Unicórnio, arco-íris e caveira são ‘anti-família’, diz colégio em Itaúna

18/01/2022 | Itaúna


Unicórnio, arco-íris e caveira são ‘anti-família’, diz colégio em Minas – Foto Reprodução

 

 

O Colégio Recanto do Espírito Santo, instituição de ensino particular, em Itaúna, divulgou, no último 12 de janeiro, um “comunicado” que alertava pais e responsáveis sobre materiais escolares que carregam o que foi considerado como “ideologias anti-família”. O texto, que traz consigo imagens da bandeira LGBTQIA+, de Chê Guevara, de unicórnios e caveiras, propõe “refletir sobre a influência da moda” nos itens usados por alunos e o que significam as imagens impressas neles.

 

“Contudo, tal como acontece nas roupas, as estampas nos objetos que utilizamos também dizem muito a respeito do que vivemos e acreditamos. Aliás, a moda é um forte instrumento de identificação de grupos. Você já pensou que a escolha dos itens escolares também faz parte da formação das crianças? Antes de escolher, faça a si mesmo algumas perguntas: Qual o significado desta estampa? O que ela representa para meus filhos?”, pontua o comunicado.

 

A deliberação chega, quando há uma montagem em cor rubra com o rosto de Chê Guevara, uma caveira e o símbolo “A”, relativo a alguns movimentos anarquistas, ao alerta vermelho que pretende. “Os cadernos e camisetas com caveiras (cultura de morte), foice e martelo e com o rosto de Che Guevara (grande assassino e revolucionário comunista), estão na moda há décadas. Mas hoje vejo também outros riscos”, continua a arguição.

 

“As principais ideologias anti-família têm feito de tudo para se instalar em nosso meio e utilizam, principalmente, os materiais infantis e com estampas que parecem ingênuas. O arco-íris que é um símbolo de aliança de Deus com seu povo foi raptado pela militância LGBT, que o utiliza em suas bandeiras que têm, atualmente, seis cores: vermelho, laranja, amarelo, verde, anil e violeta”, completa.

 

O colégio chega a afirmar, ainda, que o unicórnio – que é “sempre apresentado como uma figura doce e encantadora” – tem um “perigo” em sua representação. Sem ligação com o movimento, a diretoria alega que é o animal folclórico é usado para “identificar alguém de gênero não binário”. “Ou seja, não se enquadra em nada e vive totalmente sem padrões. Resumindo, é mais um símbolo contrário à lei natural, contrário aos planos de Deus”, murmura.

 

Por fim, a argumentação diz que um “exemplo” da utilização “perigosa” do unicórnio é “um Shake” dado pelo Burguer King em 2018 “especialmente para a parada gay em São Paulo” (sic). Gênero e sexualidade não são, no entendimento científico atual, conceitos que necessariamente se sobrepõe – uma pessoa não binária, por exemplo, é entendida como alguém que não se identifica com as denominações “homem” e “mulher” dentro do espectro de gênero e, por isso, não há relação com “parada gay”.

 

No ano passado, a escola ficou conhecida quando publicou, nas redes sociais, uma mensagem que responsabilizava mulheres por violências sexuais e estupros sofridos devido a roupas que usam. “Quando a mulher decide expor partes do corpo que deveriam estar cobertas, se torna uma sedutora, partilhando assim a culpa do homem. De fato, os teólogos ensinam que o pecado da sedutora é muito maior que o da pessoa seduzida”, dizia o texto.

 

À época, a mensagem foi excluída após repercussão negativa e o colégio alegou que “foi uma postagem indevida”. “Apesar de concordarmos com a modéstia no vestir, o texto em questão deixou margem para interpretações que não são as do colégio”, se defendeu.

 

A reportagem de O TEMPO tentou contato com o Colégio Recanto do Espírito Santo por telefone – em cinco números disponíveis para o público – e por e-mail para que uma posição sobre o material LGBTQIA+fóbico fosse explicado. Até a publicação deste texto, não houve retorno.

 

Por O Tempo

 

 

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