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Rádio Santana FM

Itaúna, 13 de agosto de 2020

 

Mesmo com muitas atividades suspensas, como as aulas didáticas e os cultos religiosos, devido ao perigo de contaminação pelo novo coronavírus, os recuperandos da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), de Itaúna, não se encontram ociosos, pelo contrário, nunca produziram tanto. Nesse período, eles literalmente colocaram a mão na massa e o resultado são pães, bolos, tortas, blocos de cimento e produtos de marcenaria, além de hortaliças.

 

De acordo com o juiz da 1ª Vara Criminal, do Júri e de Execuções Penais da Comarca, Adelmo Bragança Queiroz, logo no início da pandemia, os recuperandos que pertenciam a algum grupo de risco, assim como os do regime semiaberto, foram colocados provisoriamente em prisão domiciliar. Com menos mão de obra, a unidade tem redobrado seus esforços pra continuar ativa e, agora, os recuperandos do regime fechado dedicam maior tempo nas atividades das oficinas.

 

Na marcenaria, o trabalho exige muita responsabilidade e concentração. Cada peça é manuseada com cuidado e o resultado desse capricho aparece na produção. O recuperando Alessandro Bias da Silva fala com orgulho do trabalho que realiza lá, e pelo qual ele é o responsável. “Os móveis que são feitos aqui não devem em nada aos que são feitos em qualquer marcenaria de Itaúna, tanto pela capacitação profissional, quanto pelos equipamentos, que são de ótima qualidade”, diz.

 

Fábrica de blocos começou este ano e produz 4 mil unidades mensais

 

O recuperando explicou que a padaria da unidade, reformada recentemente, ganhou novo balcão e prateleiras, produzidos por eles na oficina da Apac. “Nós fazemos móveis para escritórios, lojas, armários embutidos e de banheiro, conseguimos fazer qualquer coisa aqui, com o maquinário que temos”, enfatiza.

Também o trabalho na padaria está a todo vapor, embora, em tempos normais, a produção seja bem maior. Antes da pandemia, eram fabricados 3 mil pães diários, que abasteciam as escolas e o poder público municipal. Atualmente, estão sendo produzidos 600, destinados ao regime fechado e à padaria externa, que recebe também todo o tipo de quitanda, como bolos, pães de queijo e broas, tudo feito pelos recuperandos e consumidos pela sociedade de Itaúna.

A marcenaria e a padaria já fazem parte da unidade há mais tempo. Já a fábrica de blocos nasceu em abril deste ano e produz 4 mil unidades mensais. De acordo com a gestora geral da Apac, Luciane Lima Azevedo, já estão sendo feitos investimentos para dobrar a produção. Os blocos estão disponíveis para compra. Os principais clientes são pessoas físicas e jurídicas, inclusive a Prefeitura Municipal.

 

Recuperandos  já se pensa em uma ampliação para venda dos produtos

 

 

Ainda há as oficinas da horta e do horto. A horta é para consumo próprio dos recuperandos, mas já há a intenção de se produzir verduras e legumes para serem comercializados. Já o horto conta com mudas para plantio, tanto frutíferas como ornamentais. Segundo Luciana Azevedo, a criação de um orquidário também está nos planos da unidade.

Além de todo esse trabalho, a laborterapia do regime fechado, que consiste na produção de artesanatos de madeira, vidro e pano, também está funcionando normalmente e recebendo encomendas. Quem se interessar pelos produtos produzidos na Apac de Itaúna pode entrar em contato pelos telefones (37) 32431737, (37) 9 9842 – 4573 – falar com Diane – ou (37) 9 9928 – 3535, falar com Luciane.