NO AR AGORA

Rádio Santana FM

Itaúna, 23 de abril de 2021

Foto Marcílio Lana UFMG

 

Uma parceria entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o governo do Estado e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deve permitir o avanço do desenvolvimento da vacina contra o coronavírus pela universidade mineira. Além do imunizante contra a Covid-19, o acordo tem o objetivo de ampliar a estrutura para a produção de outros antídotos nacionais, reduzindo a dependência do Brasil em relação a outros países. A parceria foi firmada na última quinta-feira (4) pelo vice-governador de Minas Gerais, Paulo Brant, a reitora Sandra Regina Goulart Almeida, e o ministro Marcos Pontes.

 

Ainda no início de 2020, antes de a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar a pandemia de coronavírus, o Centro de Tecnologia em Vacina (CT-Vacina) da UFMG começou as pesquisas para combater a Covid-19. Desde então, foram realizados os testes preliminares, mas, devido à falta de recursos, o desenvolvimento da vacina não avançou.

 

“Nós tivemos investimentos do Ministério de Ciência e Tecnologia para realizar a parte pré-clínica, a identificação do antígeno, determinar qual a formatação, a plataforma vacinal e testar em camundongo para ver se induz resposta imune e proteção. Então, ao longo desses meses, cumprimos toda essa tarefa e agora temos que avançar para os estudos clínicos. Essa parceria entre governo do estado, ministério e UFMG busca viabilizar a realização dos ensaios clínicos de uma das formulações vacinas que até o momento se mostrou promissora”, explica a professora Ana Paula Fernandes, uma das coordenadoras do CT-Vacinas.

 

As fases 1 e 2, de imunogenicidade e segurança em humanos, devem demandar investimento de R$ 15 a 20 milhões. Para a fase 3, ainda não há orçamento. A expectativa, segundo a professora Ana Paula, é que os testes em humanos comecem até o fim desse ano, contando com a colaboração de todas as partes envolvidas.

 

A vacina em desenvolvimento pelo CT-Vacinas da UFMG adota tecnologia semelhante à da Universidade de Oxford, que trabalha com vetores virais, que não causam doença em seres humanos, mas estimulando a produção de anticorpos e células de defesa.

 

Outras vacinas

 

O esforço conjunto dos governos estadual e federal e da UFMG também tem o objetivo de ampliar a capacidade de produção de vacinas no Brasil no longo prazo. A ideia é diminuir a independência do país, já que quase todas as vacinas usadas no Brasil dependem de tecnologia estrangeira. “Uma ideia que vem sendo construída é ampliar a estrutura do CT-Vacinas e de laboratórios e gerar uma planta-piloto, que é uma planta de produção de vacinas recombinantes, que é quase inexistente no Brasil”, diz a professora Ana Paula.

 

Essa planta-piloto é capaz de produzir vacinas para testes e, se aprovadas, encaminhá-las para produção em larga escala. “Ela permite a produção em uma escala que permite realizar os estudos clínicos com segurança. Uma vez aprovada, você faz o escalonamento para plantas do porte de BioManguinhos, Butantan. E a ideia é que a gente amplie a capacidade da Funed de produção de vacinas recombinantes”, conclui a professora.

 

Por O Tempo