzir ilegalmente cursos preparatórios e que controlava a maior plataforma virtual de conteúdos pirateados do Brasil. É estimado que a organização tenha causado um prejuízo de R$ 65 milhões aos cursos oficiais.

 

Segundo a PCMG, os investigadores descobriram que o grupo comercializou milhares de materiais preparatórios pirateados, inclusive para concursos de carreiras policiais, fiscais e jurídicas. Os cursos, cujos valores oscilam entre R$ 500 e R$ 10 mil, eram vendidos pelos investigados em site próprio por até 10% do valor do conteúdo original.

 

Essas plataformas eram gerenciadas pelo principal suspeito de liderar o grupo, de 35 anos, preso no Rio de Janeiro, ex-aluno da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). Já um idoso de 71 anos, preso em Borda da Mata, no Sul de Minas, que possui conhecimentos avançados em tecnologia da informação, era o responsável por quebrar a criptografia do streaming de vídeo dos cursos oficiais e transferir os arquivos para um servidor particular, no qual as aulas eram disponibilizadas para os clientes das plataformas virtuais.

 

A filha desse último suspeito, de 35 anos, foi presa em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. Entre os demais investigados estão outros quatro homens, incluindo um policial militar, com idades entre 20 e 44 anos, e mais duas mulheres, de 42 e 56 anos, todos presos no Rio de Janeiro.

 

Um dos clientes identificados na investigação é funcionário do Tribunal de Contas de um Estado e utilizou a rede IP do próprio órgão para adquirir um curso pirata. Os compradores identificados na investigação estão sujeitos a responder pelo crime de receptação, com pena de até quatro anos.

 

Ganhos

 

O esquema criminoso teria gerado faturamento estimado em R$ 15 milhões. Conforme as investigações, para ocultar a grande movimentação financeira de origem ilícita, o líder utilizava seus parentes como laranjas. No período investigado, foi apurado que a mãe dele, que possui um salão de beleza, teve movimentação bancária de R$ 1,5 milhão e ganho líquido de aproximadamente R$ 500 mil em operações de bolsas de valores.

 

Outro artifício utilizado era manter os bens adquiridos em nome dos vendedores dos cursos. Dessa forma, os investigadores identificaram também uma empresa fantasma, sediada em um shopping de luxo localizado na cidade de São Paulo.

 

O trabalho foi desencadeado nas cidades mineiras de Juiz de Fora e Borda da Mata, além da capital do Rio de Janeiro e municípios de Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Saquarema e Araruama. Participaram da operação mais de 100 agentes da PCMG, por meio das Delegacias Regionais em Pouso Alegre e Juiz de Fora, bem como do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), da 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), além do apoio logístico do 4º Departamento de Policiamento de Área (DPA), que integram as Forças de Segurança do Rio de Janeiro.

 

Por: O Tempo