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Rádio Santana FM

Itaúna, 1 de dezembro de 2020

Vereador Reginaldo concorre a terceiro mandato mesmo preso – Foto Reprodução/TSE

 

O vereador Reginaldo Teixeira Rodrigues (Solidariedade) foi o mais votado nas eleições de 2016 para a Câmara Municipal de Mateus Leme, com mais de 700 votos. Um índice expressivo para o município, de 27 mil habitantes, na região metropolitana de Belo Horizonte (houve 17 mil votos válidos para vereador na época).

Ele já havia superado a marca dos 700 votos e sido o vereador mais votado do município em 2012, e tudo indica que será eleito para um terceiro mandato.

Uma história que se assemelha a tantas outras pelos municípios Brasil afora, exceto por uma peculiaridade: Reginaldo Teixeira Rodrigues está preso provisoriamente desde junho deste ano, no âmbito de uma operação que o investigava por ao menos três homicídios em Mateus Leme. A Polícia Civil informou que encerrou três inquéritos, dois de homicídios e um de peculato contra o parlamentar, que continua como ocupante do Legislativo, sem um suplente em seu lugar.

Mesmo estando detido durante todo o período de campanha eleitoral, ele deve ser reconduzido a uma das nove cadeiras da Câmara Municipal. Em sua página de Facebook, sob cuidados da mulher, durante o mês de outubro foram publicados quase 20 vídeos, mas, em vez de gravações com o candidato, foram feitas gravações individuais de moradores testemunhando por que votarão em Reginaldo no dia 15 de novembro. Em outro vídeo, imagens de arquivo do vereador são utilizadas com um jingle pedindo votos no candidato.

“Ele pode ser eleito mesmo estando preso, já que continua com seus direitos políticos até ter sentença criminal transitada em julgado”, explica Leonardo Spencer, professor do Ibmec especialista em direito eleitoral.

Para que se tornasse inelegível, a Câmara Municipal teria que ter cassado Reginaldo até antes do registro da candidatura.

Os vereadores de Mateus Leme preferiram não se manifestar sobre a questão envolvendo o colega preso, dizendo que cabe à Justiça decidir os rumos do vereador.
O presidente da Câmara Municipal de Mateus Leme, Ricardo Gomes Moreira (Solidariedade), informa não ter recebido qualquer pedido da Justiça para que Reginaldo Teixeira fosse afastado do cargo.

Ele diz ainda que, seguindo regimento interno da Casa, nesta semana, uma nova reunião ordinária pode representar mudanças na situação de Teixeira, já que ele extrapolará agora o número de faltas permitidas durante o ano.

O Aparte não conseguiu conversar com o vereador Reginaldo Teixeira. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) não tinha respondido aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta edição.

 

Por O Tempo