Reduflação: saiba o que é a redução do peso dos produtos

24/05/2022 | Brasil

Desse modo, você compra uma quantidade menor pelo mesmo preço de antes – Foto reprodução

 

 

 

A prática não é nova, mas em tempos de inflação galopante ficou mais evidente nas prateleiras dos mercados e queixas têm se multiplicado na internet. Trata-se da velha tática da indústria de reduzir a embalagem ou o peso dos pacotes, enquanto os preços dos produtos continuam iguais ou até mesmo maiores.

Como a reduflação funciona

 

A reduflação funciona como uma maneira das empresas subirem os preços dos produtos, de uma forma mais discreta. Isso porque, na reduflação, as empresas diminuem a quantidade dos produtos sem diminuir os preços.

 

Desse modo, você compra uma quantidade menor pelo mesmo preço de antes. Isso significa que o preço subiu, mas é pouco perceptível, já que muitas vezes o preço da etiqueta não mudou.

 

Ou seja, a reduflação é adotada pois a maior parte das pessoas repara apenas no preço da etiqueta do produto, e não se atenta às mudanças na quantidade.

 

Por exemplo, você já reparou que as barras de chocolate estão diminuindo de tamanho com o passar do tempo? Quem ama chocolate certamente notou!

 

Pode acontecer também de, além de diminuir a quantidade, a empresa ainda subir o preço! Talvez você esteja se perguntando se essa é uma prática legal.

 

De acordo com Rui Rosa Dias, professor do Instituto Superior de Administração e Gestão – European Business School (ISAG-EBS), “Ilegal não é, agora é pouco ético, é falta de transparência”.

 

Inclusive, a prática não é nova e remete pelo menos à década de 80.

 

Um bom exemplo disso foi quando, em 1987, a companhia aérea American Airlines economizou 40 mil dólares anuais ao remover apenas uma azeitona de cada salada servida aos passageiros da classe executiva.

 

O que diz a lei sobre a reduflação

 

No Brasil, os fabricantes são obrigados a comunicar as alterações no rótulo do produto, informando a quantidade de produto diminuída, num local de fácil visualização e com caracteres bem visíveis.

 

Se a embalagem não tiver as informações sobre a redução de forma clara, você pode denunciar a empresa por meio dos órgãos de proteção ao consumidor, como Procon, Senacon e Ministério da Justiça. De acordo com o Procon:

 

“Aos consumidores que adquirirem os produtos em desconformidade com essa lei, fica assegurado o direito de trocá-los por outro produto de sua livre escolha ou obter a devolução do valor pago em dinheiro”.

 

Adriano Fonseca, advogado da Proteste Associação de Consumidores, explica que: “O ideal é que o consumidor sempre fique atento aos produtos escolhidos, principalmente aqueles de compra recorrente.

 

Caso seja feita de forma indiscriminada, sem que as devidas informações sejam apresentadas de forma que o consumidor logo as identifique, a reduflação poderá configurar uma prática abusiva, assim como uma violação dos direitos de informação e princípios da boa-fé”.

 

Enfim, segundo a portaria nº 392, de 29 de setembro de 2021 do Ministério da Justiça as empresas devem:

 

1- Indicar as mudanças

No rótulo deve constar a quantidade que existia antes e depois da alteração. Sendo que é preciso informar a quantidade de produto diminuída, em termos absolutos e percentuais.

 

2- Informações

As informações sobre as mudanças devem estar em um local de fácil visualização, com caracteres em caixa alta, negrito, e em cor contrastante com o fundo do rótulo.

 

A mudança deve ser informada na parte principal do rótulo. É proibido a inclusão da informação em locais encobertos e de difícil visualização como as áreas de selagem e de torção.

 

3- Tempo

É preciso especificar no rótulo as mudanças na quantidade durante um prazo mínimo de 6 meses.

 

Como a reduflação te afeta?

 

A reduflação afeta diretamente o seu poder de compra. Isso porque você gasta o mesmo dinheiro para comprar uma quantidade menor.

 

Nesse sentido, se você precisar comprar exatamente a mesma quantidade de antes, vai precisar gastar mais dinheiro.

 

É a mesma coisa que acontece com a inflação. A única diferença é que a reduflação camufla esse aumento de preços. É por isso que é essencial ficar atento para possíveis mudanças nas quantidades.

 

Muitas pessoas são fiéis a certas marcas e não reparam na embalagem quando vão comprar, olham apenas os preços. Mas, com a prática da reduflação ganhando cada vez mais espaço, você precisa ficar sempre de olho.

 

Além disso, você pode procurar por formas de proteger o seu poder de compra. Uma maneira de fazer isso, é por meio de investimentos com rendimento acima da inflação.

 

Com informações do G1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A estratégia para driblar a alta nos preços já ganhou até apelido, “reduflação”. Ou seja, a inflação pela redução do peso ou pelo encolhimento dos produtos.

 

“Embora a prática não seja ilegal, a reduflação é algo que deve ser feito com muitas ressalvas. O consumidor acostumado a comprar um produto pelo mesmo preço pode acabar não percebendo que sua quantidade foi reduzida” afirma Adriano Fonseca, advogado da Proteste Associação de Consumidores.

 

A prática tem sido observada em alimentos, guloseimas e produtos de limpeza de diversos fabricantes.

 

Entre os exemplos, o biscoito Nesfit com aveia teve redução de peso de 20%; o amendoim crocante Pettiz encolheu de 90g para 70g; o pacote pequeno de cookie Toddy teve redução de 5%; o sabão Omo embalagem econômica diminuiu de 4kg para 3,8kg; e a caixa de fósforos da marca Fiat Lux agora vem com 200 unidades, 40 palitos a menos.

 

 

 

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