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Rádio Santana FM

Itaúna, 23 de abril de 2021

 

E não é só usar máscara, mas usar o acessório correto, que realmente proteja. – Foto reprodução

 

 

Indispensáveis para evitar a propagação do novo coronavírus, as máscaras entraram definitivamente não só no guarda-roupas, como também na consciência de cada pessoa. Ainda que a vacinação tenha começado em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, infectologistas alertam que o uso do Equipamento de Proteção Individual (EPI) deve continuar sendo feito ao menos pelos próximos três anos ou quando for atingida a tão esperada imunidade de rebanho na população – que sinaliza controle da pandemia.

 

“Mesmo após a vacinação, nesses próximos dois ou três anos, vamos ter que tomar cuidado com a Covid. Manter o mascaramento e um certo distanciamento físico”, orienta o infectologista itaunense Unaí Tupinambás, membro dos comitês de enfrentamento da Covid da Prefeitura de BH e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 

E não é só usar máscara, mas usar o acessório correto, que realmente proteja. Isso porque há máscaras que protegem mais ou menos. De maneira geral, as de algodão, usadas pela maior parte dos brasileiros, oferecem uma boa cobertura, eliminando de 70% a 90% das gotículas expelidas pela fala. Os dados são de estudo feito pela Universidade de Duke, que pesquisou a eficácia de diferentes tipos desse EPI.

 

“Se todos usassem uma máscara, poderíamos conter em até 99% esses aerossóis antes que atingissem outra pessoa”, explicou o físico Eric Westman, que participou do experimento, publicado na renomada revista científica “Sciences Advance”.

 

“Cerca de metade das infecções é de pessoas que não apresentam sintomas e muitas vezes não sabem que estão infectadas. Elas podem espalhar o vírus sem saber quando tossem, espirram ou falam simplesmente”, completou ele, corroborando a importância do uso do equipamento.

 

Para o infectologista Leandro Curi, o uso de máscaras é uma questão de bom senso em relação ao próximo neste momento tão delicado da pandemia. As infecções por Covid continuam em alta em todo o Estado, e a maioria das macrorregiões está na Onda Vermelha, que exige mais isolamento e medidas restritivas. “A gente não cresceu e aprendeu a usar máscara. Foi imposto como um hábito moderno por conta do coronavírus. Mas isso não quer dizer que porque a gente não cresceu usando máscara que não tenhamos a urgência iminente de usá-la. Temos que usar. Não somente o grupo de risco, todos nós”, salienta Curi.

 

Proteção contra novas variantes

As máscaras podem proteger contra a nova cepa do novo coronavírus? O uso do equipamento de segurança volta à tona em alguns países diante do surgimento de variantes do vírus mais contagiosas.

A Áustria e a região alemã de Baviera, por exemplo, decidiram impor o uso das máscaras tipo N95 em comércios e transportes. Mas “torná-las obrigatórias pode causar muitos problemas”, afirma KK Cheng, diretor do Instituto de Pesquisa Aplicada em Saúde de Birmingham (Inglaterra).Isso porque, por serem quase herméticas, as máscaras desse tipo exigem um esforço maior para respirar, sem contar que são mais caras.

Cheng considera que, “se todos usarem corretamente uma máscara caseira, a proteção ainda será muito apreciável”, diz ele, citando um estudo publicado na revista científica “Proceedings of the Royal Society A”: “O risco de infecção se reduz para 60% com uma máscara caseira básica”, garante o estudioso.

 

Descarte incorreto preocupa

Máscaras cirúrgicas se tornaram um perigo mortal para animais, que podem ficar presos ou asfixiados com as que são deixadas na natureza. Mais de 1,5 bilhão desses equipamentos foram parar nos oceanos em 2020. ONGs pedem que países aumentem as multas para quem fizer o descarte incorreto.

Para ser uma barreira eficaz contra o coronavírus, as máscaras precisam cobrir o nariz e a boca, incluindo o queixo. Assim que colocadas, não podem ser tocadas.

Por O Tempo