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Rádio Santana FM

Itaúna, 28 de novembro de 2020

medidor agua pampulha estragado

 

 

 

Desde que se tornou imprópria ao contato humano na década de 1980, devido ao despejo de esgoto e à presença de metais pesados prejudiciais à saúde, apenas três estruturas navegaram e flutuam pelas águas da Lagoa da Pampulha. As balsas da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), que fazem a limpeza diária do espelho d’água; o chafariz que fica ancorado próximo ao vertedouro e à barragem; e a sonda instalada pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes) para medir as condições da água do reservatório. Contudo, este último equipamento, lançado em 13 de dezembro de 2012, não emite mais informações sobre o reservatório desde 2014. Instalado sobre boias nas proximidades do Iate Tênis Clube, esse equipamento, considerado moderno, custou R$ 480 mil à época e deveria emitir para o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) informes a cada 30 minutos sobre a concentração de oxigênio dissolvido, condutividade elétrica, salinidade, temperatura e pH em diferentes profundidades.

As informações são importantes para determinar as razões para mortes de peixes em certas épocas e a expansão da floração das algas e micro-organismos. De acordo com o Igam, os informes não são recebidos há mais de um ano. A Sectes confirma que a sonda está inoperante, mas até o fechamento desta edição não conseguiu localizar os técnicos responsáveis pelo equipamento para dizer se houve uma falha de operação ou se os instrumentos estão danificados.

A sonda amarela que parece ser um submarino emergido é um dos destaques na paisagem náutica da lagoa quando se navega por lá, como observou a reportagem do Estado de Minas ao percorrer o espelho d’água mais conhecido da capital mineira na balsa da Sudecap, a única embarcação com tráfego regular pela lagoa.

A balsa sai do Parque Ecológico, onde ficam outras três embarcações da Sudecap. Logo ao zarpar, depois de passar por cima de garrafas de plástico e sacos de lixo, uma estrutura de formato arredondado e de cor escura parece se movimentar entre o lixo. Mais alguns metros e enfim dá para ver na água verde e espessa uma cabeça de réptil pendendo de um pescoço comprido. É um dos cágados que sobrevivem nesse ambiente e, de acordo com a Sudecap, acabam morrendo ao ingerir peças de plástico ou ter o pescoço preso em tramas de mesmo material, linhas de pesca, de pipas e arames.