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Rádio Santana FM

Itaúna, 23 de junho de 2021

O ouvinte já deve ter se deparado com muitas e muitas notícias sobre a violência que atinge Itaúna. Guardando as devidas proporções, a cidade está com índices que se aproximam dos grandes centros urbanos. São assassinatos, furtos, roubos e agressões.

A grande questão é o que fazer para enfrentar e resolver a onda de insegurança que toma conta da cidade.

Iniciativa louvável é a da Câmara Municipal de Itaúna. Primeiro criou uma campanha em que o slogan ou o mote é “mais gentileza e menos violência”. Em segundo lugar marcou um ciclo de debates sobre a violência que deve ocorrer entre os próximos dias 19 a 21.

É preciso parabenizar a Câmara, mas somente o debate e os anúncios publicados e pagos na imprensa local não inócuos, quer dizer que por si só não surtirão efeitos.

O que fazer?

Certo é que ninguém tem bula para tanto. Mas é preciso destacar duas ações: uma ostensiva e outra preventiva.

No caso da ação ostensiva vale lembrar que esta atribuição é das polícias militares estaduais. É a polícia fardada, responsável pela segurança da população e por impedir que crimes ocorram. Ela faz o policiamento ostensivo, isto é, ela vai pra rua e circula pelos lugares públicos, buscando sempre garantir a paz e a tranquilidade das pessoas. Quando necessário a Polícia Militar também deve perseguir criminosos e pode efetuar prisões, desde que elas estejam de acordo com a lei.

Por outro lado é preciso desencadear ações que inibam ou desestimulem o uso e a comercialização de drogas ilícitas, fonte permanente de violência. Além disso é importantíssimo desenvolver programas e ou projetos que busquem uma cultura de paz, como o projeto embrionário “educação para a paz”, desenvolvido na secretaria municipal de educação de Itaúna no ano de 2011. Nesse sentido parece que a Câmara de Itaúna resgata aquele programa, só que é necessário maior envolvimento, pois não basta publicar anúncios em jornais.

O ouvinte da Santana tomou conhecimento de que até escola municipal foi invadida e teve muitos de seus bens surrupiados. O fato gerou grande comoção no bairro Morada Nova e junto à comunidade escolar, tendo à frente a competente e dinâmica diretora Jane.

Este tipo de ação poderia ter sido evitado caso uma das propostas de campanha do Prefeito Osmando tivesse saído do papel. Quando ele foi candidato, em 2012, publicou um superjornal e na folha 15 estava a proposta de criar a guarda municipal. Justiça seja feita: a lei que cria a tal guarda municipal foi enviada à Câmara e aprovada. Mas já se passaram vários meses e nada dela deixar o mundo abstrato para cair na real, ou seja, agora é preciso realizar o concurso público para dar posse aos aprovados no cargo de guarda municipal.

Outra proposta do então candidato Osmando está na mesma página daquele mesmo jornal: “implantar o programa Papo Legal orientando os jovens sobre o risco da droga e afastando-os do tráfico”. Alguém tem notícia desse programa? Alguém viu? Está funcionando? Seria muito importante sua implantação.

Voltando à Constituição Federal ela diz que a segurança é um direito de todos. Se o cidadão vive em um permanente estado de tensão e insegurança é necessário acionar as autoridades, representantes do poder estatal – governadores, prefeitos, presidente – para que atendam os ditames dessa mesma constituição quando diz ser deles essa responsabilidade.

Ser governo não é fácil, mas quando se apresenta à população propostas de campanha eleitoral é preciso cumpri-las para não dar a ideia de que se trata de estelionato eleitoral.

Ninguém quer debitar isso na conta dos administradores atuais, mas a guarda municipal e o programa Papo Legal merecem vir ao mundo real, seja através de parto normal ou não.

A população está cansada e quer mais segurança. O Poder Público Municipal pode ajudar nessa empreitada, desengavetando alguns programas, projetos e propostas.

Heli Maia, para a Rádio Santana.  

 

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